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Autores AnônimosUm Autor do séc. XII «Eis que vou aparecer-te também do lado de fora, para levar-te para dentro, a fim de que encontres dentro quem fora procuras» Do Tratado Sobre a Paixão e Ressurreição do Senhor Cap. 5,38, Comentário para a I Semana da Páscoa (Jo 20,11-18) Viu dois anjos, vestidos de branco, sentados no lugar onde o corpo de Jesus fora colocado; um à cabeceira e outro aos pés. Mulher - dizem - por que choras? Quem procuras? (Jo 20,12-13). Bem sabeis, anjos boníssimos, por quem chorava e a quem buscava. Por que, chamando-a, fazê-la chorar de novo? Mas já estava perto o gozo da consolação inesperada, e toda a força do sofrimento de pronto se desfaz. Voltou-se e viu Jesus de pé. Mas não sabia que era Jesus (Jo 20,14). Ó carinhoso e grato espetáculo de amor! Ele, que é buscado e desejado, ao mesmo tempo se oculta e manifesta. Oculta-se para ser procurado com mais ardor; para, buscado, ser achado com alegria; para, encontrado, ser retido com solicitude. E retido, não possa retirar-se antes de ser introduzido no quarto do seu amor, onde estabeleça morada. Com tal arte brinca no mundo a Sabedoria e suas delícias é estar com os filhos dos homens (cf. Prov 8,30-31). Mulher, por que choras? Quem procuras? (Jo 20,15). Possuis aquele que buscas, e o ignoras? És dona de verdadeira e terna alegria, e estás chorando? Tens dentro de ti quem fora procuras. Verdadeiramente está junto ao sepulcro, chorando do lado de fora. A tua mente é o meu sepulcro. Aí descanso: não morto, mas vivo para sempre. A tua mente é o meu horto. Com razão julgaste ser eu um jardineiro. Pois sou o segundo Adão; eu trabalho no jardim do paraíso e monto-lhe guarda. O teu choro, o teu amor o teu desejo são obra minha: tens-me dentro de ti e não sabes; por isso é que me procuras fora. Eis que vou aparecer também do lado de fora, a fim de levar-te para dentro, a fim de que encontres dentro quem fora procuras. Maria (Jo 20,16): eu te conheço pelo nome, aprende tu a conhecer-me pela fé. Rabbuni, isto é, Mestre! (ibid.) É como se dissesse: ensina-me a procurar-te, a tocar-te, a ungir-te. Não me retenhas (Jo 20,17) - diz ele - como ao homem e ao mortal que outrora tocaste e ungiste. Ainda não subi ao meu Pai (ibid.), ainda não crestes que sou igual, coeterno e consubstancial ao Pai. Crês e me tocarás. Vês o homem, por isso não crês; pois não cremos naquilo que estamos vendo. Não vês a Deus. Crê e verás: crendo, tocar-me-ás; como aquela mulher que tocou a fímbria das minhas vestes e imediatamente curou-se. Por quê? Porque tocou-me com sua fé. Toca-me com essa mão; busca-me com esses olhos; e correndo com esses pés, apressa-te em chegar a mim pois não estou longe de ti. Sou um Deus que se aproxima; sou palavra na tua boca, palavra no teu coração. O que estará mais perto do homem do que o seu próprio coração? Lá me encontra, qualquer um me encontra. As coisas exteriores, realmente, são visíveis: também elas são obra minha, mas são transitórias e caducas. Ao contrário, eu, que sou seu artífice, habito no mais profundo dos corações puros. * * * * * «Descenso del Señor a los infiernos» De una homilía antigua sobre el grande y santo Sábado "¿Qué es lo que hoy sucede? Un gran silencio envuelve la tierra; un gran silencio porque el Rey duerme. «La tierra temió sobrecogida» porque Dios se durmió en la carne y ha despertado a los que dormían desde antiguo. Dios en la carne ha muerto y el Abismo ha despertado. Va a buscar a nuestro primer padre como si fuera la oveja perdida. Quiere absolutamente visitar «a los que viven en tinieblas y en sombra de muerte». El, que es al mismo tiempo Hijo de Dios, hijo de Eva, va a librar de su prisión y de sus dolores a Adán y a Eva. El Señor, teniendo en sus manos las armas vencedoras de la cruz, se acerca a ellos. Al verlo nuestro primer padre Adán, asombrado por tan gran acontecimiento, exclama y dice a todos: Mi Señor esté con todos. Y Cristo, respondiendo, dice a Adán: Y con tu espíritu. Y tomándolo por la mano le añade: «Despierta tú que duermes, levántate de entre los muertos y Cristo será tu luz». Yo soy tu Dios que por ti y por todos los que han de nacer de ti me he hecho tu hijo; y ahora te digo: tengo el poder de anunciar a los que están encadenados: Salid; y a los que se encuentran en las tinieblas: iluminaos; y a los que dormís: levantaos. A ti te mando: «despierta tú que duermes», pues no te creé para que permanezcas cautivo en el Abismo; «levántate de entre los muertos», pues yo soy la vida de los muertos. Levántate, obra de mis manos; levántate, imagen mía, creado a mi semejanza. Levántate, salgamos de aquí porque tú en mí, y yo en ti, formamos una sola e indivisible persona. Por ti yo, tu Dios, me he hecho tu hijo; por ti yo, tu Señor, he revestido tu condición servil; por ti yo, que estoy sobre los cielos, he venido a la tierra y he bajado al Abismo; por ti me he hecho hombre, «semejante a un inválido que tiene su cama entre los muertos»; por ti que fuiste expulsado del huerto he sido entregado a los judíos en el huerto, y en el huerto he sido crucificado. Contempla los salivazos de mi cara que he soportado para devolverte tu primer aliento de vida; contempla los golpes de mis mejillas que he soportado para reformar de acuerdo con mi imagen tu imagen deformada. Contempla los azotes en mis espaldas que he aceptado para aliviarte del peso de los pecados que habían sido cargados sobre tu espalda. Contempla los clavos que me han sujetado fuertemente al madero; por ti los he aceptado, que maliciosamente extendiste una mano al árbol. Dormí en la cruz y la lanza atravesó mi costado por ti, que en el paraíso dormiste y de tu costado diste origen a Eva. Mi costado ha curado el dolor del costado. Mi sueño te saca del sueño del Abismo. Mi lanza eliminó aquella espada que te amenazaba en el paraíso. Levántate, salgamos de aquí. El enemigo te sacó del paraíso; yo te coloco no ya en el paraíso, sino en el trono celeste. Te prohibí que comieras del árbol de la vida, que no era sino imagen del verdadero árbol; yo soy el verdadero árbol, yo que soy la vida y que estoy unido a ti. Coloqué un querubín que fielmente te vigilará; ahora te concedo que el querubín, reconociendo tu dignidad, te sirva. El trono de los querubines está preparado, los portadores atentos y preparados, el tálamo construido, los alimentos prestos, se han embellecido los eternos tabernáculos y las moradas, los tesoros abiertos y el reino de los cielos que existe antes de los siglos está preparado." * * * * * «Entre os que estão aqui, alguns não conhecerão a morte Autor sírio anónimo Nosso Senhor Jesus Cristo levou Pedro, Tiago e João à montanha para lhes mostrar a glória da sua divindade e fazê-los conhecer que Ele era o Redentor de Israel, como os profetas tinham anunciado. Queria prepará-los também para que não ficassem escandalizados à vista dos sofrimentos que livremente ia suportar por nós na sua natureza humana. Com efeito, eles conheciam-no enquanto homem, mas ignoravam que fosse Deus; conheciam-no como filho de Maria, um homem que vivia com eles no mundo, mas na montanha Ele fê-los saber que era o Filho de Deus, o próprio Deus. Tinham-no visto comer e beber, trabalhar e descansar, esgotar-se e dormir, apavorar-se até às gotas de suor, tudo coisas que não parecem estar muito em harmonia com a sua natureza divina, não convir senão à sua humanidade. Foi por isso que os levou à montanha, a fim de que o Pai lhe chamasse Seu Filho e lhes mostrasse que Ele era verdadeiramente Seu Filho, e que era Deus. Levou-os à montanha e mostrou-lhes o seu Reino antes de manifestar os seus sofrimentos, o seu poder antes da sua morte, a sua glória antes dos ultrages e a sua honra antes da ignomínia. Assim, quando fosse preso e crucificado, os seus apóstolos saberiam que não o tinha sido por fraqueza mas por consentimento e de livre vontade, para a salvação do mundo. * * * * * «Porque choras? Quem procuras?» Homilia monástica anônima do século XIII, «Mulher, porque choras? Quem procuras?» No entanto, vós o conheceis bem, santos anjos, Aquele por quem ela chora e procura. Porquê reavivar as suas lágrimas trazendo-o de novo à memória? Mas Maria pode dar livre curso à sua dor e ao seu choro, pois a alegria de uma consolação inesperada se aproxima. "Ela volta-se e vê Jesus de pé, mas não o reconhece". Cena repleta de encanto e de bondade em que Aquele que é desejado e procurado se mostra e, no entanto, se esconde. Esconde-se para ser procurado com mais ardor, achado com mais alegria, agarrado com mais cuidado até ser introduzido na morada do amor, para aí permanecer para sempre (cf. Ct 3,4). Eis como a Sabedoria "conduz o seu jogo sobre a terra, ela que se compraz junto dos filhos dos homens" (Pr 8,31). "Mulher, porque choras? Quem procuras?" Tens Aquele que procuras, e ignorá-lo? Tens a verdadeira alegria eterna, e choras? Tens em ti Aquele que procuras por fora. Na realidade, estás fora, banhada em lágrimas, junto de um túmulo. O meu túmulo é o teu coração; não estou aí morto mas repouso, vivo para a eternidade. A tua alma é o meu jardim. Tinha razão ao pensar que eu era o jardineiro. Qual novo Adão, cultivo o meu paraíso e guardo-o. As tuas lágrimas, o teu amor e o teu desejo são obra minha. Possuis-me em ti sem o saber e é por isso que me procuras por fora. Vou então aparecer-te aí também para te fazer entrar em ti mesma, a fim de que encontres no interior Aquele que procuras lá fora. * * * * * «Os seus pecados, os seus muitos pecados Um autor siríaco anônimo do séc. VI, O amor de Deus, que sai em busca dos pecadores, é-nos proclamado por uma mulher pecadora, pois que chamando-a a ela, é a toda a nossa raça que Cristo convida ao amor; e na sua pessoa estavam todos os pecadores que Ele atraía ao seu perdão. Falava apenas para ela, mas convidava à Sua graça a criação inteira. Quem não seria tocado pela misericórdia de Cristo, Ele que, para salvar uma pecadora, aceitou o convite de um fariseu? Por causa daquela que estava ávida de perdão, quer ele próprio ter fome da mesa de Simão, o fariseu, mesmo que, sob a aparência de uma refeição de pão, Ele tivesse preparado à pecadora uma refeição de arrependimento. Para que seja assim, também para ti, toma consciência de que o teu pecado é grande, mas que desesperares do teu perdão porque o teu pecado te parece demasiado grande é blasfemares contra Deus e fazeres mal a ti próprio. Pois se Ele prometeu perdoar os pecados seja qual for o seu número, vais tu dizer- lhe que não podes acreditar nisso e declarar-lhe: «O meu pecado é grande demais para que mo perdoes. Não podes curar-me dos meus males»? Então, pára e grita com o profeta: « Pequei contra Ti, Senhor,» (2S 12,13). Ele responder-te-á de imediato: « Eu perdoei a tua falta; tu não morrerás». A Ele, glória seja dada por todos nós, pelos séculos dos séculos. Amém. * * * * * «Vinde a mim, vós os que sofreis» Regra do Mestre, regra monástica do século VI, S.C. nº 105 Nós percorríamos o itinerário desta vida na ignorância e na incerteza. A nossa viagem através do mundo tinha-nos feito transportar um pesado fardo de negligência pecadora... De súbito, para os lados do oriente, vislumbramos uma fonte de água viva com que não esperávamos. Enquanto nos apressávamos em sua direção, fez-se ouvir a voz de Deus exclamando: "Vós, que tendes sede, vinde às águas!" (Is 51,1). Vendo-nos aproximar, carregados com pesadas bagagens, a voz tornou a falar: "Vinde a mim, vós todos que estais cansados e carregados, e eu vos aliviarei". Quando ouvimos esta voz cheia de bondade, lançamos por terra as nossas bagagens. Impelidos pela sede, estendemo-nos no chão para avidamente beber da própria nascente; bebemos longamente e levantamo-nos renovados. Depois de nos termos posto de pé, ficamos ali, estupefatos, no excesso da nossa alegria. Olhávamos para o jugo que penosamente tínhamos transportado ao longo do caminho e as bagagens que nos tinham fatigado até à morte... Enquanto estávamos absortos nas nossas considerações, de novo ouvimos a voz que saía daquela fonte que nos tinha devolvido a vida: "Tomai o meu jugo; entrai para a minha escola, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis repouso para as vossas almas. O meu jugo é suave e o meu fardo é leve". A estas palavras, dissemo-nos uns aos outros. "Não voltemos para trás, uma vez que encontramos a vida graças a esta nascente... Não tornemos a pegar na bagagem dos nossos pecados que lançamos fora quando nos aproximamos da fonte batismal... Agora recebemos a sabedoria de Deus... Fomos convidados ao repouso pela voz do Senhor". * * * * * «Pedi e recebereis; Homilia anónima do século IV, "Presta atenção às minhas palavras, Senhor!" (Sl 5,2). Tu vieste não só por piedade para com o teu povo Israel, mas para salvar todas as nações..., não só para restaurar uma parte da terra, mas para renovar o mundo inteiro. Por isso, "presta atenção às minhas palavras, Senhor!"... Não rejeites a minha súplica como indigna; não recuses a minha oração. Eu não peço ouro nem riquezas... É desejando o amor e o respeito por ti que clamo sem cessar: "Presta atenção às minhas palavras, Senhor!" Israel gozou dos teus bens; também eu farei a experiência dos teus benefícios. Conduziste-o para fora do Egipto; retira-me a mim do erro. Resgataste-o do Faraó; liberta-me do autor do mal. Conduziste-o através do Mar Vermelho; conduz-me através da água do baptismo. Guiaste-o com a coluna de fogo; ilumina-me com o teu Espírito Santo. Israel comeu o pão dos anjos no deserto; dá-me o teu Corpo santíssimo. Ele bebeu a água do rochedo; sacia-me com o Sangue do teu lado. Israel recebeu as tábuas da Lei; grava o teu Evangelho no meu coração... "Presta atenção às minhas palavras, Senhor! Atende o meu grito!" Graças a esse grito, Moisés tornou a criação aliada do teu povo [no Mar Vermelho]; graças a esse clamor, Josué travou o curso do sol (Jos 10,12); graças a esse grito, Elias tornou estéreis as núvens do céu (1R 17,1); foi graças a esse lamento que Ana deu à luz um filho, contra toda a esperança (1Sm 1,10s). "Senhor, atende o meu grito!" Eu proclamo o poder absoluto do Pai e a mediação do Filho, o seu envio ao mundo e a sua obediência. O Pai preside desde toda a eternidade e tu "inclinaste os céus e desceste" (Sl 28,10; 17,10)... No Jordão, recebeste o seu testemunho. Chamando Lázaro para fora do túmulo, deste graças a teu Pai...; multiplicando os pães no deserto, ergueste os olhos para o céu e proferiste a bênção. Quando foste suspenso da cruz, foi Ele quem recebeu o teu espírito; quando foste depositado no túmulo, foi Ele quem te ressuscitou ao terceiro dia. Tudo isso eu clamo na minha oração; é isso que proclamo ao longo dos meus dias. * * * * * «E de onde me é dado que venha ter comigo Homilia grega do séc. IV, “Ao ouvir Isabel a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.” Assim opera a voz de Maria, enchendo Isabel do Espírito Santo. Qual fonte eterna, anuncia à prima, em sua língua profética, um rio de graças, fazendo saltar e estremecer a criança que ela traz no seio: imagem de uma dança maravilhosa! Quando Maria aparece, cumulada de graças, tudo transborda de alegria. Então, Isabel soltou um grande brado e disse: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! E de onde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?” Tu és bendita entre as mulheres. Tu és o príncipe da sua regeneração. Tu abriste-nos o acesso ao paraíso e expulsaste as nossas dores antigas. Não, depois de ti, a multidão das mulheres não mais sofrerá. As herdeiras de Eva não mais temerão a sua maldição antiga, nem as dores da maternidade. Porque Jesus Cristo, o redentor da nossa humanidade, o Salvador de toda a natureza, o Adão espiritual que cura as feridas do homem terreno, Jesus Cristo sairá das tuas entranhas sagradas. “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!” Fonte: |
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