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A Igreja através dos tempos

Parte I

té cerca de 200 anos d.C., não existiam igrejas no sentido em que hoje as compreendemos. Um dos motivos que inibiu a construção de igrejas foi o fato do cristianismo ter nascido e se desenvolvido num mundo em que a religião, o império e o patriotismo eram muito ligados. Desenvolveu-se no âmago do paganismo imperial, da religião estatal e da expressiva lealdade ao imperador.

«Igreja de Santa Sabina, Roma. Basílica do séc. V. As colunas coríntias foram de um templo pagão»

O cristão era cercado de muitas restrições e ficava praticamente excluído da vida pública dessa época. Numa cidade como Roma, por exemplo, o Capitólio dominava o Fórum, que por sua vez era circundado por templos oferecido a deuses e por todo lado erguiam-se estátuas de imperadores e deuses. O estado controlava o teatro, os jogos e cada funcionário imperial de certa forma era um sacerdote. Se já era difícil ser cristão, quanto mais construir igrejas.

Segundo o Direito Canônico, "uma igreja é um edifício sagrado dedicado ao culto divino, principalmente para que possa ser usado por todos os fiéis para o exercício público do culto". A palavra "igreja", em inglês "Church" e em alemão "Kirche", origina-se do termo grego "Kyriakon", que significa "casa do Senhor". Já a palavra latina "ecclesia" deriva-se do grego "ekklesia", que quer dizer "reunião"ou "assembléia". É nesse sentido que a palavra "igreja" é usada. Não se refere a uma construção ou edifício, mas a uma reunião de cristãos para o culto divino. Portanto a igreja (grande ou pequena), tem como objetivo básico abrigar os participantes do culto e proteger os objetos que ali são usados. Paralelamente a isso, sempre houve por parte do homem cristão a necessidade de possuir um lugar próprio para orar onde a presença de Deus pudesse ser mais sentida.

Inicialmente, as comunidades cristãs eram compostas de pessoas comuns, comerciantes sírios e judeus, e vizinhos pagãos atraídos pela nova religião.

«Santa Maria Maggiore, data do renascimento clássico sob Sixtus III. As colunas jônicas mostram estilo parecido com a igreja do lado»

Depois e muito lentamente, surgiram conversões entre as classes ricas e intelectuais. Dessa forma, os primeiros cristãos não tinham igrejas, não havia meios suficientes para pagar as construções. Eram impedidos inicialmente por carência, e depois por prudência, de construir igrejas, que nunca poderiam se assemelhar aos templos. Quando se reuniam, usavam qualquer edifício que estivesse disponível, normalmente casas comuns, emprestadas ou doadas por um converso rico. Algumas alterações eram feitas e derrubavam-se paredes para dar lugar a cômodos maiores, mas não mexiam na decoração romana ou helenística das casas.

Em torno do Mediterrâneo, nos países onde a influência romana se fazia sentir, havia três tipos de residências: a domus, ou casa particular, a villa, ou casa de campo e a insula, ou casa de cômodos com muitos apartamentos. A domus combinava características de residência romana antiga com elementos gregos. Uma espécie de "hall" de entrada ou pátio descoberto, chamado "átrio", formava a parte mais pública da casa. Os aposentos mais íntimos agrupavam-se ao redor de um pátio interno chamado "peristilo". Entre o átrio e o peristilo havia uma espécie de vestíbulo, o "tablínio", que era usado como santuário de família, adornado com estátuas e pintura dos "deuses Lares" e retratos dos antepassados. Os estudiosos acreditam que a disposição do santuário das primitivas basílicas cristãs se originasse diretamente do átrio e do tablínio. Afirmam que a pedra do altar foi adotada para o culto, com o bispo ou presbítero de pé atrás ou sentado na cadeira, ficando os fiéis de pé no átrio.

«Nova Catacumba da Via Latina, Roma - meados do séc. IV. Pinturas mostram pássaros e símbolos geométricos em volta de cenas dos Evangelhos»

A villa era uma espécie de casa de campo, sua construção seguia os padrões da casa urbana romana e tanto podia ser pequena como um chalé, como um imenso palácio. Com muitos apartamentos, na insula, que atingia até 5 andares, moravam muitas famílias e nas salas apertadas devem ter-se reunidos muitos cristãos.

Foi somente em 313 da nossa era, 10 anos depois que Deocleciano comandou a destruição de todos os lugares de culto cristão, que os católicos do Império Romano tiveram direito à liberdade de religião.

Mesmo com toda destruição, escavações arqueológicas descobriram muitas ruínas dessas "igrejas domésticas": nas ruínas de Dura Europos, cidade que se localizava depois do Eufrates superior e que foi destruída em 256, acharam uma casa que foi ocupada por uma próspera família cristã. Num quarto dos fundos foi encontrado uma espécie de batistério com sua pia bastimal e seu pálio. Uma sala grande com uma plataforma encostada em uma das paredes era usada como local de culto. Nas escavações de Aquiléia, uma antiga cidade romana perto de Veneza, foi achado um exemplo mais aperfeiçoado desse tipo de igreja. Provavelmente construída no século III, a casa no estilo "domus" foi alterada, sendo erguido um salão maior nos fundos e posteriormente, em torno de 314, foi construído outro salão, ambos de madeira com naves laterais. Outra "igreja" parecida existiu em Nicodêmia, na Ásia Menor, tendo sido destruída pela Guarda Persa de Diocleciano.

«Igreja de Sta. Maria delle Grazie, Grado - Itália, do séc. V mostrando o trono do Bispo na Abside.»

Em Óstia, o antigo porto de Roma na foz do Tibre, ainda existem as ruínas de uma dessas primitivas igrejas domésticas, datando provavelmente da época de Constantino. Estão lá um peristilo que leva a uma capela oriunda do tablínio e ainda outra capela que se abre para um amplo pátio com colunas que a separam do peristilo. Também as capelas mortuárias dos cemitérios eram usadas para o culto dos cristãos, principalmente nas épocas de perseguição, aproveitando-se da lei romana que considerava sagrados os cemitérios. As famosas Catacumbas romanas, cemitérios subterrâneos existentes em torno de Roma, ainda mostram em suas paredes os afrescos de pinturas religiosa, murais que são considerados os mais antigos exemplos da arte cristã.

Só na metade do século III, é que edifícios foram especialmente projetados e construídos para servirem de igrejas, no início ainda de forma tímida. O Edito de Milão não só devolveu as propriedades cristãs que tinham sido confiscadas, como isentou o clero de tributação e das taxas dos serviços públicos obrigatórios. O Papa Milcíades recebeu como presente de Constantino o Palácio de Latrão, cujo tribunal foi transformado em salão de culto. O palácio passou a se chamar Igreja São João de Latrão, a catedral do Salvador, da diocese de Roma.


FONTE:

Texto de Jean Lassus, professor de Sorbonne, Paris e Peter F. Anson - The New Library of Catholic Knowledge e Deptº de Teologia da PUC - RJ.

Parte II

Existem vários tipos de igrejas católicas, elas são nomeadas de acordo com a posição, caráter, dignidade ou pela finalidade para que são usadas. Basílica Maior é o título dado às quatro igrejas mais importantes de Roma: São João de Latrão, São Pedro (Vaticano), São Paulo-fora-dos-Muros e Santa Maria Maior. Às vezes a igreja de São Lourenço-fora-dos- Muros também é incluída nessa classe. É chamada de Catedral a igreja de uma diocese que possui o trono do bispo (cathedra, em latim). Essa classe de igreja pode ser dividida em patriarcais, primaciais, metropolitanas e episcopais. Pró-Catedral é uma igreja temporariamente usada como catedral até a construção da titular.

Semicatedral é a igreja sede de um abade "nullius" ou de um prelado "nullius", abades ou sacerdotes que possuem alguns dos poderes dos bispos. Igreja Abacial é o principal local de culto num mosteiro dirigido por um abade. Paroquial ou Matriz é a igreja servida por sacerdote nomeado pelo bispo que atende uma determinada área, a paróquia. O termo originou-se da palavra grega paroikia que significa "vizinhança". Conventuais, Regulares ou Religiosas são locais de culto servidos por qualquer ordem religiosa. Finalmente, a Basílica Menor é um título conferido a uma igreja por sua importância histórica, fama ou beleza.

Independente de sua posição na classificação dos tipos de igrejas, o termo "basílica" também indica um estilo de construção muito usado entre os anos 313 a 800 da Era Cristã. O Imperador Constantino mandou construir diversas igrejas, inclusive na Palestina, e essas igrejas foram planejadas exatamente da mesma forma que um típico tribunal de justiça romano (Basílica). Se nas cidades romanas a basílica era usada como prefeitura e tribunal, como igreja eram grandes salões destinados a acomodar grandes congregações.

«São Paulo-fora-dos-Muros, igreja primitiva que mantém sua forma original»

Assim, a partir do século IV, por todo o Império Romano o modelo de igreja usado era o do tribunal de justiça romano. Em alguns lugares os banhos públicos foram adaptados como locais de culto. A primitiva basílica cristã típica possui uma nave central com longas fileiras de colunas, grande parte delas aproveitadas da demolição de templos pagãos, para economizar. Possui também naves laterais e às vezes existe um "arco do "triunfo"entre a nave principal e o santuário. O altar fica separado das paredes da abside semicircular sob um baldaquino apoiado em quatro colunas. A abside é forrada com placas de mármore e às vezes coroada por uma cúpula resplandecente de mosaico com figuras religiosas.

Para ornamentar o interior das igrejas, os construtores usavam mosaico nas paredes visando criar um efeito reluzente e rico. O piso era normalmente pavimentado com lajes de mármore e a partir do século V mosaicos de vidro foram usados para os anteparos do altar, cadeira do bispo e o castiçal pascal. O efeito causado pela decoração interior é uma sensação de majestade. Além da suntuosa decoração das paredes, havia a ornamentação delicada em metais preciosos e marfim nas cruzes, patenas, cálices e outros objetos litúrgicos. Mais tarde a igreja passou a ser erguida ao redor do túmulo de um mártir, com o altar situado exatamente sobre ele.

A influência do culto dos mártires na construção de igrejas pode ser explicada tomando-se por exemplo o túmulo de São Pedro que ficava situado numa desolada colina do Vaticano que servia de cemitério. Abandonado em princípio, no século II foi construída uma simples casa tumular sobre o túmulo. Já no século IV Constantino mandou construir uma basílica sobre o túmulo do primeiro papa, mas a igreja não foi planejada para o culto eucarístico, e sim para banquetes comemorativos, chamados ágapes. Se tornou uma igreja-santuário aonde multidões de fiéis vinham rezar.

Foi o papa Gregório Magno, sumo pontífice de 590 a 604, quem replanejou a basílica, elevando o pavimento da abside e construindo um altar permanente de pedra logo acima do túmulo, além de outras alterações. Este modelo de basílica foi copiado por toda a Europa e até mesmo em locais onde não existiam nenhuns mártires. Com o tempo, a igreja que não possuía um corpo de mártir famoso, adotou o sistema de erguer-se o altar-mor sobre uma plataforma com muitos degraus, tendo embaixo uma cripta onde se colocavam as relíquias de qualquer santo que fosse possível obter. Até os posteriores altares laterais possuíam espaços vazios por baixo onde ficavam os relicários.

Algumas das mais famosas igrejas cristãs primitivas são as seguintes: São Paulo-fora-dos-Muros, Roma. Iniciada no ano 380, a basílica atual, com sua nave dotada de 80 colunas, é uma cópia exata do edifício original que foi destruído num incêndio em 1823. O arco triunfal é uma relíquia da primitiva igreja. São João de Latrão, Roma, mantém sua forma primitiva. Data de cerca de 312, sua catedral originária com cinco naves, foi reconstruída várias vezes, a última delas em 1650.

São Clemente de Roma, século IV

«São Clemente de Roma, uma das igrejas cristãs primitivas que sobreviveram.»

Consiste em duas basílicas, uma inferior e outra superior construída sobre um templo mitraísta romano. Santa Sabina, Roma, construída em 425. É uma basílica que mantêm seu aspecto original. As naves laterais são separadas por 24 colunas de mármore que sustentam arcos circulares. Santa Maria Maior, Roma, cerca de 432. A igreja ficou famosa por seus mosaicos e por suas fileiras de colunas de mármore. Santo Apolinário in Classe, Ravena (534-539). Foi erguida no lugar de um templo de Apolo pelo Imperador Justiniano. Igreja da Natividade, Belém, construída no ano 330 sobre o local do nascimento de Cristo por Constantino. Possui uma nave central e duas laterais separadas por altas colunas monolíticas. Catedral de Torcello, próximo a Veneza, foi reconstruída em 1808 mas apresenta seu interior original. Finalmente, a igreja de São Pedro de Roma, mas a original foi demolida no século XVI e substituída pela grande Basílica atual.

Outras basílicas muito parecidas como as que foram construídas na Itália, foram erguidas na Ásia Menor e Norte de África, mas todas elas foram destruídas pelos muçulmanos no século VII, depois que eles conquistaram essas regiões do antigo Império Romano.


FONTE:

Texto de Peter F. Anson - The New Library of Catholic Knowledge e Jean Lassus, professor de Sorbonne, Paris e Deptº de Teologia da PUC - RJ.

Parte III

Amaioria das igrejas do século IV localizava-se nas periferias das cidades, pois nas pequenas urbes da África e em outras partes, era praticamente impossível erigir uma grande basílica em meio à massa concentrada de construções urbanas. Até mesmo em Roma, os monumentos aos apóstolos e as "martyria" de outras cidades, foram construídas sempre em cemitérios onde os santos eram sepultados, quase sempre fora dos muros da cidade. Muitas igrejas também.

«A magnífica basílica Hagia Sophia entre os minaretes turcos. Desenhada por Antêmio de Trale e Isidoro de Mileto, é vista mostrando as meias-cúpulas dos dois lados da cúpula central»

No Oriente, onde as igrejas estavam destinadas a expressar seu próprio triunfo, os templos eram construídos preferencialmente dentro das cidades. Em Constantinopla, a igreja dos Santos Apóstolos, a igreja da Sabedoria Divina (Hagia Sophia) e a igreja da Divina Paz (Hagia Irene) foram construídas dentro da nova cidade, o que não foi difícil pois elas foram incluídas nas plantas originais. Em Antioquia ou Jerusalém, seriam necessárias grandes demolições. Na capital da Síria encontraram um terreno ideal próximo ao palácio imperial reconstruído por Diocleciano, na ilha que formava parte do centro da cidade.

Em Jerusalém o sepulcro de Cristo foi descoberto sob templos pagãos, no centro da Aelia Capitolina, a cidade que Adriano construíra no lugar de Jerusalém depois de sua destruição. A grande dificuldade era o nivelamento do solo, necessário para a construção da igreja. O sepulcro era do tipo subterrâneo, como era comum na época e foi transformado em edícula, em torno da qual seria construído o santuário.

Trabalhosas escavações rebaixaram o nível do solo em quatro metros.A rocha do Calvário, com a parte onde foi fixada a cruz, incluída no espaço do santuário se encontrava a cerca de cem metros do sepulcro.

Em Belém as modificações foram bem menores porque a Gruta da Natividade estava intacta. Um orifício aberto no teto de rocha, tipo uma janela, ocupava o centro do octógono comemorativo e servia para os peregrinos olharem para baixo e vissem a cripta natural onde se deu a Encarnação.

Quinze anos depois do Edito de Milão, que concedeu a liberdade de culto aos cristãos, a sede do governo do império foi transferida para Bizâncio, que tornou conhecida como "Nova Roma". A capital foi rebatizada como Constantinopla em homenagem ao imperador. Em seus arredores a pedra de construção era de baixa qualidade e nas construções das novas igrejas foram usados os materiais disponíveis, como a argila para tijolo e cascalho para o concreto. O mármore, que precisava ser importado, saia muito caro e só era usado na decoração dos interiores.

Após o século IV, a cúpula, de formas variadas, tornou-se característica de todas as igrejas erguidas na parte oriental do império. Havia sempre uma cúpula central e muitas vezes outras cúpulas menores agrupadas ao seu redor. Em vez de possuírem grandes salões, as igrejas se transformaram em quadrangulares compactos. O detalhe que diferenciou muito a igreja bizantina em relação aos modelos da basílica, foi a separação entre o clero e a assembléia. Quando construiu a igreja da Santa Sabedoria (Sancta Sophia), entre os anos de 532 e 537, o imperador Justiniano mandou erguer um anteparo de doze colunas colunas altas (em memória aos doze apóstolos), criando uma barreira que atravessava a igreja. Nas colunas, escudos com retratos dos santos. Logo todas as igrejas adotaram um anteparo similar que se tornou um traço marcante em todas as igrejas gregas e orientais, completamente diferente das basílicas romanas.

Depois que a Itália foi invadida pelos vândalos, gôdos e hunos, e o Império Romano deixou de existir, por volta de 476, todas as igrejas construídas depois na Itália tiveram influência do estilo bizantino.

Constantinopla tinha uma localização tão estratégica na rota comercial para o oriente, que logo se tornou a capital da cultura. Novos construtores provenientes da Ásia Menor e de outros países do Oriente, tinham tradições de construção diferentes e logo a igreja as adotou. A arquitetura bizantina tem como principal característica a forma quadrada ou multilateral das igrejas e pela cobertura com cúpulas. Mas o caráter diferente em relação às igrejas européias foi mesmo a separação entre o clero e a assembléia.


FONTE:

Texto de Peter F. Anson - The New Library of Catholic Knowledge e Jean Lassus, professor de Sorbonne, Paris e Deptº de Teologia da PUC - RJ.

Parte IV

Conforme vimos no artigo anterior, a impressão vertical, o invariável uso da cúpula e a separação entre o clero e os leigos são as principais diferenças entre uma igreja de estilo basílica e a igreja bizantina. Na decoração, as imensas paredes das igrejas bizantinas foram cobertas com mosaicos de figuras simbólicas - humanos e animais, geralmente sobre um fundo dourado, proporcionando uma rara beleza às linhas arquitetônicas simples.Também fizeram muitos entalhes nas superfícies de mármore e a maior parte da escultura bizantina em pedra era feita com broca e não cinzel.

«Catedral de São Marcos, Veneza: a mais famosa igreja bizantina do mundo»

Depois de quatro séculos de controvérsia, em 842 as estátuas foram proibidas nas igrejas de rito grego, temendo-se encorajar a idolatria. Essa regra permitiu maior campo de ação às figuras planas e ajudou mais do que qualquer outra coisa, a criar a atmosfera de um lugar de culto tipicamente bizantino, com sua majestosa decoração de superfície. As mais famosas igrejas bizantinas são:

São Vital, Ravena - Itália (526-47), construída pelo imperador Justiniano. Sua forma é octogonal, com uma cúpula sobre a nave central redonda; Santa Sophia (Igreja da Santa Sabedoria), Istambul (antiga Constantinopla) (532-7). É a maior igreja do mundo nesse estilo e foi construída para o imperador Justiniano. Seu plano é quadrado, com a cúpula central ladeada por duas cúpulas semicirculares e as galerias são apoiadas sobre mais de cem colunas de mármore. Depois de ser transformada em mesquita, agora é um museu.

«Igreja anglo-saxônica em Brixworth - Inglaterra»

Santa Irene, Instambul (740). Originalmente construída por Constantino, foi destruída e depois reconstruída. Possui o plano típico da basílica de naves laterais e centrais, embora tenha uma cúpula central; São Teodoro (Istambul) (1100). Uma igreja bizantina quase perfeita tanto nos planos como nos ornamentos; Pequena Catedral da Metrópole, Atenas - Grécia (1250).Esta é a menor catedral do mundo, mede 11,5 por 8,5 metros. Possui cúpula e demais características bizantinas; São Marcos, Veneza (1042-85). Uma típica igreja bizantina transplantada para a Itália Setentrional. Possui plano de cruz grega e cinco cúpulas quase do mesmo tamanho, todo o seu interior coberto por decorações de mármore e mosaico; São Fronto, Périgueux, França (1120). É uma cópia livre da igreja de São Marcos, mostrando que a influência Bizantina se difundiu por toda a Europa Ocidental. Na Rússia todas as famosas igrejas bizantinas são uma evolução nativa desse estilo de construção, que culminou com a igreja de São Basílio, em Moscou, com suas oito magníficas torres bulbiformes.

Igrejas primitivas da Europa Setentrional

«Oratório de Gallerus - Irlanda, mostra o antigo estilo "colmeia" de construção»

Na Gália, uma província do Império Romano, foram construídas pequenas igrejas do tipo basílica durante o século IV. Embora existam descrições, nenhuma das grandes igrejas sobreviveu. Havia uma em Tours, em 475, que tinha cento e vinte colunas e 48 metros de comprimento e uma outra em Clermont-Ferrand com naves laterais e transeptos. Em Silchester, na Inglaterra, escavações mostraram as ruínas de uma basílica romana do século IV. Mas é em Kent que são encontradas as mais antigas igrejas cristãs da Inglaterra, todas elas de uma época posterior à de Santo Agostinho, vindo de Roma em 597. Em Greenstead existe uma que foi construída com as paredes de troncos de carvalho cortados ao comprido. A mais completa igreja saxônia na Inglaterra é a de São Lourenço, em Bradford-on-Avon. Ela possui uma nave e coro com um grande pórtico nos lados norte e sul. As arcadas de pedra sugerem que a remota inspiração provém de algumas igrejas do século VI em Ravena. Um pouco maior é a igreja saxônica de Brixworth, que data do fim do século VII, projetada com tijolos romanos. Outras igrejas do norte da Inglaterra, de Hexham, Nortúmbria, Monkwearmouth e Jarrow, fundadas em 674 e 685, foram destruídas quando os daneses invadiram o país. A Irlanda teve poucas igrejas cristãs construídas entre o século VI e a conquista inglesa em 1169-72. Mas a exemplo do que aconteceu na Inglaterra, a maioria foi destruída pelo fogo. As pequenas igrejas de pedra que sobreviveram, são pequenas e parecem oratórios.

Parte V

O Vaticano e a Basílica de São Pedro

Antes de apreciarmos as magníficas obras de arte e as grandes memórias sagradas encontradas nos Museus do Vaticano, devemos destacar a Cidade do Vaticano em seu conjunto, ou seja, o menor Estado do mundo (0,44 Km), que ocupa a homônima colina, entre Monte Mário e o Gianicolo. No mesmo lugar onde o imperador Calígula tinha mandado construir um circo e onde São Pedro foi supliciado em 67 d.C., surgiu uma basílica, a mais importante de toda a cristandade.

«A Guarda Suíça, cuja instituição remonta a Júlio II, em 1505. Seu uniforme, idêntico há quase cinco séculos, foi atribuído a um desenho de Michelangelo»

Na Idade Média foi constituído o Estado do Vaticano, que se estendeu a grande parte da Itália Central. Cancelado pela unidade italiana em 1870, o Estado reconstituiu-se nas atuais dimensões em 1929, sancionado pelos Pactos Lateranenses entre a Santa Sé e a Itália. O Estado do Vaticano tem sua própria polícia, diplomacia e exército, incluindo-se a famosa Guarda Suíça, cuja instituição remonta a Júlio II, em 1505. Originalmente, esta guarda pessoal do Papa era formada por duzentos suíços. Seu encantador uniforme, idêntico há quase cinco séculos, foi atribuído a um desenho de Michelangelo.

Praça de São Pedro

A Praça São Pedro, centro milenar da cristandade, rico em fascínio artístico e religioso, é também um imenso espaço harmoniosamente aberto sob o céu, uma elipse perfeita com largura de duzentos e quarenta metros. O local é cercado pelo majestoso Colunado de Bernini, constituído por duzentas e oitenta e quatro colunas dóricas em quatro filas e encimado por cento e quarenta estátuas de Santos Mártires. Duas grandes fontes, a de Maderno e a de Bernini, encontram-se aos lados; e ao centro, surge o grande Obelisco egípcio, ali colocado em 1586, e em cujo topo está conservada uma relíquia da Cruz.

Algumas curiosidades para o visitante desta praça: parando num ponto preciso indicado sobre o calçamento entre as duas fontes, pode-se ter uma perspectiva curiosa e insólita: as 284 colunas alinham-se perfeitamente ao olho, mostrando apenas o primeiro colunado. Outra curiosidade para quem olha é que à direita da Basílica estão os palácios apostólicos, entre os quais se distingue a parte externa da Capela Sistina. Sobre seu teto triangular, pode-se reconhecer a famosa chaminé de onde sai a fumaça branca que anuncia a eleição de um novo Papa.

A Basílica de São Pedro

«A praça São Pedro e a Basílica de São Pedro, no Vaticano»

Antigamente, neste local havia o circo de Nero, mas também foi onde São Pedro sofreu o martírio e o primeiro dos apóstolos foi enterrado. Por esta razão o Imperador Constantino, que se tinha convertido, mandou construir neste ponto uma basílica ao redor da qual o Papa Simaco, em 500, construiu a primeira residência episcopal.

Durante séculos o bairro cresceu. Depois da Missa de Natal do ano 800, foi aqui, sobre o túmulo de Pedro, e não na então Catedral de Roma, São João Latrão, que Leão II coroou Carlos Magno Imperador. Em 1377 os Papas, ao regressarem do exílio de Avignon, aqui se instalaram definitivamente com a Cúria, até que Júlio II decidiu construir, no lugar da Basílica de Constantino, já ameaçada de desmoronamento, uma nova e grandiosa igreja, confiando suas obras - iniciadas em 1506, mas que prosseguiram por um século e meio - ao arquiteto Bramante.

Sobre o túmulo do apóstolo São Pedro, começou a se erguer em Roma, no século XVI, a maior e mais suntuosa igreja do mundo. Os melhores arquitetos e os artistas mais famosos da Itália trabalharam durante 120 anos para concluírem a Catedral de São Pedro do Vaticano. Os trabalhos começaram em 1452 por ordem do Papa Nicolau, que encomendou o projeto a Bernardo Rosselino. Com a morte do Papa, três anos depois, os trabalhos foram interrompidos e durante cinqüenta nada se construiu.

Na época de Júlio II, uma estátua de David, colocada em frente ao Palazzo Vecchio de Florença, causou muita sensação. O jovem escultor chamava-se Michelangelo e foi chamado por Júlio II para construir-lhe um túmulo, em local a ser escolhido. Michelangelo propôs erguer a capela funerária sobre os muros do templo inacabado e com isso o Papa recordou-se dos planos de construção da igreja e decidiu recomeçar as obras. Entre vários projetos, escolheu o de Bramante e os trabalhos começaram em 18 de abril de 1506.

«O Editor de «A Relíquia» (site de onde este texto foi copiado) em frente à Basílica de São Pedro, no Vaticano»

O projeto de Bramante previa uma igreja em forma de cruz grega, de braços iguais. Sobre o centro deveria erguer-se uma cúpula principal gigantesca e para os quatro braços da cruz estavam previstas cúpulas menores. Mas o arquiteto morreu em 1514 e seus sucessores, Rafael, Fra Giocondo de Verona e Giuliano de Sangallo, modificaram o projeto original. Com a morte de Bramante, Rafael assumiu a direção das obras, continuadas mais tarde por Antonio de Sangallo o Jovem, até 1546.

Michelangelo, a quem o Papa Paulo III entregou o comando das obras, regressou à forma de cruz grega e deu uma contribuição importante ao projeto: a luminosa cúpula que parece flutuar no ar sobre o altar-mor.

Em 1606 o Papa Paulo V determinou que se voltasse à forma de cruz latina. Foi quando Carlos Maderna construiu a nave mais comprida da catedral e a fachada barroca, acrescentando três capelas de cada lado. Bernini, o mais genial arquiteto do barroco, sucedeu Maderna e, depois da consagração do templo, em 18 de novembro de 1626, terminou a construção do edifício e de tudo o que o rodeia. Foi de Bernini o projeto do tabernáculo de 29 metros de altura sobre o altar-mor, assim como as magníficas colunatas.

A superfície do maior templo do mundo é de 15.160 metros quadrados. A cúpula mede 153 metros até o alto da cruz, sendo suportada por quatro pilares de 71 metros de diâmetro cada. "Para o espectador imparcial, a impressão de conjunto dada por todas as naves, com suas proporções equilibradas, seus efeitos de perspectiva, as cores e suas ondas de luz, é fascinante". De qualquer forma, uma catedral como a de São Pedro, com suas proporções colossais e decoração maravilhosa, não pode ser descrita assim tão facilmente.

A suprema coroação de São Pedro é a maravilhosa cúpula no estilo de Michelangelo, visível de todas as partes da cidade. Ela apóia-se sobre um tambor ritmado de janelas atravessadas por elegantes frontões alternados entre arqueados e triangulares, separados por colunas geminadas. Pode-se chegar até a cúpula, de onde se aprecia uma extraordinária vista de Roma - subindo 537 degraus, ou usando o elevador.

São cinco as portas que dão acesso à Basílica: a última a direita é a Porta Santa, que se abre somente nas festas do Ano Santo; maravilhosa é a porta mediana e quatrocentista, chamada Porta do Filarete; a última à esquerda é a recentíssima Porta da Morte (1964) realizada por Giacomo Manzù para o papa João XXIII.

Interior da Basílica

Encontramo-nos na sublime e harmônica grandiosidade do maior templo cristão do mundo, cujo comprimento total equivale a 210 metros (136 metros de altura da cúpula). Uma idéia concreta de tamanha grandeza se obtém se considerarmos que os anjinhos aqui presentes têm a dimensão superior à de um homem, enquanto que o imenso baldaquim central tem a mesma altura de um palácio romano.

São muitas as coisas a serem vistas, mas o visitante deve se concentrar em duas realizações maiores: a Pietà de Michelangelo, esculpida pelo artista quando estava por completar vinte e cinco anos, para o jubileu de 1500. É a única obra assinada pelo artista, cujo nome está inciso na faixa sobre o peito da Virgem. A obra, de grande beleza, é muito diferente das trágicas Pietàs esculpidas mais tarde por Miguel Ângelo; nela a Virgem está retratada de modo insólito, em idade quase adolescente.

A segunda é o Baldaquim de bronze de Bernini, além da bela e venerada estátua de São Pedro. Quanto ao Baldaquim gigante, é sustentado por colunas em espiral, fundidas utilizando os ornamentos de bronze do Panteão e foi colocado por Bernini no altar papal exatamente sobre o Túmulo de São Pedro (1624-1633). O hemiciclo, com balaustrada, mantém acesas perenemente as 99 lâmpadas que iluminam o túmulo.

«À esquerda, Giulio Romano e Rafael - Incêndio no Burgo, afresco em luneta; 6,70m na base; Acima, Fra Angélico (1387-1455) »

Anos mais tarde, Alexandre VII encarregou Bernini mais uma vez de arranjar a abside, e o artista realizou a Cadeira de São Pedro, trono-relicário em bronze dourado e grande maquinação barroca para proteger o trono lígnio, considerado a verdadeira cadeira de São Pedro. Sobre o trono há uma Glória Radiante e pela Pomba do Espírito Santo, além de inúmeras figuras de estuque dourado. De ambos lados estão os maravilhosos monumentos fúnebres O Túmulo de Paulo II (1575, de Guglielmo Della Porta) e O Túmulo de Urbano VIII (1647, de Bernini).

Nos pilares da cúpula, por fim, quatro estátuas de Santos, entre os quais São Longino, do próprio Bernini, que traz na mão a lança que trespassou o corpo de Cristo. A visita à Basílica pode terminar na Sacristia e no Museu do Tesouro de São Pedro, onde estão o precioso Cibório de Donatello e o Túmulo de Sisto IV, obra-prima quatrocentista, de Antonio Del Pollaiolo. E enfim, a visita às Grutas Vaticanas (acesso através de um pilar da cúpula) onde, junto aos restos da antiga Basílica de Constantino, encontram-se os túmulos de vários pontífices.

Museus do Vaticano

«Ânfora com Figuras Negras representando Aquiles e Ajax Jogando Dados» (Museu Gregoriano - Etrusco)

Os Palácios Vaticanos, um imenso bloco de construções com mais de 1400 ambientes, hospedam os Museus do Vaticano. É um conjunto de galerias, monumentos e museus pontifícios de grande importância para a humanidade, não só pela preciosidade e qualidade das obras, como pelo cenário que foram criados para preservá-las.

A história dos edifícios que abrigam os museus e que incluem aposentos e capelas decorados, é muito complicada, pois desde o século XV até os dias de hoje, as atividades de construção nunca cessaram. O imenso conjunto nasceu com a reconstrução da Basílica de São Pedro¹, pois até então as acomodações do Vaticano eram insignificantes. Coube ao papa Nicolau V a primeira reorganização dos palácios e galerias.

Enquanto o Museu Pio Clementino e o Museu Chiaromonti conservam uma coleção de antiguidades considerada a mais notável do mundo, as 18 salas da Pinacoteca Vaticana guardam as grandes obras-primas da pintura italiana e européia. Como se ainda não bastasse, existem outros museus, como o Gregoriano-Etrusco, os aposentos dos Borgias, as Stanze de Rafael e a Magnífica Capela Sistina². Uma semana seria o mínimo necessário para se conhecer (quase) tudo.

Os Museus do Vaticano se originaram das coleções particulares do Cardeal Giuliano della Rovere, que as trouxe para o Palácio Apostólico quando foi eleito papa (1503-1513) e tomou o nome de Júlio II. Ele exibiu as peças no Jardim Belvedere, construído por Inocêncio VIII (1482-1492).

«Cenas das Vidas de Santo Estevão e São Lourenço» - Detalhe de Santo Estevão pregando. Afresco; 2,69 x 2,00m. e acima à dir. Exéquias

Típico do humanismo, este acervo foi enriquecido pela disposição e generosidade dos papas Leão X (1513-1521), Clemente VII (1523-1534) e Paulo III (1534-1550). No Jardim das Estátuas, como também ficou conhecido o museu de Júlio II, destacavam-se esculturas maravilhosas da Antiguidade como O Apolo do Belvedere, o Torso, representação talvez de Hércules (séc. I a.C.); o Laocoonte, que representa o sacerdote troiano com os filhos atacado pelas serpentes porque havia desconfiado dos troianos que queriam receber o cavalo de madeira; e o Tibre e o Nilo. Mas foi o papa Sisto IV (1471-1484), quem construiu o primeiro museu da Europa, na Colina Capitolina, em Roma. A Idade Média conseguiu transmitir a herança espiritual, política e jurídica do mundo clássico ocidental, anterior à vinda de Cristo. A igreja teve o mérito de reconhecer o eterno valor desta preciosa herança escrita, à qual os papas do Renascimento acrescentaram o valor das artes figurativas, criando museus ao lado de bibliotecas.

Foi somente no século XVIII, influenciado por Winckelmann na arqueologia e por Lanzi na história da arte, que o papa Bento XIV (1740-1758) concluiu o projeto de Clemente XI (1700-1721), fundando o Museu Sacro da Biblioteca do Vaticano, onde são preservados objetos de arte menor medieval, mas de inestimável valor artístico e histórico. Entre as preciosidades, o Relicário da Verdadeira Cruz (séc. X), da Sancta Sanctorum de Latrão; um ícone do século XI representando São João Crisóstomo; relicários de esmalte de Limoges, que datam do século XIII ao século XVI e o Díptico de Rambona do século IX.

«O Casamento Aldobrandini», afresco da 1ª metade so séc. I a.C. - arte Ática tardia do período Júlio-Claudiano. Alt. 91,5cm; Comp. 242 cm

Clemente XIII (1758-1769), sucessor de Bento XIV, acrescentou à Biblioteca do Vaticano o Museu Profano, que é destinado às artes menores da Antiguidade, mas que também guardam relíquias da pintura clássica romana, tais como os afrescos que ilustram episódios da Odisséia de Homero e a pintura do chamado Casamento Aldobrandini, ambos da época de Augusto (séc. I d.C.). Mais recentemente transformaram em museu o Salone Sistino, construído por Sisto V (1585-1590) para servir de novo salão de leituras da biblioteca, onde ficam expostos seus mais valiosos tesouros como o Rolo de Josué, pintura miniaturista bizantina (sécs. VII / VIII); dois Códices de Virgílio (sécs. IV e V), entre outros manuscritos preciosos.

Segundo o Superintendente dos Museus do Vaticano, o conjunto dos museus tornou-se realmente magnífico com a criação do Museu Pio-Clementino para abrigar várias obras famosas, entre elas a Ariadne Adormecida (séc. II a.C.), o original do Laocoonte, restaurado por F. Magi, que identificou o trabalho como sendo do século II a.C.; a Vênus de Cnido e a Vênus Banhando-se, cópia de uma escultura de Doidalses, do século II a.C. O papa Gregório XVI (1831-1846) criou o Museu Gregoriano-Etrusco, onde estão preservados verdadeiros tesouros, como a ânfora de Exéquias, obra prima de um dos melhores pintores atenienses de vasos do século II a.C., representando Aquiles e Ájax Jogando Dados; o grande broche oriental do século VII a.C. e o Acroterion do século V a.C.

«Rafael - A Escola de Atenas - Stanza della Segnatura». Afresco em luneta; 7,70 cm na base

A Pinacoteca Vaticana foi criada por Pio VI (1775-1799), quando os franceses, obedecendo ao Tratado de Tolentino, devolveram as obras de arte que haviam levado para Paris. Na pinacoteca o visitante pode percorrer a arte italiana, século por século, a começar pelo Políptico Stefaneschi, realizado por Giotto em 1300, até o magnífico Anjo Músico de Melozzo de Forli. A pintura mais antiga e rara está na primeira sala: representa o Juízo Final e é assinada pelos artistas Johannes e Nicolaus, que viveram no final do século XI e início do XII. Na pinacoteca não faltam obras maravilhosas, como o medalhão da Virgem com o Menino, de Pinturicchio e o São Benedito, de Perugino (1459); a Madona e o Menino, de Vitale de Bologna; a dramática Crucificação de Niccolò Alunno; Santa Catarina e a Madona e o Menino no Trono de São Domingos, ambos de Fra Angélico; a Madona no Trono com Santos, de Pietro Perugino, etc. No salão inteiramente destinado a Rafael, podem ser apreciados a Coroação da Virgem, a Madona de Foligno (1512) e a Transfiguração, entre outros trabalhos do artista. Outros tesouros do Vaticano são o São Jerônimo, de Leonardo da Vinci; a Deposição de Cristo, obra-prima de Caravaggio (1604); uma Pietá de João Bellini e obras de Van Dyck, Poussin, Pedro de Cortona, Ticiano, etc.

«Johannes e Nicolaus, Roma, séc. XI - Juízo Final, tela sobre madeira, 2,90 x 2,41m. Pintura mais antiga e rara da Pinacoteca Vaticana»

As Salas (Stanze) de Rafael foram encomendadas ao artista pelo papa Júlio II, que quis completar a decoração dos seus apartamentos, interrompida há muito por Signorelli e Pietro della Francesca. Entregou o trabalho ao jovem pintor, que iria então se colocar ao lado dos grandes Leonardo e Miguel Ângelo. A mais bela das quatro salas pintadas com frescos por Rafael é com certeza a Sala das Assinaturas, onde ele compôs altas reflexões e alegorias teológico-filosóficas e políticas. Nasceu antão a Disputa do Sacramento, grande afresco de simbologia religiosa; O Parnaso, pintura com Apolo que toca entre as Musas e uma multidão de poetas entre os quais Alceu, Petrarca e Ênio, e mais afastada Safo, além de um grupo onde estavam Dante, Homero e Virgílio. Talvez o mais famoso fresco de Rafael seja o chamado A Escola de Atenas, grande alegoria da filo antiga que antecipa e prepara o Cristianismo. A seguir vem a Sala do Incêndio de Borgo, assim chamada por causa da pintura que representa o papa Leão VI apagando milagrosamente um incêndio. Por último a Sala de Constantino e a Sala de Heliodoro, onde Rafael realizou um seu auto-retrato, ao lado da poltrona do papa, no contexto do afresco a Expulsão de Heliodoro do Templo.

Talvez o mais famoso fresco de Rafael seja o chamado A Escola de Atenas, grande alegoria da filo antiga que antecipa e prepara o Cristianismo. A seguir vem a Sala do Incêndio de Borgo, assim chamada por causa da pintura que representa o papa Leão VI apagando milagrosamente um incêndio. Por último a Sala de Constantino e a Sala de Heliodoro, onde Rafael realizou um seu auto-retrato, ao lado da poltrona do papa, no contexto do afresco a Expulsão de Heliodoro do Templo.

Parte VI

Igrejas da Renascença

No começo do século XV começou uma grande mudança no planejamento e construção de igrejas, dentro do estilo Renascentista, cuja influência se fez sentir em todo o mundo católico há até poucos anos atrás.

Paralelamente ao movimento do Renascimento, acontece o protestantismo na Alemanha, Suíça e outros países europeus. Estes dois movimentos, embora opostos, contribuíram para destruir a expressão exterior do catolicismo medieval nas igrejas, no ritual e no cerimonial.

Apenas a Europa oriental, que caiu sob o domínio mulçumano após o século XV, não foi afetada na construção das novas igrejas. Por ser uma revolta contra o pensamento da era anterior, a arte renascentista aplicada na construção de igrejas resultou em um afastamento completo do plano medieval típico.

«A praça São Pedro e a Basílica de São Pedro, no Vaticano»

A construção da Basílica de São Pedro (veja edição anterior de A RELÍQUIA), afetou o planejamento das igrejas católicas mais do que qualquer outro edifício Renascentista. O plano de cruz latina, com o altar-mor situado diretamente sob a cúpula central, foi um afastamento completo da catedral gótica. Ao contrário desta, a nova Basílica de São Pedro não tinha anteparos isolando o clero dos civis.

A igreja do Gesù (Jesus), em Roma (1568-84), projetada por Vignola para os jesuítas, serviu de modelo para inúmeras igrejas na Europa e na América Latina, inclusive no Brasil colonial. Basicamente a Igreja de Jesus é uma miniatura da basílica de São Pedro, com a diferença que seu altar-mor está situado na extremidade da abside leste, e não diretamente sobre a cúpula. Como todas as igrejas renascentistas, esta também não tinha o longo coro e os compridos assentos medievais.

A principal diferença entre o interior de uma igreja no estilo gótico e uma igreja renascentista, são os grandes espaços vazios e a ausência de anteparos. As igrejas medievais eram normalmente divididas em recintos, limitando o acesso do povo nos altares e coro.

O gigantismo do interior da Basílica de São Pedro é muito apropriado para as grandes cerimônias papais

«Sensação de espaço e tranqüilidade na Igreja de San Giorgio Maggiore, em Veneza»

É valido dizer que a maioria das igrejas renascentistas foi planejada segundo as linhas de um teatro, com o objetivo de permitir que um maior números de fiéis vejam o "palco", ou seja, o altar-mor. O novo tipo de igreja, inspirado nos templos pagãos, era ideal para levar a religião às massas. A certeza de que já se transformara no estilo aceito de construção foi ajudado pela publicação em Roma, de "Os Dez Livros da Arquitetura", de Vitrúvio, escrito no 1º século a.C. Entretanto, não se pode esquecer que os arquitetos do início da renascença tiraram proveito do progresso gótico em engenharia, que lhes permitiram resolver problemas de cobertura de espaços. Em 1530 o estilo renascentista se transformara em algo totalmente novo, baseado nos princípios clássicos. Ao contrário da bizantina, românica e gótica, não tinha interesse estruturais, buscando mais um sistema decorativo.

Na metade do século XVI, o período conhecido como "Alta Renascença" atingiu a perfeição, mostrando solenidade e grandeza antes desconhecidas. A arquitetura do início deste período era delicada e graciosa; a da Alta Renascença é arrojada e esplêndida. Os arquitetos ficaram tão seguros de si mesmos, que podiam até mesmo dar-se ao luxo de romper as rígidas leis dos estilos clássicos puros, empregando-os como queriam, de modo que foi criado o estilo "Maneirismo" ou Proto-Barrôca.


FONTE:

Texto de Peter F. Anson - The New Library of Catholic Knowledge e Jean Lassus, professor de Sorbonne, Paris e Deptº de Teologia da PUC - RJ.

Parte VII

Igrejas Góticas

«Catedral de Sevilha, na Espanha»

Quem primeiro usou o termo "gótico" foi Vasari (1511-74), referindo-se à arquitetura do final da Idade Média, considerada uma evolução do estilo românico. Também Sir Christopher Wren, no século XVII, usou o mesmo termo para expressar sua reprovação ao estilo que era considerado como bárbaro e selvagem, porque muito se diferencia da "pureza" clássica da construção grega e romana.

A arquitetura Gótica caracteriza-se principalmente pelo uso de ogivas, motivo pelo qual ficou conhecida também como "estilo ogival". Experiências feitas por canteiros levaram à construção de esqueletos de igrejas com pilastras, contrafortes, arcos e abóbadas nervuradas, tudo seguro por uma combinação equilibrada de forças verticais e oblíquas. As paredes passaram a não sustentar peso como nas igrejas românicas, tendo a finalidade de ser base para grandes vitrais interrompidos por pilares.

«Catedral de Siena, na Itália»

As características especiais da arquitetura gótica foram determinadas pela utilidade estrutural que dava aos artistas a liberdade de fazer esculturas, decorar paredes e elaborar os vitrais. Os ideais românicos tornaram-se realidade por construtores brilhantes que gradativamente transformaram as paredes maciças e os pesados arcos em refinadas linhas verticais. Se as igrejas românicas eram sólidas e presas à terra, as góticas passaram a ser leves e altaneiras.

As catedrais tornaram-se maiores e mais grandiosas, na Inglaterra expressando sua magnificência pelo comprimento e pela largura, enquanto na França as construções tentavam alcançar o céu.

A típica catedral medieval dominava a cidade com seu volume e altura, caracterizando a religião católica e o poder e riqueza dos bispos, abades e do clero. Algumas levaram séculos para ser construídas, como a Catedral de Colônia, iniciada em 1248 e concluída em 1880. Uma das características desse tipo de igreja da Idade Média, diz respeito aos interiores, que eram muito menos livres e abertos do que atualmente. Eram tantos os compartimentos que separavam os religiosos e o coro dos leigos, que é impossível imaginarmos como eram realmente esses edifícios por dentro, pois atualmente só nos restam as estruturas básicas das construções. As catedrais, abadias, igrejas colegiadas e paroquiais góticas não são apenas obras de arte, mas edifícios projetados para culto público e privado.

«Vista da Catedral de Ely, também na Inglaterra, típica igreja medieval dominando a cidade»

Algumas das características das igrejas góticas são, primeiro, o plano cruciforme quase sempre usado. As igrejas maiores tinham uma nave central longa e outras laterais. Depois as paredes, que eram cada vez mais perfuradas por janelas e arcos. As aberturas, portas, janelas e outras, eram encimadas por ogivas, a principal característica da arquitetura gótica. Os tetos ogivais das naves eram construídos numa altura muito maior do que os arcos semicirculares românicos. Os tetos de pedra abobadados eram formados por dois arcos que se cruzavam em ângulo reto. Em vez da maciça coluna românica, as pilastras da igreja gótica eram compostas de várias colunas finas, agrupadas, que dão maior força e elasticidade. Com relação aos ornamentos, essas igrejas estavam repletas de entalhes, as linhas simples abrandadas por formas esculpidas de folhas e flores. As grandes portas e parte das fachadas das catedrais eram cobertas por fileiras de estátuas, enquanto faces grotescas e gárgulas eram esculpidos nas almofadas e nos tetos. As imagens eram muito coloridas e às vezes murais ornamentavam as paredes, com quadros pintados apenas nos retábulos dos altares. As janelas eram rendilhadas de pedra e tapadas com vitrais magnificamente coloridos.

«Os anteparos do coro da Catedral de Cantuária, na Inglaterra»

No exterior se destacava uma torre quadrada e maciça sobre o cruzamento, onde a nave e os transeptos se uniam. Muitas vezes duas torres eram acrescentadas sobre a entrada do oeste e freqüentemente eram aumentadas com delicadas agulhas de se dirigiam ao céu.

Algumas das igrejas góticas mais famosas do mundo: Catedral de Milão (1385-1485), Catedral de Florença (1296-1462), Santa Maria dei Frari em Veneza (1250-1338), São Francisco em Assis, Catedral de Santiago de Compostela (1077-1128), Catedral de Toledo (1227-1493), Catedral de Barcelona (1298-1448), Mosteiros dos Jerônimos em Portugal (1499), Notre Dame ( Paris, 1163-1260), Catedral de Lê Mans (1217), Catedral de Chartres (1194), Catedral de Colônia (1248-1880), Catedral de Lubeck (1173-1335), Santo Estevão (Viena, 1300-1510) e Abadia de Westminster, Catedral de Salisbury, Catedral de Worchester, Catedral de Bristol, estas últimas na Inglaterra.


FONTE:

Texto de Peter F. Anson - The New Library of Catholic Knowledge e Jean Lassus, professor de Sorbonne, Paris e Deptº de Teologia da PUC - RJ.

Parte VIII

Estilos Barroco e Rococó

O estilo barroco na construção de igrejas surgiu como um desenvolvimento do estilo renascentista que alcançou seu apogeu na metade do século XVIII. A palavra "barroco" originalmente significava qualquer coisa "estranha" ou "maneirista", algo artificial que é incluído em determinados padrões estéticos. Esse novo estilo de construção chocou os puristas que acreditavam que toda arquitetura deveria harmonizar-se com as regras fixadas por Vitrúvio, um século antes de Cristo. Toda construção barroca visava criar um efeito espantoso para ser notada.

«O estilo rococó de Klosterkirche em Birnau Bodensee»

Quem projetou a primeira igreja ovalada, a "S. Carlo alle Quatro Fontane" (Roma, 1638-41), foi o arquiteto napolitano Giovanni Lorenzo Borromini. Ele tentou criar uma pequena igreja, na qual o olhar dos fiéis pudesse abarcar todo o interior sem nenhum esforço. O exterior possui colunas assentadas em curvas convexas e côncavas, a estrutura inteira perece oscilar e torcer-se.

Inúmeras variações sobre o tema do plano oval (uma das características da igreja barroca), desenvolveu-se na Itália e depois por toda a Europa, especialmente Alemanha e Áustria. Se até então as igrejas transmitiam o efeito de se apoiar solidamente ao chão, mesmo se tentassem alcançar os céus, como as catedrais góticas, agora elas visavam dar uma impressão de movimento no espaço. Muitas igrejas barrocas obtinham seus efeitos interiores através de perspectivas falsas ou ilusão de ótica. O efeito desejado era obtido com pedra, mármore, estuque, gesso, pintura, folhas de prata, de ouro e de estanho. A disposição tradicional da nave, do altar e do coro foi abandonada.

Em geral os exteriores das igrejas barrocas não são tão ricamente decorados como os interiores. Projetadas para criar um efeito dramático, eram concebidas mais como um grupo de esculturas ou como pintura viva, tomando-se o maior cuidado para dirigir a iluminação interior. As ordens clássicas eram misturadas e às vezes superpostas, usadas em grupo no reboco das paredes ou ligadas em aglomerados soltos. Pesadas curvas, conhecidas como volutas, muitas vezes formavam as extremidades dos frisos ou cornijas.

O arquiteto barroco fazia o impossível para eliminar quaisquer linhas retas ou superfícies planas. O importante era introduzir o máximo de linhas sinuosas ou curvas, dando-se formas arredondadas às paredes. Arquitetos como Bernini e Borromini, se realizaram ao empregarem todas as artes em suas igrejas, transformando-as no que se poderia chamar de obras de arte totais. Reuniram efeitos arquitetônicos, pictóricos e esculturais para obterem uma maravilhosa unidade.

«O excepcional altar-mor de Vierzehnheiligen»

A perfeição final da arquitetura barroca atingiu sua perfeição final na Alemanha e na Áustria, onde se tornou conhecida como Rococó (do francês rocaille-coquille - rochedo-e-concha). Nenhum período da história pode mostrar tantas igrejas suntuosas e enfeitadas como algumas construídas na Baviera durante o século XVIII. A igreja abacial em Rohr (1718-25), em vez de altar-mor, possui uma composição que consiste em figuras em tamanho natural dos apóstolos, em atitude contorcida em torno de um imenso sarcófago, com a virgem suspensa no ar sobre eles, subindo ao céu, sustentada por anjos, pra ser recebida numa glória de querubins e nuvens de estuque. Emocionante também é o santuário de Vierzehnheiligen (1743-72), cujo fantástico altar, situado no meio da igreja, é descrito como "metade recife de coral e metade cadeirinha de fadas". "Somente um gênio poderia criar a unidade e harmonia do caos" que são os interiores das igrejas abaciais beneditinas de Ottobeuren (1737) e Zweifalten (1738)

A arquitetura barroca tornou-se moda na Espanha durante o século XVIII, mas tendia a ser maciça e pesada quando comparada às da Alemanha e Áustria. O melhor exemplo do barroco espanhol é o chamado "transparente" na Catedral de Toledo (1732). Da Espanha a arquitetura barroca foi transplantada para as Américas Central e do Sul, onde se desenvolveu com novas diretrizes, de acordo com o clima, do material e da mão-de-obra disponível. A igreja construída no Brasil durante o século XVIII possui grande afinidade com o rococó da Europa Central.


FONTE:

Texto de Peter F. Anson - The New Library of Catholic Knowledge e Jean Lassus, professor de Sorbonne, Paris e Deptº de Teologia da PUC - RJ.

Parte IX

Neogótico e outros estilos

«Santuário Nacional da Imaculada Conceição, em Washingtom, D.C. estilo Neobizantino-Românico»

Em torno de 1830, os arquitetos adeptos do estilo Clássico travaram uma guerra que durou cem anos com os adeptos do estilo Gótico, e que ficou conhecida como a "Batalha dos Estilos". Os primeiros defendiam os estilos renascentistas, que os outros consideravam pagãos, resolvendo jamais desistir de lutar até que o estilo gótico triunfasse.

Essa guerra de "prancheta" se acirrou nas décadas de 1850 e 1860, mesma época da Guerra da Criméia e da Guerra Civil Americana. Os arquitetos clássicos e os da Renovação Gótica, bateram-se até as duas primeiras décadas do século passado, principalmente no Reino Unido e nos Estados Unidos da América, cada grupo querendo se impor quando se queria construir uma nova igreja.

Famosos arquitetos e artistas da França, Grã Bretanha e Alemanha haviam aberto o caminho para a renovação da arte gótica, mas foi um inglês, Pugin (1812-52), quem começou a prolongada batalha. Católico fervoroso, escreveu nos livros que publicou que somente sob arcos ogivais se poderia adorar Deus. Projetou igrejas por toda a Inglaterra e Irlanda, sempre imitando os edifícios da Idade Média. Seus discípulos procuraram manter os mesmos rígidos princípios fixados por ele.

No século XV houve forte reação contra a arte gótica, as elites cultas queriam acompanhar as últimas modas e adotaram os estilos pagãos greco-romanos nas novas igrejas. Mas em meados do século XVI, a preferência voltou a ser o estilo gótico. O movimento da Renovação Gótica ampliou-se, após a publicação das "Sete Lâmpadas da Arquitetura", de John Ruskin, 1849, e do seu "Pedras de Veneza" (1581). O estilo gótico favorito de Ruskin era o da Itália setentrional, que tornava as igrejas mais alegres. Depois se seguiu uma febre pelo gótico francês primitivo e as imitações acabaram abrangendo desde o Romântico Primitivo até o Perpendicular Recente. Embora diversos países, como Alemanha, França e América do Norte adotassem a Renovação Gótica, foi na Grã Bretanha que ele realmente se firmou.

«Igreja da Sagrada Família, em Barcelona, exemplo singular da Art Nouveau»

A maioria dos arquitetos do Neogótico insistiam que os coros das igrejas deveriam ser longos e se possível com um anteparo entre o coro e a nave, a exemplo da Idade Média. Mas o bom senso prevaleceu e assim o pequeno santuário renascentista típico foi transformado em gótico, de modo que o altar-mor passasse a ser o ponto focal do interior. No entanto, pelo fato da religião católica emanar de Roma, igrejas no estilo renascentista continuaram a ser projetadas e construídas durante todo o período neogótico. Até meados do século passado foram construídas igrejas nestes dois estilos.

No final do século XIX, o povo estava ficando cansado tanto da arquitetura gótica, como da renascentista, e ansiava por algo mais original. Alguns arquitetos tentaram misturar quase todos os estilos históricos - Românico, Bizantino, Gótico, Renascentista e Barroco. Quase ao mesmo tempo surgiu o que ficou conhecido como o Movimento das Artes e Ofícios, que visava um retorno à simplicidade e ingenuidade no uso dos materiais e dos métodos de construção. Em seguida, apareceu o chamado Movimento de Art Nouveau, que teve um breve período de popularidade de 1892 a 1905. Poucas foram as igrejas construídas seguindo esse estilo, sendo seu maior exemplo a igreja as Sagrada Família, de Antonio Gaudi, em Barcelona. É considerada uma excentricidade.


FONTE:

Texto de Peter F. Anson - The New Library of Catholic Knowledge e Jean Lassus, professor de Sorbonne, Paris e Deptº de Teologia da PUC - RJ.

Parte X

Igrejas Modernas

Na conferência de Malines, na Bélgica, em 1909, o monge beneditino Dom Lamberto Beauduin apresentou algumas propostas que na metade do século XIX foram consideradas revolucionárias. Afirmava ele que a única maneira de fazer a igreja voltar às verdadeiras fontes da renovação espiritual, estava em reafirmar as verdades meio esquecidas de que a liturgia ou o culto público, é a grande escola da vivência e da espiritualidade cristã. Nasceu ai um movimento que seria difundido para outros países e que seria responsável pelo "renascimento" da arquitetura religiosa no século XX.

Nos bastidores desse movimento litúrgico, havia teólogos em diferentes países que estavam ajudando a lançar as fundações sólidas para orientação dos jovens arquitetos, que começaram a compreender que o projeto de igrejas devia ser estudado sob um ângulo novo. Já não bastava que um arquiteto fosse um fornecedor de estilos diversos e de recordações históricas.

Durante muito tempo, independentemente do estilo adotado, os arquitetos tinham aceitado que a função básica da igreja era converter o visitante num devoto, criando para isso uma atmosfera mística. A partir de Malines passaram a ser informados que a finalidade primordial da construção de uma igreja era puramente prática: dar um abrigo para a assembléia de fiéis.

A Primeira Guerra Mundial interrompeu a construção de igrejas e somente em 1923 é que surgiram fatos dignos de registro. Este ano marcou o início de um novo capítulo na história da arquitetura religiosa, com a inauguração da igreja de Notre-Dame du Raincy, próximo a Paris, projetada por Auguste Perret. Foi a primeira igreja em que o concreto armado encontrou expressão arquitetural direta. É uma construção despida de qualquer ornamento superficial ou de detalhe inútil.

«A incomparável Capela de Lê Corbusier, em Ronchamp, notável arquitetura religiosa»

Seu plano reverte ao longo retângulo da basílica cristã primitiva, mas o altar-mor está mais próximo da assembléia dos fiéis. As colunas de sustentação são hastes esguias e as paredes são favos de cimento, formando um brilhante desenho de vitrais coloridos. Quatro anos depois Karl Noser projetou outra igreja que marcou época: a Santo Antônio, na Basiléia, onde o arquiteto combinou o aço, o vidro e o concreto com o tradicional plano da basílica dotada de naves laterais.

Foi em 1922, na Alemanha, que se formou um grupo para estudar os princípios básicos do moderno planejamento de igrejas. Um dos líderes deste grupo foi Rudolf Schwarz que em 1930 projetou a igreja de Corpus Christi, em Aquisgrana, que provocou outra revolução, mais profunda e radical. Ela obrigou os arquitetos a compreenderem que deveriam planejar uma igreja segundo uma concepção teológica, litúrgica e prática. Outro importante arquiteto alemão a ser citado é o de Dominikus Böhm, que construiu a igreja de S. Enguelberto, em Riehl (1932), que teve enorme influência no desenvolvimento da moderna igreja.

A subida do partido nacional-socialista ao poder, na Alemanha, praticamente encerrou esse período de construção de igrejas. A partir de 1935 foi na Suíça que se ergueram algumas das mais interessantes igrejas, principalmente em St.Gall, Lucerna e Basiléia. A Segunda Guerra Mundial também interrompeu a construção de igrejas e após o seu término, a influência do movimento litúrgico tornou-se mais aparente, ampliando-se para todas as regiões da cristandade ocidental. Em 1947 o Papa Pio XII escreveu a encíclica "Mediator Dei", abordando todos os aspectos do culto, contendo orientação para os arquitetos. Também aconselhou os bispos a orientarem os arquitetos encarregados de restaurar e reconstruir todas as igrejas que foram danificadas na guerra.

O que se nota na construção de igrejas de após-guerra, tanto na Europa como na América e em outros continentes, é uma extraordinária diversificação de plantas. Nenhuma igreja construída nos últimos tempos jamais causou sensação maior, em termos mundiais, como a capela de Notre-Dame, em Ronchamp, no departamento da Haute Saône, na França, projetada por Lê Corbusier e construída entre 1950 e 1955. Obra de um gênio, essa capela de peregrinação tem de ser vista para ser compreendida e admirada. Exceto a falta de linhas retas, que lembram igrejas barrocas dos séculos XVII e XVIII, não se assemelha a nenhuma igreja cristã construída. Lê Corbusier projetou a igreja para tornar fácil a um grupo de pessoas render culto dentro dela. Outro importante edifício projetado pelo arquiteto é o priorato dominicano em La Tourette.

Na Inglaterra e na América, o novo espírito da igreja atingiu lentamente o enfoque da moderna construção religiosa. Embora muitas das igrejas continuassem sendo feitas no estilo dos períodos anteriores, algumas experiências interessantes têm sido feitas. Nos Estados Unidos a grande abadia beneditina em Collegeville, Minnesota, projetada por Marcel Breuer, tem um plano moderno e interessante. Na Inglaterra, a nova catedral de Liverpool, planejada por Frederick Gibberd, faz do altar o ponto focal de um impressionante projeto. Oscar Niemeyer tem dado à arquitetura religiosa brasileira grandes projetos, como a sua igreja da Pampulha, em Belo Horizonte, considerada revolucionária na época de sua construção. Mas sua obra máxima talvez seja a belíssima catedral de Brasília.

Os modernos métodos de engenharia tornaram possível cobrir um grande espaço sem colunas para sustentar o teto, não havendo razão para se bloquear o interior de uma igreja. Os arquitetos estão agora combinando o moderno conhecimento das artes industriais, a tecnologia, com a finalidade das várias salas usadas para o exercício público do culto, que compõem uma igreja. A idéia vigente é que uma igreja deve expressar as virtudes cristãs da pobreza, humildade e simplicidade, bem como a majestade de Deus. São essas virtudes que estão sendo expressas nos melhores exemplos da construção de igrejas atualmente.


FONTE:

Texto de Peter F. Anson - The New Library of Catholic Knowledge e Jean Lassus, professor de Sorbonne, Paris e Deptº de Teologia da PUC - RJ.

Extraído de: A RELÍQUIA - Informativo dos Antiquários, Leiloeiros e Colecionadores" - Rio de Janeiro/São Paulo. Web Site: http://www.areliquia.com.br/

 

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