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Santo Efrén, o Sírio

frém nasceu em 306 em Nisibina ou em seus arredores (Mesopotâmia), Depois de ter estudado junto ao bispo daquela cidade, Jacob (Jaime) se converteu no animador de uma escola de doutrina, poesia e canto. Refugiou-se em Edesa no ano 367, por causa da ocupação persa de Nisibina, e nela prosseguiu suas atividades de ensinamento, unidas a composição de muitos escritos exegéticos, catequéticos e hinos em siríaco. Sua exuberância poética era tão grande e tal o gosto dos sírios pela poesia, que muitas homilias estão compostas em versos. Recebeu o título de "Profeta dos Sírios" e "Cítara do Espírito Santo" e a tradição se alegrou em engrandecê-lo, ao estilo dos dois primeiros apotegmas, atribuindo-lhe a concessão milagrosa dos carismas da palavra, da sabedoria e também das lágrimas. A respeito dele foi escrito que era tão natural vê-lo chorar como respirar. Levou, desde muito jovem, juntamente com outros, vida comum na castidade, pobreza e penitência e retiro, compatível, não obstante, com o ensinamento e a pregação. Foi ordenado diácono, mas não sabemos exatamente quando. Muitos são os escritos sobre a sua vida, mas lamentavelmente, mistura-se muitos elementos lendários. Várias fontes revelam que se ocupou com grande generosidade a assistência aos enfermos, famintos, dando sepultura aos mortos numa época de grande miséria. Seja verdadeira ou não esta informação, é de grande significado, pois a Tradição queria transmitir dele um perfil completo, não só como grande escritor e compositor de hinos, como também, a imagem de um diácono entregue ao serviço dos mais necessitados.

 

Morreu no ano 373, sendo tão venerado que rapidamente seus hinos e outros escritos foram introduzidos nas celebrações litúrgicas. Seus escritos foram traduzidos para o grego e latim e, com adaptações, introduzidos em muitíssimas recopilações; sob o impulso do grande, ainda que ingênuo, entusiasmo e amor que se lhe professava, atribuíram-lhe falsamente muitas obras que não o pertenciam.

A grandeza de Santo Efrém chegou ao seu ponto mais elevado nos cantos de louvor à Mãe de Deus. Faltava ainda muito tempo para o Concílio de Éfeso e já o pensamento de Efrém sobre ela havia adquirido um grande desenvolvimento e aprofundamento. Nela contempla e celebra a extraordinária beleza e vê refulgir nela, mediante uma co-participação extremamente contínua e privilegiada, a conformidade com Cristo: o Senhor e sua Mãe são os únicos seres perfeitamente belos neste mundo contaminado; na Senhora, resplandece uma semelhança com Deus única e excepcional. Estes pensamentos são expressados de maneira repetida por Efrém, sobretudo nos Hinos para a Natividade.

O padre Efrém teve, quando criança, um sonho ou uma visão: saía uma videira de sua boca e crescia e enchia toda terra; e estava completamente cheia de ramos; e vieram todos os pássaros do céu e comeram do fruto da videira. Mas, quanto mais comiam, mais se multiplicavam os frutos.

Outra vez, um dos santos teve esta visão: um exército de anjos descia do céu por ordem de Deus e levava um rolo na mão, ou seja, um volume escrito de ambos os lados. E se perguntavam: "a quem devemos confiá-lo?" Uns diziam: "a este"; outros diziam: "a este outro"; finalmente, se decidiram e disseram: "verdadeiramente são santos e dignos, mas a ninguém pode ser confiado este livro senão a Efrém". Logo viu o ancião que entregavam o volume a Efrém; ... Ao amanhecer, quando se levantou, ouviu como um fonte que brotava da boca de Efrém, enquanto compunha, e soube assim que provinha do Espírito Santo o que saía de seus lábios.

Um dia, enquanto Efrém passeava pelo caminho, surgiu uma meretriz de emboscada para seduzi-lo ou, ao menos, para provocá-lo, posto que ninguém o havia visto jamais preso pela ira. Ele a disse: "segue-me". Quando chegaram a um lugar muito movimentado, disse-lhe: "faz o que queres aqui, neste lugar". Mas ela, vendo a multidão disse: "como podemos fazer diante desta grande multidão sem sentir vergonha?" E ele respondeu: "se nos envergonhamos diante das pessoas, tanto mais deveríamos nos envergonhar diante de Deus que escuta no segredo das trevas. E ela, cheia de vergonha, afastou-se sem ter realizado o que pretendia.


Fonte:

Vita e Detti dei Padri del Deserto, Cittá Nuova Editricci, Roma, 1990.

Santo Efrém, o Sírio - II

frém, alcunhado "de Nísibe" ou simplesmente "o Sírio", é incontestavelmente o mais fecundo, o mais importante e o mais bem recebido autor de toda a literatura síria cristã. Nascido em 306 como filho de pais cristãos em Nísibe ou nas proximidades, depois de ser batizado aderiu aos ascetas "filhos da Aliança", entre os quais se contava também Afraates, e carrega tradicionalmente o título de diácono. Sob o primeiro bispo de Nísibe, Tiago (+ 338), por ele venerado como seu próprio mestre, ele próprio atuou como professor em Nísibe. Nesta época surgiu a maior parte de seus célebres Carmina Nisibena (1-34), bem como os hinos De paradiso, Contra haereses e De fide. O resultado da campanha persa do imperador Juliano "Apóstata" (abril-junho de 363) - Juliano tombou em combate, e seu sucessor Joviano deixou Nísibe para os persas - foi catastrófico para a cidade de Nísibe, que durante a vida de Efrém havia resistido heroicamente a três cercos por parte dos persas (338, 346, 350). Efrém, em seus "Hinos contra Juliano" e nos "Hinos sobre a Igreja", que os antecederam, decanta o acontecimento como um duro, porém merecido castigo pela volta de Juliano aos antigos cultos dos deuses e por seu procedimento em relação aos cristãos. Como no tratado de paz com Joviano os persas haviam insistido na deportação da maior parte da população romana de Nísibe, também Efrém mudou-se em 364 para Edessa, onde continuou a atuar como professor durante os dez anos restantes de sua vida, até sua morte a 9 de junho de 373. Mas não fica claro qual o papel por ele desempenhado na fundação da célebre "escola dos persas", que por algumas fontes é atribuída a ele. Seja como for, os anos em Edessa parecem ter sido cheios de incansável trabalho, embora não se possa dizer com segurança quais de suas numerosas obras foram escritas durante este período; mas certamente figuram entre elas o comentário ao Diatessaron de Taciano (cf. cap. III.I.C.2) e os "Hinos sobre a fé" antiarianos.

A atuação e importância de Efrém ultrapassam de longe o universo língua siríaca. É verdade que ele próprio escreve exclusivamente em siríaco, mas já durante sua vida - o que é um fato sem paralelo neste terreno - ele encontrou bom acolhimento por parte tanto da igreja grega como da igreja latina. Jerônimo o incluiu em seu livro De viris illustribus [115], e refere que as obras de Efrém eram lidas na igreja após a leitura da Sagrada Escritura; ele próprio teria lido na tradução grega seu escrito sobre o Espírito Santo. O historiador Sozômeno atesta que no começo do século V dispunha de uma grande parte das obras de Efrém em tradução grega [h e III 16,4]. Hoje, porém, muita coisa inautêntica foi introduzida na ampla tradição do Ephraem Graecus; o mesmo vale também para a tradição textual latina e armênia. Sua importância na igreja ocidental, atual até os dias de hoje, é realçada pelo título honorífico de "Doutor da Igreja" que lhe foi conferido pelo Papa Bento XV em 5 de outubro de 1920, o que o coloca entre os grandes Padres da Igreja (cf. Introdução II).

A fama literária de Efrém deriva, sobretudo de seus artísticos hinos, memre (discursos métricos) e madrashe (cânticos) teológicos, ascéticos e litúrgicos, que certamente têm seu ponto alto nos sete últimos "hinos sobre a fé" [81-87] antiarianos, meditações sobre a tradicional lenda da origem das pérolas em uma concha através da fecundação pelo orvalho do céu, como imagem da concepção virginal de Maria. Com isto Efrém faz desabrochar ao máximo a típica e já tradicional forma síria de fazer teologia; já o primeiro autor sírio, Bardesanes, a teria inaugurado, e ela desempenha um papel importante na maioria dos teólogos sírios, de forma eminente p. ex. em Romano o Melodioso de Emesa (+ 560). Basicamente a teologia síria pensa menos em conceitos e em argumentação discursiva do que o faz sobretudo a teologia latina, e em menor escala também a grega; ela pensa sobretudo através de histórias, imagens e símbolos, que se deixam apreender melhor sob a forma de poesias, cânticos e orações. Esta maneira de pensar constitui o traço básico da teologia de Efrém. Para ele a raiz de todos os erros teológicos fundamenta-se no desejo de querer apreender Deus com o pensamento filosófico, racionalista, quando ele só pode ser percebido através das imagens e dos símbolos com que os dois "livros da revelação", a Sagrada Escritura e a criação, apontam para ele. Por isso, na cristologia Efrém parte dos títulos bíblicos de Cristo (rei, pastor, noivo, médico); na doutrina trinitária parte da natureza (sol, fogo, raio, calor, Pai e Filho como árvore e fruto); na soteriologia ele compara o paraíso com a arca de Noé e com o Monte Sinai, e descreve a redenção como o "caminho do madeiro ao madeiro" (da árvore do paraíso à cruz de Cristo). É verdade que tal linguagem simbólica também pode ser encontrada nos Padres gregos e ocidentais, mas em Efrém sua plenitude, qualidade poética e papel teológico vão muito além.

Além disto, Efrém é comprovadamente também um mestre da prosa artística siríaca, como o comprovam suas cinco refutações contra Marcião, Mani e Bardesanes, e suas homilias e cartas.


Fonte:

Drobner Hubertus R. Manual de Patrologia, Ed. Vozes, 2003 pág. 547-549

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