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Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas  
 
 
 

Quinta-feira, 27 de dezembro de 2018:

«Santo Estêvão, Protomártir e Arquidiácono»

Santo Estêvão, o primeiro mártir do cristianismo. encontra-se também listado entre os Setenta Apóstolos.

Matinas

Hirmos da 9ª Ode

Glorifica, ó minha alma,
aquela que é mais venerável
e mais gloriosa que os exércitos celestes.
Eu contemplo um mistério estranho e admirável:
a gruta tornou-se o Céu;
a Virgem, o trono dos Querubins;
e a manjedoura, um lugar honroso,
no qual repousa o incomensurável, Cristo Deus.
Louvemo-lo e glorifiquemo-lo!

Divina Liturgia

Issodikon

Das minhas entranhas, eu te gerei
antes da estrela da manhã.
O Senhor jurou e não se arrependerá:
Tu és sacerdote para sempre,
segundo a ordem de Melquisedeque.

Salva-nos, ó Filho de Deus,
Tu que nasceste da Virgem,
a nós que a Ti cantamos: aleluia!

Apolitikion (Modo 4º)

Teu Nascimento, ó Cristo Deus,
fez brilhar no mundo a luz do conhecimento.
Nela os adoradores dos astros
aprenderam de um astro a adorar-te, Sol de Justiça,
e a reconhecer-te como o Oriente vindo do alto.
Senhor, glória a Ti!

Kondakion da Festa (Modo 4º)

A tua fronte foi coroada por um diadema real,
por causa do combate que empreendeste por Cristo nosso Deus,
ó Santo Estevão, protagonista do exército dos mártires;
tu repreendeste os Judeus pela sua loucura
e viste o teu Salvador à direita do Pai.
Roga-lhe, incessantemente, pela salvação das nossas almas.

Kondakion (Modo 3º)

Hoje a Virgem dá à luz o Eterno
e a terra é uma gruta ao Inacessível.
Os anjos e os pastores louvam-no
e os magos com a estrela avançam.
Tu nasceste para nós, ó Menino,
Deus antes de todo tempo.

Triságion

Vós que fostes batizados em Cristo,
de Cristo vos revestistes. Aleluia! (3 vezes)

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,
agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.
De Cristo vos revestistes. Aleluia!

Vós que fostes batizados em Cristo ...

Prokimenon (Modo 4º)

Por toda a terra espalhou-se a sua voz
e até os confins do mundo foram as suas palavras.

Os céus narram a glória de Deus
e o firmamento anuncia a obra de suas mãos. Sl 19,4,1

Epístola

[AT 6:8-15; 7:1-5, 47-60]

Livro dos Atos dos apóstolos.

aqueles dias, Estêvão, cheio de graça e de poder, operava prodígios e grandes sinais entre o povo. Intervieram então alguns da sinagoga chamada dos Libertos dos cireneus e alexandrinos, dos da Cilicia e da Ásia, e puseram-se a discutir com Estêvão. Mas não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com o qual ele falava. Subornaram então alguns para dizerem: "Ouvimo-lo pronunciar palavras blasfemas contra Moisés e contra Deus". Amotinaram assim o povo, os anciãos e os escribas e, chegando de improviso, prenderam-no: o levaram à presença do Sinédrio. Lá apresentaram testemunhas falsas que depuseram: "Este homem não cessa de falar contra este lugar santo e contra a lei. Pois ouvimo-lo dizer repetidamente que esse Jesus, o Nazareu, destruirá este Lugar e modificará os costumes que Moisés nos transmitiu". Todos os membros do Sinédrio, com os olhos fixos nele, tiveram a impressão de ver em seu rosto o rosto de um anjo. O Sumo Sacerdote perguntou: "As coisas são mesmo assim?" E ele respondeu: "Irmãos e pais, ouvi. O Deus da glória apareceu a nosso Pai Abraão, ainda na Mesopotâmia, antes que ele se estabelecesse em Harã, e disse-lhe: 'Sai da tua terra e da tua parentela, e vai para a terra que eu te mostrarei'. Saindo, pois, da terra dos caldeus, ele veio estabelecer-se em Harã. Dali, após a morte de seu pai, Deus o transferiu para esta terra, na qual vós agora habitais. Ele não lhe deu propriedade alguma, nem sequer onde pudesse descansar os pés. Mas prometeu que lhe daria como propriedade, a ele e à sua descendência depois dele, embora não tivesse filho. Foi Salomão, porém, que lhe construiu uma casa. Entretanto, o Altíssimo não habita em obras de mãos humanas, como diz o profeta: O céu é o meu trono, e a terra, o estrado de meus pés. Que casa me construireis, diz o Senhor, ou qual será o lugar do meu repouso? Não foi minha mão que fez tudo isto? Homens de dura cerviz, incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo! Como foram vossos pais, assim também vós! A qual dos profetas vossos pais não perseguiram? Mataram os que prediziam a vinda do Justo, de quem vós agora vos tornastes traidores e assassinos, vós que recebestes a Lei por intermédio de anjos, e não a guardastes!" Ouvindo isto, tremiam de raiva em seus corações e rangiam os dentes contra ele. Estêvão, porém, repleto do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus, e Jesus, de pé, à direita de Deus. E disse: "Eu vejo os céus abertos, e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus". Eles, porém, dando grandes gritos, taparam os ouvidos e precipitaram-se à uma sobre ele. E, arrastando-o para fora da cidade, começaram a apedrejá-lo. As testemunhas depuseram seus mantos aos pés de um jovem chamado Saulo. E apedrejaram Estêvão, enquanto ele dizia esta invocação: "Senhor Jesus, recebe meu espírito". Depois, caindo de joelhos, gritou em voz alta: "Senhor, não lhes leves em conta este pecado," E, dizendo isto, adormeceu.

Aleluia (Modo 1º)

Aleluia, aleluia, aleluia!

Anuncia o firmamento tuas Grandes Maravilhas,
e o teu Amor Fiel, a assembléia dos eleitos! [Sl 89, 5].
Aleluia, aleluia, aleluia!

Ele é o Deus Temível no conselho dos Seus Santos,
Ele é Grande, Ele é Terrível para quantos O rodeiam [Sl 89, 7].
Aleluia, aleluia, aleluia!

Evangelho

[MT 21: 33-42]

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São Mateus.

aquele tempo, disse Jesus: "Escutai outra parábola. Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, abriu nela um lagar e construiu uma torre. Depois disso, arrendou-a a vinhateiros e partiu para o estrangeiro. Chegada a época da colheita, enviou seus servos aos vinhateiros, para receberem os seus frutos. Os vinhateiros, porém, a agarraram os servos, espancaram um, mataram outro e apedrejaram o terceiro. Enviou de novo outros servos, em maior número do que os primeiros, mas eles os trataram da mesma forma. Por fim, enviou-lhes o seu filho, imaginando: 'Respeitarão meu filho'. Os vinhateiros, porém, vendo o filho, confabularam: 'Este é o herdeiro: vamos! matemo-lo e apoderemo-nos da sua herança'. Agarrando-o, lançaram-no para fora da vinha e o mataram. Pois bem, quando vier o dono da vinha, que fará com esses vinhateiros?" Responderam-lhe: "Certamente, destruirá de maneira horrível esses infames e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo devido”. Disse-lhes então Jesus: "Nunca lestes nas Escrituras: 'A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; pelo Senhor foi feito isso e é maravilha aos nossos olhos'? Por isso vos afirmo que o Reino de Deus vos será tirado e confiado a um povo que o fará produzir seus frutos. Aquele que cair sobre esta pedra ficará em pedaços, e aquele sobre quem ela cair, ficará esmagado".

Kinonikon

O Senhor enviou a redenção a seu povo;
estabeleceu para sempre a sua aliança.

Aleluia, aleluia, aleluia!

Apolisis

Que Aquele que nasceu numa gruta
e foi reclinado numa manjedoura, para nossa salvação...

 

«Santo Estêvão, Protomártir e Arquidiácono»

anto Estêvão, um dos sete diáconos escolhidos para aliviar os apóstolos dos trabalhos materiais da comunidade cristã nascente, foi lapidado pelos judeus, como narram os Atos dos Apóstolos, por volta do ano 37. Entregou a alma perdoando seus carrascos. Seu santo corpo, sepultado por homens piedosos, foi reencontrado em 415 em Cafargamala, em seguida a uma aparição ao padre Luciano, e transferido a Jerusalém para uma igreja construída pela Imperatriz Eudóxia, esposa de Teodósios o Jovem. Destruída pelos persas em 614, a igreja do Proto-mártir Estêvão foi reedificada em 1898 pelos Irmãos Pregadores. Seu nome significa, em grego, coroa: o Tropárion faz alusão a este sentido etimológico.

II - Santo Estêvão

Pertencia a uma família judia que vivia no estrangeiro – isto é, fora da Terra Santa. Esses judeus eram chamados helenistas, pois cultivavam a cultura grega, que dominava o Império Romano. Depois que o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos, a Igreja começou a crescer rapidamente e surgiu a necessidade de cuidar dos órfãos, das viúvas e dos pobres em geral que haviam sido batizados. Os apóstolos incumbiram aos cristãos de escolher entre eles sete homens qualificados para cuidar dos necessitados. Depois de consagrar a estes sete homens como diáconos (ou seja, assistentes ou colaboradores) os nomearam como seus auxiliares mais próximos. Entre estes, o jovem Estevão se destacava pela sua fé inabalável e sua facilidade com as palavras. Estevão era chamado Arquidiácono, o que significa, o primeiro diácono. Muito em breve os diáconos, além de ajudar no cuidado com os pobres, começaram a participar nas orações e cerimônias religiosas.

Estevão pregava a palavra de Deus em Jerusalém. Fundamentava a verdade de suas palavras com presságios e milagres. Seu êxito foi muito grande e isso provocou o ódio dos fariseus, rigorosos defensores da lei de Moisés. Eles o prenderam e o conduziram ao Sinédrio, o supremo tribunal dos judeus. Lá, os fariseus apresentaram falsos testemunhos que asseguravam que ele ofendia a Deus e ao profeta Moisés em suas pregações. Justificando-se perante o Tribunal, Santo Estevão expôs diante do Sinédrio a história do povo judeu, e demonstrou, citando os exemplos, de como os judeus sempre se opunham a Deus e matavam os profetas que Ele enviava. Ouvindo isso, os membros do Tribunal ficaram cheios de indignação e cólera contra Estevão.

Neste momento Estevão viu como se os céus se abrissem sobre ele e exclamou: «Eu vejo o Filho do Homem sentado à direita de Deus». (At (7, 60) Os membros do Sinédrio ficaram ainda mais indignados ao ouvir isto e tapavam os ouvidos. Logo, lançaram-se contra Estevão e o arrastaram para fora da cidade. Ali, de acordo com o que determinava a lei, teve início a execução de sua sentença. Os que prestaram os falsos testemunhos foram os primeiros a apedrejá-lo. Um jovem chamado Saulo, que consentia com o assassinato de Estevão, assistia a tudo enquanto guardava as capas dos apedrejadores. Sob uma chuva de pedras, Estevão exclamou: «Senhor, não lhes imputes esse pecado e recebe a minha alma». Todos estes acontecimentos, e o que foi dito por Estevão no Sinédrio, foi registrado pelo evangelista Lucas em At 6, 8.

Assim que o Arquidiácono Estevão foi o primeiro mártir de Cristo no ano 34 após o nascimento de Jesus Cristo. Depois disso, teve início em Jerusalém, a grande perseguição aos cristãos. Para salvar a si mesmos, muitos tiveram de se proteger em diferentes partes da Terra Santa e em países vizinhos. E, a fé cristã começou a ser disseminada em diferentes partes do Império Romano. O sangue do mártir não foi derramado em vão. Logo, Saulo que havia consentido com este assassinato, tornou-se cristão e se tornou o famoso Paulo – um dos maiores pregadores do Evangelho de Cristo. Muitos anos depois, quando Paulo visitava Jerusalém, foi também capturado por uma multidão enfurecida de judeus que queriam apedrejá-lo. Falando com eles, lembrou-lhes a morte do inocente Estevão e sua participação nela. (At 22)

III – Santo Estêvão, Protomártir e Arquidiácono (séc. I)

Depois do Pentecostes, os apóstolos dirigiam o anúncio da mensagem cristã aos mais próximos, aos hebreus, aguçando o conflito apenas acalmado da parte das autoridades religiosas do judaísmo. Como Cristo, os apóstolos conheceram logo as humilhações dos flagelos e da prisão, mas apenas libertados das correntes retomam a pregação do Evangelho. A primeira comunidade cristã, para viver integralmente o preceito da caridade fraterna, colocou tudo em comum, repartindo diariamente o que era suficiente para o seu sustento. Com o crescimento da comunidade, os apóstolos confiaram o serviço da assistência diária a sete ministros da caridade, chamados diáconos.

Entre eles sobressaía o jovem Estêvão, que além de exercer as funções de administrador dos bens comuns, não renunciava ao anúncio da Boa Nova, e o fez com tanto sucesso que os judeus “apareceram de surpresa, agarraram Estêvão e levaram-no ao tribunal. Apresentaram falsas testemunhas, que declararam: “Este homem não faz outra coisa senão falar contra o nosso santo templo e contra a Lei de Moisés. Nós até o ouvimos afirmar que esse Jesus de Nazaré vai destruir o templo e mudar as tradições que Moisés nos deixou.”

Estêvão, como se lê nos Actos dos Apóstolos, cheio de graça e de força, como pretexto de sua autodefesa, aproveitou para iluminar as mentes de seus adversários. Primeiro, resumiu a história hebraica de Abraão até Salomão, em seguida afirmou não ter falado contra Deus, nem contra Moisés, nem contra a Lei, nem fora do Templo. Demonstrou, de facto, que Deus se revelava também fora do Templo e se propunha a revelar a doutrina universal de Jesus como última manifestação de Deus, mas os seus adversários não o deixaram prosseguir no discurso, “taparam os ouvidos e atiraram-se todos contra ele, em altos gritos. Expulsaram-no da cidade e apedrejaram-no.”

Dobrando os joelhos debaixo de uma tremenda chuva de pedra, o primeiro mártir cristão repetiu as mesmas palavras de perdão pronunciadas por Cristo sobre a Cruz: “Senhor, não os condenes por causa deste pecado.” Em 415 a descoberta das suas relíquias suscitou grande emoção na cristandade. A festa do primeiro mártir foi sempre celebrada imediatamente após a festividade do Natal.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BÍBLIA – Bíblia de Jerusalém (Nona Edição Revista e Ampliada). São Paulo: Paulus, 2013.

 

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