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Semana Santa de 2010: |
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Segunda-feira Santa, 29 de Março: Na segunda-feira, recordamos o Bem-aventurado José do Antigo Testamento, que foi espancado por seus irmãos, deixado para morrer e escravizado por estrangeiros. Enquanto seu pai, Jacó, sofria por seu filho, José reinava gloriosamente como um senhor do Egito, e assim, depois, salvou seu pai e seu povo. Isso prefigura a salvação de Nosso Senhor Jesus Cristo, que foi vendido por 30 moedas de prata, preso, condenado e que sofreu Sua amarga Paixão por nós. . . para depois ascender gloriosamente, tendo dado a vida para aqueles que estavam no túmulo! Apolitikion Eis que o esposo vem no meio da noite. Kondakion Enquanto Jacó chorava a perda de José, Leituras Bíblicas Vésperas: Mt 24, 3-35 Orthros: Mt 21, 14-43 Epístola: At 10, 34-43 Terça-feira Santa, 30 de Março Na terça-feira, nós recordamos a parábola do Senhor quanto às virgens prudentes e às virgens tolas. As prudentes aguardaram continuamente a vinda de seu Mestre vigilantes, com suas lâmpadas queimando na escuridão. As tolas foram dormir, pensando que teriam tempo suficiente para se aprontar no último minuto. Mas o Esposo veio no meio da noite, recompensando aquelas que se mantiveram atentas para Ele, e repelindo aquelas que desperdiçaram a oportunidade de se preparar para encontrá-lo. Apolitikion Eis que o esposo vem no meio da noite. Kondakion Ó alma desventurada, Leituras Bíblicas Vésperas: Mt 24,36 - 26,2 Orthros: Mt 22,15-46; 23,1-39 Epístola: Ef 1, 1-9 Quarta-feira Santa, 31 de Março Na quarta-feira, a Igreja dá-nos o exemplo da adúltera que, uma vez tendo se encontrado com o Senhor, percebeu a gravidade de seus pecados, caiu perante Ele e lavou os Seus pés com lágrimas e preciosos perfumes. Os hinos desta manhã exortam-nos a imitar a mulher pecadora confessando nossos pecados e nos afastando deles. Santa Unção em recordação desse tremendo ato de amor trazido por aquela que estava em pecado, a Igreja traz-nos nesta noite os santos óleos, e celebra o Sacramento da Unção para a saúde do corpo, da mente e do espírito.
Eis que o esposo vem no meio da noite. Kondakion Pequei mais que a pecadora, ó Bom Deus, Leituras Bíblicas Vésperas: Mt 26, 6-16 Orthros: Jo 12,17-50 Epístola: Ef 1, 1-9
Segunda, Terça e Quarta-feira Santa:
Páscoa significa "passagem"; para os judeus a festa da Páscoa era a comemoração anual de toda sua história, enquanto salvação, e da salvação enquanto passagem da escravidão no Egito à liberdade, do exílio à Terra prometida. A Páscoa era também a prefiguração da derradeira passagem, que conduz ao Reino de Deus. Ele, o Cristo, é o cumprimento da Páscoa. Ele completou a derradeira passagem, a da morte para a vida, deste "mundo velho" ao mundo novo, ao tempo novo do Reino. Ele tornou possível para nós esta passagem. Vivendo "neste mundo," nós podemos já "não ser deste mundo"; quer dizer, estarmos livres da escravidão da morte e do pecado, participantes do "mundo que há de vir." Mas, é necessário para tanto cumprirmos nossa própria passagem, condenar o velho Adão em nós mesmos, revestir o Cristo na morte batismal e ter nossa verdadeira vida oculta em Deus com o Cristo, no "mundo que há de vir..." A Páscoa não é, pois, mais uma comemoração, bonita e solene, de um acontecimento passado. É o próprio acontecimento manifestado, dado a nós, acontecimento sempre eficiente, que revela que o nosso mundo, nosso tempo e nossa vida estão no seu fim, e que anuncia o começo da vida nova. O papel dos três primeiros dias da semana santa é, precisamente, o de nos colocar diante do sentido último da Páscoa, de nos preparar para compreendê-la em toda sua amplidão. Esta orientação escatológica, quer dizer, última, decisiva e final, é bem sublinhada pelo tropário comum a esses três dias: «Eis que aparece o Esposo no meio da noite! Meia-noite é o instante em que o dia velho termina para dar lugar a um novo dia. Esta hora é assim para o cristão o símbolo do tempo em que vive. Por um lado, a Igreja está ainda neste mundo, compartilhando de suas fraquezas e tragédias. Por outro, seu ser verdadeiro não é deste mundo, pois ela é a Esposa de Cristo e sua missão é de anunciar e revelar a chegada do Reino e do novo Dia. Sua vida é um velar perpétuo e uma espera, uma vigília orientada para a aurora desse novo Dia. . . mas nós sabemos o quanto nosso apego ao "velho dia," ao mundo, com suas paixões e pecados, permanece ainda bastante tenaz. Nós sabemos o quanto ainda pertencemos profundamente a "este mundo." Nós vimos a luz, nós conhecemos o Cristo, nós ouvimos falar da paz e da alegria da vida nova nele, e, entretanto, o mundo nos mantém ainda em escravidão. Esta fraqueza, esta constante traição ao Cristo e esta incapacidade de dedicar a totalidade do nosso amor ao único objeto de amor verdadeiro, são magnificamente expressadas no exapostilário desses três dias: «Eu contemplo tua câmara nupcial, O mesmo tema é ainda mais desenvolvido nas leituras do Evangelho destes dias. Primeiro, é o texto inteiro dos quatro evangelhos (até João 13:31), lido nas Horas (Prima, Tércia, Sexta, Nona), que mostra que a cruz é o apogeu de toda a vida de Jesus e de seu mistério, a chave para verdadeiramente o compreender. Tudo, no Evangelho, conduz a esta última "hora de Jesus" e tudo deve ser visto sob sua luz. Em seguida, cada ofício possui seu próprio pericópio de evangelho. A Segunda-Feira SantaNas matinas: Mateus 21:18-43 — a parábola da figueira estéril, símbolo do mundo criado para dar frutos espirituais e relutante em sua resposta a Deus. Na liturgia dos Pré-santifícados: Mateus, 24:3-35 — o grande discurso escatológico de Jesus, os sinais e o anúncio do Fim. "O céu e a terra passarão, mas minhas palavras não passarão." A Terça-Feira SantaNas matinas: Mateus 22:15 e 23-39 — condenação do farisaísmo, quer dizer, da religião cega e hipócrita daqueles que pensam que são condutores de homens e a luz do mundo, mas que, de fato, "fecham o Reino dos céus aos homens." Na liturgia dos Pré-santifícados: Mateus 24:36-26:2 — o Fim; as parábolas do Fim: as cinco virgens que têm óleo suficiente em suas lâmpadas, e as cinco néscias que não são admitidas no banquete de núpcias; a parábola dos dez talentos: "Estejai prontos, pois eis que o Filho do Homem virá à hora em que não o pensais." E finalmente, o Juízo Final. A Quarta-Feira SantaNas matinas: João 12Ю:17-50 — a rejeição do Cristo; o acirramento do conflito; o último aviso: "É agora o julgamento deste mundo. . . aquele que me rejeita e não recebe minhas palavras terá seu juiz: a palavra que anunciei, ela é que o julgará no último dia." Na liturgia dos Pré-santifícados: Mateus 26:6-16 — a mulher que derrama o óleo precioso sobre Jesus, imagem do amor e do arrependimento que, sozinhos, nos unem ao Cristo. Estas perícopes do evangelho são explicadas e comentadas na hinografia desses dias: os estiquérios (stykeroi), as triodes (cânones curtos de três odes cantados nas matinas) ao longo dos quais ecoa esta exortação: o fim e o julgamento estão próximos, preparemo-nos! «Indo, Senhor, para Tua Paixão voluntária, (Segunda-feira nas Matinas)
«Ó, minh'alma,
eis que o Mestre te confiou um talento. (Terça-feira nas Matinas)
Durante todo o tempo de quaresma, lê-se nas vésperas dois livros do Antigo Testamento: o Gênesis e os Provérbios; no começo da Semana Santa, eles são substituídos pelo Êxodo e pelo Livro de Jó. O Livro do Êxodo é a história da libertação de Israel da escravidão no Egito, e de sua Páscoa; ele nos predispõe a alcançar o sentido do êxodo do Cristo rumo a seu Pai, do cumprimento Nele de toda a história da salvação. Jó, o homem da dor, é o ícone de Cristo do Antigo Testamento. Esta leitura anuncia o grande mistério dos sofrimentos do Cristo, de sua obediência e de seu sacrifício. A estrutura litúrgica destes três dias é ainda aquela dos ofícios de quaresma: ela compreende a oração de Santo Efrém, o Sírio, e as metanóias que o acompanham (1), a leitura mais longa do salmodiário, a Liturgia dos Pré-Santificados e o canto litúrgico da quaresma. Nós estamos ainda no tempo do arrependimento, porque só o arrependimento pode nos fazer participar da Páscoa de nosso Senhor e nos abrir as portas do festim pascal. Na grande e santa quarta-feira, durante a última Liturgia dos Pré-santificados, depois de ter alçado os santos Dons sobre o altar, o padre lê uma última vez a oração de Santo Efrém. Neste momento, a preparação chega a termo. O Senhor nos convida agora para a sua última Ceia. «Senhor e mestre de minha vida
* * * * * * * * * (l) Esta oração, atribuída a Santo Efrém, o Sírio, é lida duas vezes ao final de cada ofício de quaresma, de segunda a sexta-feira: diz-se uma primeira vez fazendo uma metanóia depois de cada súplica; depois inclina-se doze vezes dizendo: "Ó Deus, purifica-me, pecador!"; por fim, repete-se toda a oração com uma última prosternação no final. Fonte: O Mistério Pascal - Comentários Litúrgicos, Alexandre Schmémann, Olivier Clément
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