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«Virgem Mãe de Deus,
por ti conhecemos o Verbo do Pai, nosso Deus,
Filho Único em duas naturezas!».
«Sábado do Akathistos»
(Sábado da Quinta Semana da Quaresma)
Apolitikion
Aquele que não tem corpo,
quando se inteirou da ordem a ele sigilosamente confiada,
apressou-se em ir à casa de José
e disse à Virgem que não conheceu varão:
«Aquele que trouxe a nós o céu quando dele desceu,
é contido inteiro em ti, sem sofrer transformação».
Vendo-o em teu seio tomando a forma de escravo,
cheio de admiração te aclamo:
«salve, Virgem e Esposa!»
Kondakion
Nós, teus servos, ó Mãe de Deus,
te conferimos os lauréis da vitória,
penhor de nossa gratidão,
como a um general que combateu por nós
e nos salvou de terríveis calamidades.
E, como tens um poder invencível,
livra-nos dos perigos de toda espécie
para que te aclamemos: «salve, Virgem e Esposa!»
Prokimenon
Minha alma glorifica o Senhor,
e meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador.
Porque voltou seus olhos para a humildade de sua serva;
doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada.
Epístola:
[Hb 9, 24-28]
Leitura da Primeira Epístola do Apóstolo São Paulo aos Hebreus
rmãos, de fato, Cristo não entrou num santuário feito por mãos humanas, figura do verdadeiro santuário; ele entrou no próprio céu, a fim de apresentar-se agora diante de Deus em nosso favor. Ele não teve que se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote que todos os anos entra no santuário com sangue que não é seu. Se assim fosse, ele deveria ter sofrido muitas vezes desde a criação do mundo. Entretanto, ele se manifestou uma vez por todas no fim dos tempos, abolindo o pecado pelo sacrifício de si mesmo. E dado que os homens morrem uma só vez e depois disso vem o julgamento, assim, também Cristo se ofereceu uma vez por todas, para tirar o pecado de muitos. Ele aparecerá uma segunda vez, sem nenhuma relação com o pecado, para aqueles que o esperam para a salvação.
Evangelho
[Mc 8, 27-31]
Aleluia
Aleluia, aleluia, aleluia!
Lembra-te do teu povo que elegeste há tanto tempo;
recuperaste o cetro da tua herança.
Aleluia, aleluia, aleluia!
Deus, que é nosso Rei antes dos séculos,
operou a salvação no meio da terra!
Aleluia, aleluia, aleluia!
Evangelho de Nosso Senhor Jesus†Cristo, segundo São Marcos
aquele tempo, Jesus partiu com seus discípulos para os povoados de Cesaréia de Filipe. No caminho, ele perguntou a seus discípulos: «Quem dizem os homens que eu sou?» Eles responderam: «Alguns dizem que tu és João Batista; outros, que és Elias; outros, ainda, que és um dos profetas.» Então Jesus perguntou-lhes: «E vocês, quem dizem que eu sou?» Pedro respondeu: «Tu és o Messias.» Então Jesus proibiu severamente que eles falassem a alguém a respeito dele.
Kinonikon
Tomarei o Cálice da salvação
e invocarei o nome do Senhor!
Aleluia, aleluia, aleluia!
Hirmos
Rejubile-se em espírito toda criatura da terra,
dançando e segurando archote;
e que a natureza dos espíritos puros
celebre a festa da Mãe de Deus, clamando:
Salve, ó Mãe de Deus, bem-aventurada e sempre Virgem!
comemoração do Sábado do Akathistos é uma justa e santa homenagem à Virgem Mãe de Deus, Intercessora dos Cristãos, na semana que antecede Semana Santa. Com esta festa, encerra-se solenemente o canto do ofício de mesmo nome, feito durante as sextas-feiras da Grande Quaresma.
O belíssimo hino Akathistos, em honra da Mãe de Deus, tão apreciado pela piedade popular bizantina há cerca de treze séculos, agora começa a ser conhecido também no Ocidente, está presente em diversos trechos do Ofício da festa, como por exemplo no proêmio que precede as vinte e quatro estrofes do hino, ou no kondakion (8º tom) cujo texto transcrevemos em seguida:
«Ó Mãe de Deus, invencível estratega,
nós, teus servos, elevamos a ti
o hino de vitória e de gratidão
por ter-nos salvado de terríveis calamidades.
Tu, pois, cujo poder é invencível,
livra-nos de todo mal,
para que possamos a ti clamar:
Ave, Virgem e Esposa!»
O Hino Akathistos (que literalmente significa «estando de pé») composto originalmente em grego no final do século V, é de autor desconhecido. Sua autoria é atribuída a diversos personagens, porém não há nenhuma prova concludente e possivelmente, seja melhor assim.
Como disse um comentarista moderno, «é melhor que o hino seja anônimo. Assim é de todos porque é da Igreja».
Efetivamente, desde princípios do século V, a Igreja bizantina o incluiu em sua liturgia como a expressão mais alta do culto à Santíssima Virgem, e o canta em muitas ocasiões, de modo especialmente solene no sábado da 5ª semana da Quaresma.
A estrutura métrica do texto original é de uma suma perfeição, de difícil tradução para outras línguas. As 24 estrofes que o compõem (umas mais longas, outras mais breves, alternadamente) se distribuem por igual em duas partes: uma evangélica e outra dogmática. A primeira parte representa a narração evangélica em uma série de quadros que vão desde a Anunciação de Maria até o Encontro de Maria com Simeão no templo de Jerusalém. A segunda parte expõe os principais artigos da fé mariana da Igreja: virgindade perpétua, maternidade divina, medianeira das graças celestiais.
O Hino Akathistos é comum a todos os cristãos de rito bizantino, ortodoxos e católicos. Constitui pois, uma antiga e solene ponte para a plena comunhão entre a Igreja do Oriente e do Ocidente.
«Digna de todo louvor,
Santa Mãe do Verbo,
Santíssimo entre todos os santos,
recebe, nesse canto, a nossa oferta.
Salva o mundo de todo perigo;
de todos os males e dos castigos futuros
livra-nos, a nós que cantamos: aleluia!»
«Ó gloriosa, sempre Virgem e bendita Mãe de Deus,
ofereça minhas orações a teu Filho e meu Deus,
e roga a ele pela salvação de minha alma.
O Pai é minha esperança,
o Filho é meu refúgio
e o Espírito Santo é meu amparo:
Santíssima Trindade, glória a Ti!
Em ti deposito toda a minha esperança;
ó Mãe de Deus, guarda-me sob a tua proteção».
Depoimentos de Santos Escritores Orientais da Antigüidade sobre a devoção a Bem Aventurada Virgem Maria.
São Cirilo de Alexandria (430): Doutor da Igreja, enaltecendo a maternidade de Maria, assim diz:
«Salve, ó Maria, Mãe de Deus, Virgem e Mãe, estrela e vaso de eleição! Salve Maria, Virgem Mãe e serva; virgem na verdade, por virtude daquele que nascer de ti; mãe por virtude daquele que cobriste com panos e nutriste em teu seio; serva daquele que em ti tomou forma de serva».
São Tiago (521): Bispo de Batnã, assim exclama:
«Maria é o segundo céu, pois em seu seio o Senhor do céu dignou-se habitar. Ela é a bendita entre todas as mulheres, que rasgou o decreto da maldição que pesou sobre a humanidade. Ela é a pura, a humilde, irradiando fulgor de santidade, filha de Israel. escolhida Mãe do Rei da Glória, a fim de enriquecer o mundo sedento de vida».
São Rabula (436): Bispo de Edessa, elogiou Maria Mãe de Deus:
«Ave, Maria, Mãe de Deus, toda santa, esplendoroso e maravilhoso tesouro do mundo inteiro, luz irradiante, habitação daquele que não pode ser contido em lugar algum. Tu, ó Maria, és o templo puríssimo do Criador de todas as coisas. Ave, ó Maria, porque por teu intermédio nos foi anunciado aquele que, remindo-nos, tirou o pecado do mundo. Ó Virgem Santa, intercede junto do Filho pelos pecadores que em ti confiam».
São Baloi (460): Bispo da Síria, cantou as glórias da Virgem Nossa Senhora:
«Bem-aventurada és Tu, ó Maria, porque em Ti encontraram solução os enigmas e mistérios anunciados pelos profetas. Beata és Tu, ó Maria, porque com teu leite alimentaste o próprio Deus, o qual em sua misericórdia se fez pequeno a fim de tornar grandes. os pequenos. Glória seja dada a Ti. ó Maria, nosso refúgio! Glória a Ti. nossa honra, porque por teu intermédio a nossa raça foi elevada até o céu. Suplica a Deus, nascido de Ti que mande paz e calma à sua Igreja».
Fonte:
Nova Aurora. São Paulo, 1980
Veja também:
A Doce Vitória de Maria: uma entrevista com SS. Bartolomeu I, Patriarca Ecumênico, sobre o Hino Akathistos.
Akathistos: Hino Litúrgico Bizantino à Santa Mãe de Deus
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