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  SINAXE - Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas  

24 de Junho:

 
 
 
 
 
 
 

Natividade do Grande Profeta e Glorioso Precursor São João Batista

Apolitikion da Festa

Profeta e precursor da vinda de Cristo,
não te podemos louvar dignamente,
nós que te veneramos com amor;
pois, por teu venerável e glorioso nascimento,
a esterilidade de tua mãe e o mutismo de teu pai
cessaram, enquanto a encarnação do Filho de Deus
era anunciada ao mundo.

Prokimenon (7º tom)

O justo alegra-se no Senhor
e celebrai a sua memória santa. (Sl 97, 12)

Que os teus ouvidos estejam atentos
à voz da minha súplica. (Sl 130, 2)

EPÍSTOLA

[Rm 13, 11b-14; 4]

Leitura da Epístola do Apóstolo São Paulo aos Romanos

rmãos, a nossa salvação está agora mais próxima do que quando abraçamos a fé. A noite já vai adiantada e o dia vem chegando. Despojemo-nos, pois, das obras das trevas e vistamos as armas da luz. Procedamos honestamente, como de dia, não vivendo em orgias e bebedeiras, em concubinato e libertinagem, em rixas e ciúmes. Ao contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não façais caso da carne para lhe satisfazer os apetites. Acolhei o fraco na fé com bondade, sem discutir-lhe as opiniões. Um crê poder comer de tudo. Outro, que é fraco, só come legumes. Quem come de tudo, não despreze quem não come. Quem não come, não julgue aquele que come, porque Deus o acolhe do mesmo modo. Quem és tu para julgares o servo alheio? É para seu amo que cai ou fica em pé. Mas ele ficará em pé, pois poderoso é o Senhor para sustentá-lo.

Aleluia (1º tom)

Aleluia, aleluia, aleluia!

Bendito seja o Senhor, Deus de Israel,
porque visitou o seu povo e o libertou. (Lc l, 68)
Aleluia, aleluia, aleluia!

E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo,
porque irás à frente do Senhor, preparando os seus caminhos. (Lc l, 76)
Aleluia, aleluia, aleluia!

Evangelho

[Lc 1, 24-25; 57-69; 76-80]

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo o Evangelista São Lucas

uitos tentaram escrever a história dos fatos ocorridos entre nós, assim como nos transmitiram aqueles que, desde o início, foram testemunhas oculares e, depois, se tornaram ministros da palavra. Diante disso, decidi também eu, caríssimo Teófilo, escrever-te, de modo bem organizado, depois de ter investigado tudo cuidadosamente desde as origens, para que conheças a solidez dos ensinamentos que recebeste. No tempo de Herodes, rei da Judéia, havia um sacerdote, chamado Zacarias, da classe de Abias. Sua esposa era descendente de Aarão e chamava­-se Isabel. Ambos eram justos diante de Deus e cumpriam fielmente todos os mandamentos e preceitos do Senhor. Não tinham filhos, pois Isabel era estéril, e os dois eram de idade avançada. Ao exercer as funções sacerdotais diante de Deus, quando era a vez de sua classe, conforme o costume dos sacerdotes, Zacarias foi sorteado para entrar no Santuário do Senhor e fazer a oferenda do incenso. Nessa hora do incenso, todo o povo estava em oração, do lado de fora. Apareceu­-lhe, então, o anjo do Senhor, de pé, à direita do altar do incenso. Quando Zacarias o viu, ficou perturbado e cheio de medo. O anjo lhe disse: Não tenhas medo, Zacarias, porque o Senhor ouviu o teu pedido. Isabel, tua esposa, vai te dar um filho, e tu lhe porás o nome de João. Ficarás alegre e feliz, e muitos se alegrarão com seu nascimento. Ele será grande diante do Senhor. Não beberá vinho nem bebida fermentada; e, desde o ventre da mãe, ficará cheio de Espírito Santo. Ele reconduzirá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. Caminhará à frente deles, com o espírito e o poder de Elias, para fazer voltar o coração dos pais aos filhos e os rebeldes, à sabedoria dos justos; e para preparar um povo bem disposto para o Senhor. Zacarias disse ao anjo: Como posso ter certeza disso? Estou velho e minha esposa já tem uma idade avançada. O anjo respondeu-lhe: Eu sou Gabriel, aquele que está sempre na presença de Deus. Eu fui enviado para falar contigo e anunciar-te esta boa nova. E agora ficarás mudo e não poderás falar até o dia em que estas coisas acontecerem, porque não acreditaste nas minhas palavras que se cumprirão no tempo certo. O povo estava esperando Zacarias e se admirava com sua demora no Santuário. Quando saiu, ele não podia falar, e r perceberam que ele teve uma visão no Santuário. Zacarias se comunicava com eles por meio de gestos e permanecia mudo.

Passados os dias do seu serviço litúrgico, ele voltou para casa. Algum tempo depois, sua esposa Isabel ficou grávida e permaneceu escondida durante cinco meses: ela dizia: Assim o Senhor fez comigo nestes dias: ele dignou-se acabar com a minha vergonha diante das pessoas. Quando se completou o tempo da gravidez, Isabel deu à luz um filho. Os vizinhos e os parentes ouviram quanta misericórdia o Senhor tinha demonstrado a Isabel, e se alegravam com ela. No oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar­-lhe o nome de seu pai, Zacarias. A mãe, porém, disse: Não. Ele vai se chamar João. Disseram-lhe: Ninguém entre os teus parentes é chamado com este nome! Por meio de sinais, então, perguntaram ao pai como ele queria que o menino se chamasse. Zacarias pediu uma tabuinha e escreveu: João é o seu nome! E todos ficaram admirados. No mesmo instante, sua boca se abriu, sua língua se soltou, e ele começou a louvar a Deus. Todos os vizinhos se encheram de temor, e a notícia se espalhou por toda a região montanhosa da Judéia. Todos os que ouviram a notícia ficavam pensando: Que vai ser este menino? De fato, a mão do Senhor estava com ele. Zacarias, seu pai, cheio de Espírito Santo, profetizou dizendo: Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e libertou o seu povo. E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque irás à frente do Senhor, preparando os seus caminhos. O menino crescia e seu espírito se fortalecia. Ele vivia nos desertos, até o dia de se apresentar publicamente diante de Israel.

 

 

o dia 24 de junho, os cristãos do Oriente e do Ocidente celebram o nascimento de São João Batista. Também coincide, nas duas tradições, a data em que se celebra o seu martírio em 29 de agosto. No Oriente bizantino, porém, as comemorações do grande Profeta e Precursor são sem dúvida mais numerosas.

Com relação ao nascimento, os calendários bizantinos assinalam, no dia 23 de setembro, a data da concepção do "glorioso Profeta, Precursor João, o que batizou Jesus no Jordão". Antigamente também os martirológios latinos registravam essa comemoração em 24 de setembro; porém a partir do século XV foi abolida.

Na tradição oriental é comum iconografar São João Batista na forma de um Anjo. Com efeito "era mais que um homem", como diz o evangelho, e a palavra "mensageiro" em grego aggeloV coincide com nossa tradução". Sendo um dos santos mais venerados no Oriente bizantino, é compreensível que muitas sejam as formas de representá-lo em ícones: encontramo-lo representado sozinho, ou em episódios da sua vida, especialmente o da sua decapitação.

João é filho de Zacarias que, por causa de sua pouca fé, tornou-se mudo, e de Isabel, aquela que era estéril. O nascimento de João Batista anuncia a chegada dos tempos messiânicos, nos quais a esterilidade se tornará fecundidade e o mutismo, exuberância profética.

O evangelho lhe dá o cognome de."Batista", porque ele anuncia um novo rito de ablução (Mt 3,13-17), na qual o batizado não imerge sozinho na água, como nos ritos e nos batismos judaicos, mas recebe a água das mãos de um ministro. João pretendia mostrar assim que o homem não se pode purificar sozinho, mas que toda santidade vem de Deus.

João Batista é também lembrado como um homem de grande mortificação. Talvez tenha ele sido iniciado esta disciplina nas comunidades religiosas do deserto. Mas a tradição lembra, sobretudo seu caráter profético. Ele é profeta por um duplo titulo. Antes de tudo é profeta no sentido em que essa palavra era entendida no Antigo Testamento; aliás, João é o maior dos profetas de Israel, porque pôde apontar o objeto de suas profecias (Mt 11,7-15; Jo 1,19­28). Para realçar essa pertença de João à grande descendência dos profetas do Antigo Testamento, Lucas nos narra seu nascimento, permitindo ver através dele o perfil das grandes vocações dos antigos profetas.

Mas o profeta não é apenas o anunciador do futuro messiânico; é essencialmente o portador da palavra de Deus e a testemunha da presença dessa Palavra criadora no mundo novo.

Ele aponta para os futuros discípulos de Cristo a quem esses deveriam seguir. Mostra o Cordeiro e orienta que o sigam.


Fonte:

«O Ano Litúrgico Bizantino». DONADEO, Madre Maria, Ed. Ave-Maria

 

 
       
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