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«A Grande Quinta-feira Santa» Divina Liturgia de S. Basílio, o Grande Na Quinta-feira - Divina Liturgia da Ceia do Senhor Nesse dia recordamos como Nosso Senhor, preparando-se para oferecer Si mesmo como Sacerdote e Vítima, revelou aos Seus santos apóstolos os Sagrados Mistérios: Seu Corpo e Sangue, partidos e derramados para a vida do mundo. A Divina Liturgia de São Basílio Magno é celebrada em conjunto com Vésperas, com especial recordação orante do dom do santo sacerdócio. A noite, Matinas com a leitura dos Doze Evangelhos da Paixão: 1 - Jo 13, 31-18,1 As cerimônias do dia são: 1. Ofício do "Orthros" - (Laudes) que se reza na Quarta-feira à noite; 2. Bênção do óleo com o qual os sacerdotes ungem a fronte dos que vão comungar após terem confessado seus pecados; 3. Bênção do santo óleo do Crisma. usado na administração do Sacramento da Santa Unção Crismal. Este ofício é reservado ao Patriarca; 4. Ofício de Vésperas e Liturgia de São Basílio; 5. Depois da Divina Liturgia, nas igrejas catedrais, cerimônia do lava-pés na qual o bispo lava os pés de 12 sacerdotes, como o Senhor lavou os pés de seus discípulos; 6. Ofício da Paixão, considerado como Orthros de Sexta-feira Santa e que é realizado, portanto, à noite. No Ofício de Vésperas: Ex. 19, 10-20 Na Divina Liturgia: Epístola: 1Cor 11,23-32 Evangelho: Chamado da« Nova Aliança». Trechos tirados de Mateus, João e Lucas: Mt 26, 1b-20; Jo 13, 3-17; Mt 26, 21-39; Lc 22, 43-45; Mt 26, 40-27,2 Prokimenon Os príncipes conspiraram Por que se enfureceram os gentios
Aleluia Aleluia, aleluia, aleluia! O Senhor reina, ele está revestido de majestade, Porque firmou a terra e ela não será abalada. Após o Evangelho, segue a Liturgia de São Basílio com as seguintes alterações: a) Em vez do Canto dos Querubins, do Kinonikón e do hino "Vimos a Verdadeira Luz", canta-se: "Na tua Ceia Mística..." b) Em vez de "Verdadeiramente é Digno e Justo", canta-se: "Ó Cheia de Graça"; c) A Bênção Final começa com: "Que o Cristo, nosso verdadeiro Deus, que na sua grande bondade, ao lavar os pés de seus discípulos, mostrando que a humildade é um excelente caminho e humilhou-se a si mesmo até à crucifixão e o sepultamento para a nossa salvação, tenha piedade de nós e salve-nos, pelas intercessões ...." Hirmos O Senhor Deus a nós se revelou; Kinonikon O Senhor Deus a nós se revelou;
«Quinta-Feira Santa» (a Última Ceia) "Jesus, sabendo que era chegada a hora de passar deste mundo para seu Pai, tendo amado os seus que estavam neste mundo, amou-os até o fim. . " (Jo 13, 1). Para compreender de fato a última Ceia, é preciso ver nela o desembocar deste grande movimento de amor divino que começou com a criação do mundo e que, agora, irá atingir sua plenitude na morte e na ressurreição do Cristo. "Deus é Amor" (Jo 4,8). E o primeiro dom do Amor foi a vida. Esta era essencialmente uma comunhão. Para viver, o homem devia se nutrir, comer e beber, comungar o mundo. O mundo era, pois, amor divino tornado alimento, tornado corpo do homem. Estando vivo, isto é, comungando o mundo, o homem devia estar em comunhão com Deus, fazer de Deus a finalidade e a substância de sua vida. Comungar o mundo recebido de Deus era, na verdade, comungar Deus. O homem recebia seu alimento de Deus e, transformando-o em seu corpo e sua vida, ele oferecia o mundo inteiro a Deus, ele o transformava em vida em Deus e com Deus. O amor de Deus havia dado a vida ao homem, o amor do homem por Deus transformava esta vida em comunhão com Deus. Era o Paraíso. A vida ali era de fato eucarística. Pelo homem, por seu amor por Deus, toda a criação devia ser santificada e transformada em sacramento universal da presença divina, e o homem era o padre deste sacramento. Mas, pelo pecado, o homem perdeu esta vida eucarística. Ele a perdeu, porque deixou de olhar o mundo como um meio de comunhão com Deus e sua vida como uma eucaristia, uma adoração e um louvor... ele amou-se a si próprio e ao mundo em si mesmo; ele se fez centro e fim de sua própria vida. Ele imaginou que a fome a sede, quer dizer, o estado de dependência no qual se encontrava sua vida com relação ao mundo, poderiam ser satisfeitas pelo próprio mundo, pelo alimento como tal. Mas o mundo e o alimento, se forem despojados de seu sentido primordial de sacramentos, ou seja, meios para comunhão com Deus, se não forem acolhidos com fome e sede de Deus; em outras palavras, se Deus não está mais ali, o mundo e o alimento não podem mais dar a vida, nem satisfazer fome alguma, pois eles não têm a vida em si mesmos. Amando-os por eles mesmos, o homem desviou seu amor do único objeto de todo amor, de toda fome, de todo desejo... e ele morreu. Porque a morte é a inevitável "decomposição" da vida amputada de sua única fonte e daquilo que lhe dá seu sentido. O homem encontra a morte ali onde ele esperava encontrar a vida. Sua vida tornou-se uma comunhão com a morte, porque em lugar de transformar o mundo em comunhão com Deus pela fé, pelo amor e pela adoração, ele submete-se inteiramente ao mundo; ele deixou de ser o padre para tornar-se o escravo dele. E por este pecado do homem, o mundo inteiro tornou-se um cemitério onde os povos, condenados à morte, comungam a morte, "plantados nas trevas da morte" (Mt 4, 16).
O homem traiu, mas Deus permaneceu fiel ao homem. Como nós dizemos na Liturgia de São Basílio: "Tu não rejeitaste para sempre a criatura que afeiçoaste, Ó Deus de bondade, nem esqueceste a obra de Tuas mãos; mas Tu a visitaste de várias maneiras na ternura de Teu coração." Uma nova obra divina ia começar: a da redenção e da salvação. Ela se cumpriria no Cristo, o Filho de Deus, que para dar outra vez ao homem sua beleza original e devolver à sua vida o caráter de comunhão com Deus, se fez homem, tomou sobre Si nossa natureza, com sua sede e sua fome, com seu desejo e amor pela vida. Nele, a vida foi revelada, dada, aceita, cumprida como uma perfeita eucaristia, uma total e perfeita comunhão com Deus. O Cristo rejeitou a tentação fundamental do homem, "viver somente do pão," e revelou que é Deus e seu Reino que são o verdadeiro alimento, a verdadeira vida do homem. E desta perfeita vida eucarística, repleta de Deus, portanto divina e imortal, ele faz dom a todos aqueles cuja vida encontra nele todo seu sentido e seu conteúdo. Tal é a rica significação da última Ceia. O Cristo se oferece como alimento verdadeiro do homem, pois a vida manifestada nele é a verdadeira vida. Assim, o movimento de amor que começa no Paraíso com o divino "tomai e comei. . " (porque se nutrir é a vida do homem) atinge sua plenitude com o "Tomai e comei" do Cristo (porque Deus é a vida do homem). A última Ceia recria o Paraíso de delícias, restaura a vida enquanto eucaristia e comunhão. Esta hora de amor extremo é também a da mais extrema traição. Judas deixa a luz da câmara alta para afundar-se dentro da noite. "Era de noite" (Jo 13, 30). Por que ele parte? "Ele ama," responde o Evangelho, e os hinos da Quinta-feira santa sublinham diversas vezes este amor fatal. Importa pouco, com efeito, que este amor consista no "dinheiro." O dinheiro aqui, simboliza todo amor pervertido e desviado que leva o homem a trair a Deus. É um amor roubado a Deus e Judas é, pois, o "ladrão." O homem, mesmo se não é mais Deus ou em Deus que ele ama, não cessa de amar e de desejar, pois ele foi criado para o amor, e o amor é a sua própria natureza; mas é então uma paixão cega e auto-destrutiva e a morte é dela o fim. A cada ano, quando nos afogamos nesta luz e nesta profundeza insondáveis da grande Quinta-feira, a mesma questão crucial nos é colocada: respondo ao amor do Cristo e aceito que ele se torne minha vida, ou serei eu o Judas na Sua noite? Os ofícios da grande Quinta-feira compreendem: as matinas, as vésperas seguidas da Liturgia de São Basílio, o Grande. Nas igrejas catedrais, o lava-pés tem lugar após à Liturgia; enquanto o Diácono lê o Evangelho, o bispo lava os pés de doze padres, nos relembrando que é o amor do Cristo que é o fundamento da vida na Igreja e que, no seio desta, está o modelo de toda relação. É também nesta grande Quinta-feira que os santos óleos são consagrados pelos chefes das Igrejas autocéfalas; esta cerimônia significa que o amor novo do Cristo é o dom que recebemos do Espírito no dia de nossa entrada na Igreja. Nas matinas, o tropário dá o tema do dia: a oposição entre o amor do Cristo e o desejo insaciável de Judas: «Enquanto que os gloriosos discípulos Depois da leitura do Evangelho (Lc 12, 1-40), o belo cânon de São Cosme nos introduz na contemplação do mistério da última Ceia, de seu lado místico e eterno. O hirmos da nona ode nos convida a tomar parte no banquete ao qual o Senhor nos convida: «Vinde, vós os crentes! Nas vésperas, os stykeroi sublinham o outro pólo, trágico, desta grande Quinta-feira, a traição de Judas: «Judas, como servidor, mostrou-se pérfido em suas obras; Após a Entrada, faz-se três leituras do Velho Testamento: 1. Êxodo 19:10-19 - A descida de Deus do monte Sinai em direção a seu povo, imagem da vinda de Deus na Eucaristia. 2. Jó 38, 1-24 e 42:1-5 - Fala de Deus a Jó, e resposta deste: "Eu falei sem compreensão de maravilhas que me ultrapassam e que eu ignoro..." — e estas maravilhas divinas são cumpridas no dom do Corpo de Cristo e de seu Sangue. 3. Is 50, 4-11 - Começo das profecias do Servo sofredor. A Epístola é tirada de São Paulo, 1Cor 11, 23-32; é o relato da última Ceia, dando o sentido da comunhão. A leitura do Evangelho (a mais longa do ano) é formada de trechos de quatro evangelistas e nos faz ouvir o relato completo da última Ceia, da traição de Judas e da prisão de Cristo no jardim. O hino dos Querubins e a antífona da comunhão são substituídos pelas palavras da oração antes da comunhão: «Recebe-me Senhor neste dia Fonte: O Mistério Pascal - Comentários Litúrgicos, Alexandre Schmémann, Olivier Clément
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