| |
|
|
«Domingo de Pentecostes»
A Igreja comemora neste dia, a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos reunidos no cenáculo com Maria, a Mãe de Jesus, e os outros discípulos do Senhor. É a festa do Espírito Santo e de seus dons abundantes que infundem no fiel penitente e humilde para torná-lo morada da Santíssima Trindade. Por isso, após a Divina Liturgia, ou Vésperas, faz-se o Rito de Adoração ou “Dobramento dos joelhos”, para implorar os dons do Espírito Santo.
Issodikon
Levanta-te, Senhor, com tua potência;
cantaremos e celebraremos o teu poder.
Salva-nos, ó Paráclito cheio de bondade,
a nós que a Ti cantamos: aleluia!
Apolitikion da Festa
Tu és bendito, ó Cristo nosso Deus,
que tornaste os pescadores cheios de sabedoria,
enviando-lhes o Espírito Santo,
e por eles enredaste o Universo.
Ó Tu, que amas a humanidade, glória a Ti!
Kondakion da Festa
Quando, outrora, desceu à terra o Altíssimo
confundiu as línguas e dispersou as nações,
Mas, quando distribuiu as línguas de fogo,
chamou a todos os povos à unidade.
Numa só voz, glorifiquemos o Espírito de toda santidade.
Triságion
Vós que fostes batizados em Cristo,
de Cristo vos revestistes. Aleluia! (3 vezes)
†Glória ao Pai...
... de Cristo vos revestistes. Aleluia!
Vós que fostes batizados em Cristo,
de Cristo vos revestistes. Aleluia!
Prokimenon
Pela palavra do Senhor firmaram-se os céus
e pelo espírito de sua boca todo o seu exército.
O Senhor olha do alto dos céus
e vê a todos os filhos dos homens.
EPÍSTOLA:
[At 2, 1-11]
Leitura do Livro dos Atos dos Santos Apóstolos
hegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu. Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua. Profundamente impressionados, manifestavam a sua admiração: Não são, porventura, galileus todos estes que falam? Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? Partos, medos, elamitas; os que habitam a Macedônia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia, a Frígia, a Panfília, o Egito e as províncias da Líbia próximas a Cirene; peregrinos romanos, judeus ou prosélitos, cretenses e árabes; ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus!
Aleluia
Aleluia, aleluia, aleluia!
Pela palavra do Senhor firmaram-se os céus
e pelo espírito de sua boca todo o seu exército.
Aleluia, aleluia, aleluia!
O Senhor olha do alto dos céus
e vê a todos os filhos dos homens.
Aleluia, aleluia, aleluia!
Evangelho
[Jo 7, 37-52; 8, 12]
Evangelho de Nosso Senhor Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São João
o último dia, que é o principal dia de festa, estava Jesus de pé e clamava: Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura: Do seu interior manarão rios de água viva (Zc 14,8; Is 58,11). Dizia isso, referindo-se ao Espírito que haviam de receber os que cressem nele, pois ainda não fora dado o Espírito, visto que Jesus ainda não tinha sido glorificado. Ouvindo essas palavras, alguns daquela multidão diziam: Este é realmente o profeta. Outros diziam: Este é o Cristo. Mas outros protestavam: É acaso da Galiléia que há de vir o Cristo? Não diz a Escritura: O Cristo há de vir da família de Davi, e da aldeia de Belém, onde vivia Davi? Houve por isso divisão entre o povo por causa dele. Alguns deles queriam prendê-lo, mas ninguém lhe lançou as mãos. Voltaram os guardas para junto dos príncipes dos sacerdotes e fariseus, que lhes perguntaram: Por que não o trouxestes? Os guardas responderam: Jamais homem algum falou como este homem!... Replicaram os fariseus: Porventura também vós fostes seduzidos? Há, acaso, alguém dentre as autoridades ou fariseus que acreditou nele? Este poviléu que não conhece a lei é amaldiçoado!... Replicou-lhes Nicodemos, um deles, o mesmo que de noite o fora procurar: Condena acaso a nossa lei algum homem, antes de o ouvir e conhecer o que ele faz? Responderam-lhe: Porventura és também tu galileu? Informa-te bem e verás que da Galiléia não saiu profeta.
Falou-lhes outra vez Jesus: Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.
Hirmos
A ti, que concebeste sem sofrer corrupção,
e deste corpo ao Verbo, autor de todas as coisas,
ó Mãe Virgem, ó Virgem Mãe de Deus,
receptáculo daquele que não pode ser ocultado,
morada de nosso Criador infinito, nós te glorificamos!
Kinonikon
O teu bom Espírito me conduzirá
pela terra da retidão.
Aleluia, aleluia, aleluia!
OBS.:.:
- Em vez de “Vimos a verdadeira luz...”, canta-se o Apolitikion da festa;
- Bênção Final: “...Que enviou do céu seu Espírito Santo sobre seus santos discípulos e apóstolos sob forma de línguas de fogo...”
- Encerra-se a festa no sábado seguinte.
O PENTECOSTES
ra o qüinquagésimo (em grego: pentikosti) dia após a Páscoa judaica, mas também o qüinquagésimo dia após a Ressurreição de Cristo. Era o dia em que os judeus comemoravam com uma grande festa a entrega das tábuas da Lei a Moisés sobre o monte Sinai; assim, Jerusalém estava repleta de estrangeiros, judeus vindos de todas as partes do mundo então conhecido - eram chamados a «Diáspora» - para celebrar a festa. Alguns dias antes, os discípulos «reunidos em número de cerca de cento e vinte pessoas» à volta dos Apóstolos e da Mãe de Jesus haviam procedido, conforme a proposta de Pedro, à substituição de Judas com a escolha de um décimo segundo apóstolo: foram indicados dois discípulos - José, o Justo e Mathias - que haviam acompanhado os apóstolos desde o batismo de João até o dia da Ascensão e que podiam, portanto, ser testemunhas de Sua Ressurreição; após terem orado, a fim de que o Senhor «mostrasse qual dos dois havia de ser escolhido», tiraram a sorte e esta apontou a Mathias. Esses discípulos aguardavam em Jerusalém, como Jesus lhes havia instruído, a vinda desse «outro Consolador» que o Mestre lhes prometera antes de Sua Ascensão. Espera repleta de uma esperança radiosa. Eles iriam enfim conhecer Aquele de quem Jesus havia dito:
«Convém a vós que eu vá; porque se eu não for o Consolador não virá a vós, mas se eu for envia-lo-ei» (Jo16, 7).
Já que Jesus havia partido, já que agora Ele estava sentado à direita do Pai (Mc 16, 19), Ele guardaria a Sua promessa. E, portanto, no dia em que Moisés lhes dera a Lei, Jesus vem lhes dar o Espírito, pois «a Lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo». (Jo 1,17) 1
Cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; 2 e, de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. 3E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. 4E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. 5E em Jerusalém estavam habitando judeus, varões religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. 6E, correndo aquela voz, ajuntou-se uma multidão e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua. 7E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! Não são galileus todos esses homens que estão falando? 8Como pois os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos? 11Cretenses, e árabes, todos os temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus. 12E todos se maravilhavam e estavam suspensos, dizendo uns para os outros: Que quer isto dizer? 13E outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto. 14Pedro, porém, pondo-se em pé com os onze, levantou a voz e disse-lhes: Varões judeus e todos os que habitais em Jerusalém, seja-vos isto notório, e escutai as minhas palavras. 15Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, sendo esta a terceira hora do dia. 16Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel:
E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos; 19e farei aparecer prodígios em cima no céu e sinais em baixo na terra: sangue, fogo e vapor de fumaça. 20O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes de chegar o grande e glorioso Dia do Senhor; 21e acontecerá que todo aquele que invocar o Nome do Senhor será salvo. (At 2, 1-8; 11-17; 19-21)
E Pedro exaltava o nome de Jesus, o Nazareno: «esse homem ... que tomando-o, vós o crucificastes e matastes pelas mãos de injustos (os romanos); ao qual Deus ressuscitou, soltas as cadeias da morte (textualmente: o Hades)...» (At 2, 22-24).
Davi vira com antecedência essa vitória e anunciara a Ressurreição do Cristo (Sl 16) e, com efeito, não foi abandonado no Hades e sua carne não viu a corrupção (cf. At 2, 25-27):
«Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas. De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis ... Saiba pois, com certeza, toda a casa de Israel, que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo ... Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo; porque a promessa vos diz respeito a vós, aos vossos filhos, e a todos os que estão longe»... «De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase 3 mil almas» (At 2, 32-33; 36; 38-39; 41).
Esse é o relato do Pentecostes que nos é feito por Lucas no segundo capítulo dos Atos dos Apóstolos e que nós relembramos com alegria ao cantar o «Tropário de Pentecostes»:
Tu és bendito, ó Cristo Nosso Deus,
que enchestes os pescadores do lago de sabedoria
enviando-lhes o Espírito Santo.
Por eles, Tu tomastes o Universo em sua rede.
Glória a Ti, ó Amigo do Homem!
Tropário de Pentecostes (8º Tom):
Esse relato nos leva, sem duvida, a colocar algumas perguntas que permitirão aprofundar e meditar sobre o texto bíblico: - Por que se diz que «as línguas de fogo dividiam-se e pousavam sobre cada um deles?»
O dom do Espírito Santo é pessoal, ou seja, é recebido pessoalmente por cada um dos discípulos. E, no entanto, há apenas um Espírito Santo. É o mesmo Fogo divino que desce sobre todos (relembremos o Fogo do céu que, no tempo de Elias, desceu sobre sua oferenda), mas Ele divide-se para mostrar que cada um recebe esse Espírito Único.
— Também em Babel as línguas foram divididas! Exatamente! O que se passa no Pentecostes é exatamente o contrário do que se passou em Babel. Em Babel, por orgulho, foram as línguas dos homens que se dividiram, de modo que eles não se compreendiam mais e foram, por isso, divididos, separados, dispersos. Em Pentecostes é o dom de Deus que se divide para estender-se a cada um e reuni-los a todos: a partir desse momento os homens que receberam o Espírito Santo anunciam todos a mesma palavra, a Palavra de Deus, e fazem-se compreender por todos os homens pois falam todas as línguas. As barreiras lingüísticas são ultrapassadas pela Palavra do Deus Único, tornada compreensível a todos pelo dom das línguas. É o que nos explica o kondakion [1] de Pentecostes:
Quando o Altíssimo desceu para confundir as línguas,
dispersou os gentios;
quando partilhou as línguas de fogo,
Ele nos chamou a unidade.
Com uma única voz, louvemos o Espírito Santo.
kondakion [1] de Pentecostes:
— Por que as línguas de fogo não desceram sobre todos os homens, mas apenas sobre os discípulos? Elas desceram sobre aqueles que Jesus havia preparado para receber o Espírito Santo, sobre aqueles que estavam reunidos, com um único coração, na fé do Senhor Jesus Ressuscitado: é necessário crer no Doador para receber o dom. O Espírito não desceu sobre o mundo todo. «O Espírito de Verdade que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece» (Jo14, 17) Ele desceu sobre aqueles que o Senhor Jesus havia reunido porque creram n'Ele. Ele desceu sobre a Igreja. Certamente um dom pessoal, que cada um recebeu em particular, mas porque estavam unidos, em comunhão - e justamente «no dia de Pentecostes estavam todos reunidos no mesmo lugar» (At 2, 1) - e sofreram uma transformação radical: repentinamente tomaram consciência da Palavra de Deus em seu seio e puseram-se a comunicar em todas as línguas as maravilhas de Deus. Donde o discurso de Pedro anunciando com audácia a Ressurreição do Crucificado àqueles mesmos que O crucificaram.
O Pentecostes continua. A descida do Espírito Santo perpetua-se depois, vindo consagrar os testemunhos da Ressurreição do Cristo, até o final dos tempos, como testemunha São Simeão, o Novo Teólogo, no século X:
«Eu ouvi certa vez de um hieromonge, que me confidenciou que jamais iniciara os ofícios litúrgicos sem antes ter visto o Espírito Santo, da mesma forma que O vira quando o metropolita pronunciara sobre ele a oração de consagração e que o santo Evangelho fora colocado sobre sua cabeça. Eu lhe perguntei como O vira, sob que forma? Ele disse: 'Primitivo e sem forma, todavia como uma luz'. E quando eu próprio vi o que jamais havia visto antes, fui surpreendido e comecei a refletir: 'o que poderia ser isto'. Então, misteriosamente, mas com uma voz clara, Ele me disse: 'Eu desço assim sobre todos os profetas e apóstolos, como também sobre todos os atuais eleitos de Deus e dos santos; pois Eu sou o Espírito Santo' [2]
Bem, essa assembléia dos testemunhos da Ressurreição do Cristo, esses eleitos atuais de Deus que o Espírito Santo consagra à Igreja, e cada um de nós, é chamado a ser um desse eleitos. A Igreja é o Pentecostes que continua. [3]
«Não fostes vós que me escolhestes; eu vos escolhi, e vos destinei a ir e dar fruto, um fruto que permaneça; assim, o que pedirdes ao Pai em meu nome, eu vo-lo concederei.» Jo 16.
Notas:
[1] Kondákion: pequeno cântico (kondós em grego = curto) cantado após a sexta ode das Matinas e durante a Pequena Entrada, na Liturgia e que resume o sentido da festa.
[2] Simeão o Novo Teólogo, Sermão 184, Sermões, traduzido do russo, t.II, pp.569-570.4
[3] Igreja: em grego Ecclesia, a assembléia daqueles que são convocados, chamados.
Fonte:
Extraído do livro “Dieu est Vivant” - Editions du Cerf, 1979
Veja Também: «Meditando com os Ícones: Pentecostes»
|
|
 |