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Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas  Domingo, 16 de junho de 2019:
 
 
 

PENTECOSTES:
«A Festa da Santíssima Trindade»

(8º Domingo da Páscoa - Modo grave)

Memória de São Tikhon, arcebispo de Amato, no Chipre (+425).

A Igreja comemora neste dia, a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos reunidos no cenáculo com Maria, a Mãe de Jesus, e os outros discípulos do Senhor. É a festa do Espírito Santo e de seus dons abundantes que infundem no fiel penitente e humilde para torná-lo morada da Santíssima Trindade. Por isso, após a Divina Liturgia, ou Vésperas, faz-se o RITO DE ADORAÇÃO OU «DOBRAMENTO DOS JOELHOS», para implorar os dons do Espírito Santo.

Matinas

Evangelho

[Jo 20: 19-23]

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São João.

aquele tempo, chegada a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco! E, dizendo isto, mostrou-lhes as suas mãos e o lado. De sorte que os discípulos se alegraram, vendo o Senhor. Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. «queles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos.

Divina Liturgia

Issodikon

Levanta-te, Senhor, com tua potência;
cantaremos e celebraremos o teu poder.

Salva-nos, ó Paráclito cheio de bondade,
a nós que a Ti cantamos: aleluia!

Apolitikion da Festa

Tu és bendito, ó Cristo nosso Deus,
que tornaste os pescadores cheios de sabedoria,
enviando-lhes o Espírito Santo,
e por eles enredaste o Universo.
Ó Tu, que amas a humanidade, glória a Ti!

Kondakion da Festa

Quando, outrora, desceu à terra o Altíssimo
confundiu as línguas e dispersou as nações,
Mas, quando distribuiu as línguas de fogo,
chamou a todos os povos à unidade.
Numa só voz, glorifiquemos o Espírito de toda santidade.

Triságion

Vós que fostes batizados em Cristo,
de Cristo vos revestistes. Aleluia!

Prokimenon

Por toda a terra espalhou-se a sua voz,
e até aos confins do mundo foram as suas palavras.

Os céus narram a glória de Deus;
e o firmamento anuncia a obra de suas mãos.

EPÍSTOLA

[At 2: 1-11]

Livro dos Atos dos Apóstolos.

hegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu. Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua. Profundamente impressionados, manifestavam a sua admiração: Não são, porventura, galileus todos estes que falam? Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? Partos, medos, elamitas; os que habitam a Macedônia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia, a Frígia, a Panfília, o Egito e as províncias da Líbia próximas a Cirene; peregrinos romanos, judeus ou prosélitos, cretenses e árabes; ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus!

Aleluia

Pela palavra do Senhor firmaram-se os céus
e pelo espírito de sua boca todo o seu exército.

O Senhor olha do alto dos céus
e vê a todos os filhos dos homens.

Evangelho

[Jo 7: 37-52; 8: 12]

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São João.

aquele tempo, no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre. E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado. Então muitos da multidão, ouvindo esta palavra, diziam: Verdadeiramente este é o Profeta. Outros diziam: Este é o Cristo; mas diziam outros: Vem, pois, o Cristo da Galiléia? Não diz a Escritura que o Cristo vem da descendência de Davi, e de Belém, da aldeia de onde era Davi? Assim entre o povo havia dissensão por causa dele. E alguns deles queriam prendê-lo, mas ninguém lançou mão dele. E os servidores foram ter com os principais dos sacerdotes e fariseus; e eles lhes perguntaram: Por que não o trouxestes? Responderam os servidores: Nunca homem algum falou assim como este homem. Responderam-lhes, pois, os fariseus: Também vós fostes enganados? Creu nele porventura algum dos principais ou dos fariseus? Mas esta multidão, que não sabe a lei, é maldita. Nicodemos, que era um deles (o que de noite fora ter com Jesus), disse-lhes: Porventura condena a nossa lei um homem sem primeiro o ouvir e ter conhecimento do que faz? Responderam eles, e disseram-lhe: És tu também da Galiléia? Examina, e verás que da Galiléia nenhum profeta surgiu. Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.

Hirmos

A ti, que concebeste sem sofrer corrupção,
e deste corpo ao Verbo, autor de todas as coisas,
ó Mãe Virgem, ó Virgem Mãe de Deus,
receptáculo daquele que não pode ser ocultado,
morada de nosso Criador infinito, nós te glorificamos!

Kinonikon

O teu bom Espírito me conduzirá
pela terra da retidão. Aleluia, aleluia, aleluia!

OBS.:

  1. Em vez de “Vimos a verdadeira luz...”, canta-se o Apolitikion da festa;
  2. Bênção Final: “...Que enviou do céu seu Espírito Santo sobre seus santos discípulos e apóstolos sob forma de línguas de fogo...”
  3. Encerra-se a festa no sábado seguinte.

O PENTECOSTES

ra o qüinquagésimo (em grego: pentikosti) dia após a Páscoa judaica, mas também o qüinquagésimo dia após a Ressurreição de Cristo. Era o dia em que os judeus comemoravam com uma grande festa a entrega das tábuas da Lei a Moisés sobre o monte Sinai; assim, Jerusalém estava repleta de estrangeiros, judeus vindos de todas as partes do mundo então conhecido - eram chamados a «Diáspora» - para celebrar a festa. Alguns dias antes, os discípulos «reunidos em número de cerca de cento e vinte pessoas» à volta dos Apóstolos e da Mãe de Jesus haviam procedido, conforme a proposta de Pedro, à substituição de Judas com a escolha de um décimo segundo apóstolo: foram indicados dois discípulos - José, o Justo e Mathias - que haviam acompanhado os apóstolos desde o batismo de João até o dia da Ascensão e que podiam, portanto, ser testemunhas de Sua Ressurreição; após terem orado, a fim de que o Senhor «mostrasse qual dos dois havia de ser escolhido», tiraram a sorte e esta apontou a Mathias. Esses discípulos aguardavam em Jerusalém, como Jesus lhes havia instruído, a vinda desse «outro Consolador» que o Mestre lhes prometera antes de Sua Ascensão. Espera repleta de uma esperança radiosa. Eles iriam enfim conhecer Aquele de quem Jesus havia dito:

«Convém a vós que eu vá; porque se eu não for o Consolador não virá a vós, mas se eu for envia-lo-ei» (Jo16, 7).

Já que Jesus havia partido, já que agora Ele estava sentado à direita do Pai (Mc 16, 19), Ele guardaria a Sua promessa. E, portanto, no dia em que Moisés lhes dera a Lei, Jesus vem lhes dar o Espírito, pois «a Lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo». (Jo 1,17) 1

Cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; e, de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. E em Jerusalém estavam habitando judeus, varões religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. E, correndo aquela voz, ajuntou-se uma multidão e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua. E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! Não são galileus todos esses homens que estão falando? Como pois os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos? Cretenses, e árabes, todos os temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus. E todos se maravilhavam e estavam suspensos, dizendo uns para os outros: Que quer isto dizer? E outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto. Pedro, porém, pondo-se em pé com os onze, levantou a voz e disse-lhes: Varões judeus e todos os que habitais em Jerusalém, seja-vos isto notório, e escutai as minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, sendo esta a terceira hora do dia. Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: «E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos; e farei aparecer prodígios em cima no céu e sinais em baixo na terra: sangue, fogo e vapor de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes de chegar o grande e glorioso Dia do Senhor; 21e acontecerá que todo aquele que invocar o Nome do Senhor será salvo». (At 2, 1-8; 11-17; 19-21)

E Pedro exaltava o nome de Jesus, o Nazareno: «esse homem ... que tomando-o, vós o crucificastes e matastes pelas mãos de injustos (os romanos); ao qual Deus ressuscitou, soltas as cadeias da morte (textualmente: o Hades)...» (At 2, 22-24).

Davi vira com antecedência essa vitória e anunciara a Ressurreição do Cristo (Sl 16) e, com efeito, não foi abandonado no Hades e sua carne não viu a corrupção (cf. At 2, 25-27): «Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas. De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis ... Saiba pois, com certeza, toda a casa de Israel, que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo ... Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo; porque a promessa vos diz respeito a vós, aos vossos filhos, e a todos os que estão longe»... «De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase 3 mil almas» (At 2, 32-33; 36; 38-39; 41).

Esse é o relato do Pentecostes que nos é feito por Lucas no segundo capítulo dos Atos dos Apóstolos e que nós relembramos com alegria ao cantar o «Tropário de Pentecostes»:

Tu és bendito, ó Cristo Nosso Deus,
que enchestes os pescadores do lago de sabedoria
enviando-lhes o Espírito Santo.
Por eles, Tu tomastes o Universo em sua rede.
Glória a Ti, ó Amigo do Homem!

Tropário de Pentecostes (Modo Plagal 4):

Esse relato nos leva, sem duvida, a colocar algumas perguntas que permitirão aprofundar e meditar sobre o texto bíblico: - Por que se diz que «as línguas de fogo dividiam-se e pousavam sobre cada um deles?»

O dom do Espírito Santo é pessoal, ou seja, é recebido pessoalmente por cada um dos discípulos. E, no entanto, há apenas um Espírito Santo. É o mesmo Fogo divino que desce sobre todos (relembremos o Fogo do céu que, no tempo de Elias, desceu sobre sua oferenda), mas Ele divide-se para mostrar que cada um recebe esse Espírito Único.

Também em Babel as línguas foram divididas! Exatamente! O que se passa no Pentecostes é exatamente o contrário do que se passou em Babel. Em Babel, por orgulho, foram as línguas dos homens que se dividiram, de modo que eles não se compreendiam mais e foram, por isso, divididos, separados, dispersos. Em Pentecostes é o dom de Deus que se divide para estender-se a cada um e reuni-los a todos: a partir desse momento os homens que receberam o Espírito Santo anunciam todos a mesma palavra, a Palavra de Deus, e fazem-se compreender por todos os homens pois falam todas as línguas. As barreiras lingüísticas são ultrapassadas pela Palavra do Deus Único, tornada compreensível a todos pelo dom das línguas. É o que nos explica o kondakion [1] de Pentecostes:

Quando o Altíssimo desceu para confundir as línguas,
dispersou os gentios;
quando partilhou as línguas de fogo,
Ele nos chamou a unidade.
Com uma única voz, louvemos o Espírito Santo.

kondakion [1] de Pentecostes:

Por que as línguas de fogo não desceram sobre todos os homens, mas apenas sobre os discípulos? Elas desceram sobre aqueles que Jesus havia preparado para receber o Espírito Santo, sobre aqueles que estavam reunidos, com um único coração, na fé do Senhor Jesus Ressuscitado: é necessário crer no Doador para receber o dom. O Espírito não desceu sobre o mundo todo. «O Espírito de Verdade que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece» (Jo14, 17) Ele desceu sobre aqueles que o Senhor Jesus havia reunido porque creram n'Ele. Ele desceu sobre a Igreja. Certamente um dom pessoal, que cada um recebeu em particular, mas porque estavam unidos, em comunhão - e justamente «no dia de Pentecostes estavam todos reunidos no mesmo lugar» (At 2, 1) - e sofreram uma transformação radical: repentinamente tomaram consciência da Palavra de Deus em seu seio e puseram-se a comunicar em todas as línguas as maravilhas de Deus. Donde o discurso de Pedro anunciando com audácia a Ressurreição do Crucificado àqueles mesmos que O crucificaram.

O Pentecostes continua. A descida do Espírito Santo perpetua-se depois, vindo consagrar os testemunhos da Ressurreição do Cristo, até o final dos tempos, como testemunha São Simeão, o Novo Teólogo, no século X:

«Eu ouvi certa vez de um hieromonge, que me confidenciou que jamais iniciara os ofícios litúrgicos sem antes ter visto o Espírito Santo, da mesma forma que O vira quando o metropolita pronunciara sobre ele a oração de consagração e que o santo Evangelho fora colocado sobre sua cabeça. Eu lhe perguntei como O vira, sob que forma? Ele disse: 'Primitivo e sem forma, todavia como uma luz'. E quando eu próprio vi o que jamais havia visto antes, fui surpreendido e comecei a refletir: 'o que poderia ser isto'. Então, misteriosamente, mas com uma voz clara, Ele me disse: 'Eu desço assim sobre todos os profetas e apóstolos, como também sobre todos os atuais eleitos de Deus e dos santos; pois Eu sou o Espírito Santo' [2]

Bem, essa assembléia dos testemunhos da Ressurreição do Cristo, esses eleitos atuais de Deus que o Espírito Santo consagra à Igreja, e cada um de nós, é chamado a ser um desse eleitos. A Igreja é o Pentecostes que continua. [3]

«Não fostes vós que me escolhestes; eu vos escolhi, e vos destinei a ir e dar fruto, um fruto que permaneça; assim, o que pedirdes ao Pai em meu nome, eu vo-lo concederei.» Jo 16.

Notas:

[1] Kondákion: pequeno cântico (kondós em grego = curto) cantado após a sexta ode das Matinas e durante a Pequena Entrada, na Liturgia e que resume o sentido da festa.

[2] Simeão o Novo Teólogo, Sermão 184, Sermões, traduzido do russo, t.II, pp.569-570.4

[3] Igreja: em grego Ecclesia, a assembléia daqueles que são convocados, chamados.

Fonte:

Dieu est Vivant. Paris: Ed. du Cerf, 1979

Veja Também: «Meditando com os Ícones: Pentecostes»

 

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