Portal Ecclesia
A Igreja Ortodoxa Atualizações e notícias Seleção de textos Subsidios homiléticos para Domingos e Grandes Festas Calendário litúrgico bizantino Galeria de Fotos Seleção de ícones bizantinos Clique aqui para enviar-nos seu pedido de oração Links relacionados Clique para deixar sua mensagem em nosso livro de visitas Contate-nos
 
 
Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas  Quarta-feira, 25 de dezembro de 2019:
 
 
 

Comemoração da Natividade, segundo a carne,
de Nosso Senhor, Deus e Salvador Jesus Cristo

(Modo Próprio)

Comemora-se também neste dia a Adoração dos Magos: Melchior, Gaspar e Baltazar; os Pastores de Belém que vigiavam seus rebanhos e vieram para ver o Senhor.

Matinas

Evangelho

[MT 1:18-25]

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São Mateus.

origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, comprometida em casamento com José, antes que coabitassem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. José, seu esposo, sendo justo e não querendo denunciá-la publicamente, resolveu repudia-la em segredo. Enquanto assim decidia, eis que o Anjo do Senhor' manifestou-se a ele em sonho, dizendo: "José, filho de Davi, não temas receber Maria tua mulher, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e tu o chamarás com o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo dos seus pecados”. Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor havia dito pelo profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e o chamarão com o nome de Emanuel, o que traduzido significa: "Deus está conosco". José, ao despertar do sono agiu conforme o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu em casa sua mulher. Mas não a conheceu até o dia em que ela deu à luz um filho. E ele o chamou com o nome de Jesus.

Divina Liturgia

Issodikon

Das minhas entranhas, eu te gerei
antes da estrela da manhã.
O Senhor jurou e não se arrependerá:
Tu és sacerdote para sempre,
segundo a ordem de Melquisedeque.

Salva-nos, ó Filho de Deus,
Tu que nasceste da Virgem,
a nós que a Ti cantamos: aleluia!

Apolitikion (Modo 4º)

Teu Nascimento, ó Cristo Deus,
fez brilhar no mundo a luz do conhecimento.
Nela os adoradores dos astros
aprenderam de um astro a adorar-te, Sol de Justiça,
e a reconhecer-te como o Oriente vindo do alto.
Senhor, glória a Ti!

Hipacoï (Modo 4º Pl.)

Ó Menino reclinado numa manjedoura,
o céu te ofereceu as primícias dos gentios,
chamando os magos pela estrela.
E estes ficaram assombrados,
não por cetros e tronos, mas pela pobreza extrema.
Que há, na verdade, de mais humilde que a gruta,
e de mais miserável que as faixas,
nas quais brilhou a riqueza de tua divindade?
Senhor, glória a Ti!

Kondakion (Modo 3º)

Hoje a Virgem dá à luz o Eterno
e a terra é uma gruta ao Inacessível.
Os anjos e os pastores louvam-no
e os magos com a estrela avançam.
Tu nasceste para nós, ó Menino,
Deus antes de todo tempo.

Triságion

Vós que fostes batizados em Cristo,
de Cristo vos revestistes. Aleluia! (3 vezes)

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,
agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.
De Cristo vos revestistes. Aleluia!

Vós que fostes batizados em Cristo ...

Prokimenon

Todos os habitantes da terra te adorem
e cantem em teu louvor.

Aclamai a Deus todos os habitantes da terra.

Epístola

[GL 4: 4-7]

Epistola do Apóstolo São Paulo aos Gálatas.

rmãos, quando, porém, chegou a plenitude do tempo, enviou Deus o seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a Lei, para resgatar os que estavam sob a Lei, a fim de que recebêssemos a adoção filial. E porque sois filhos, enviou Deus aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abba, Pai! De modo que já não és escravo, mas filho. E se és filho, és também herdeiro, graças a Deus.

Aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia!

Os céus publicam a glória de Deus
e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.
Aleluia, aleluia, aleluia!

Um dia ao outro transmite esta mensagem
e uma noite à outra a comunica.
Aleluia, aleluia, aleluia!

Evangelho

[MT 2: 1-12 ]

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São Mateus.

aquele tempo, Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que vieram magos do Oriente a Jerusalém, perguntando: "Onde está o rei dos judeus recém-nascido? Com efeito, vimos sua estrela no seu surgir e viemos homenageá-lo". Ouvindo isso, o rei Herodes ficou alarmado e com ele toda Jerusalém. E, convocando todos os chefes dos sacerdotes e os escribas do povo; procurou saber deles onde havia de nascer o Cristo. Eles responderam: "Em Belém da Judeia, pois é isto que foi escrito pelo profeta: E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és o menor entre os clãs de Judá, pois de ti sairá um chefe que apascentará Israel, o meu povo". Então Herodes mandou chamar secretamente os magos e procurou certificar-se com eles a respeito do tempo em que a estrela tinha aparecido. E, enviando-os a Belém, disse-lhes: "Ide e procurai obter informações exatas a respeito do menino e, ao encontrá-lo, avisai-me, para que também eu vá homenageá-lo". A essas palavras do rei, eles partiram. E eis que a estrela que tinham visto no céu surgir ia à frente deles até que parou sobre o lugar onde se encontrava o menino. Eles, revendo a estrela, alegraram-se imensamente. Ao entrar na casa, viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o homenagearam. Em seguida, abriram seus cofres e ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra. Avisados em sonho que não voltassem a Herodes, regressaram por outro caminho para a sua região.

Hirmos

Glorifica, ó minha alma,
aquela que é mais venerável
e mais gloriosa que os exércitos celestes.
Eu contemplo um mistério estranho e admirável:
a gruta tornou-se o Céu;
a Virgem, o trono dos Querubins;
e a manjedoura, um lugar honroso,
no qual repousa o incomensurável, Cristo Deus.
Louvemo-lo e glorifiquemo-lo!

Kinonikon

O Senhor enviou a redenção a seu povo;
estabeleceu para sempre a sua aliança.

Aleluia, aleluia, aleluia!

OBS.:

  • Em vez de Vimos a verdadeira luz... o Apolitikion do dia.
  • Na Bênção Final acrescenta-se: Que aquele que nasceu numa gruta e foi reclinado numa manjedoura para a nossa salvação, o Cristo ...

O povo que caminha nas trevas viu uma grande luz

Festa da Natividade do Senhor, celebrada nas Igrejas do Oriente e do Ocidente, marca o nascimento de Jesus, o Verbo de Deus feito homem, em Belém. Tal festa é antecedida por um tempo de preparação e jejum que se encerra na noite de 24 de dezembro. O jejum é substituído pelo banquete da festividade e da alegria pela Encarnação do Verbo. O Menino recém nascido, impossibilitado ainda de falar, é a encarnação da Palavra Divina.

Jesus

O que os Patriarcas, Profetas, Justos e Reis desejaram ver e não viram, contemplamos hoje: a realização do plano salvífico que, ao fazer-se homem, glorifica nossa natureza humana, fazendo-nos partícipes da natureza divina. A encarnação do Filho de Deus reconcilia os opostos e aproxima os pólos diversos da criação: reúne o Céu e a Terra, o tempo e a eternidade, anjos e pastores, astros e animais, a virgindade e a maternidade, pois Maria é verdadeiramente Virgem fecunda e Mãe intacta [...].

«O povo que caminha nas trevas
viu uma grande luz. Sobre os que habitam o país da sombra da morte, uma luz resplandece». (Is 9,1)

Na noite se manifesta a luz divina; mas para que Deus receba a vida humana é necessário que a humanidade aceite dar à luz na carne e no mundo obscuro. Por isso o menino pequeno não ocupa o centro do ícone. O SIM das bodas de Deus com a humanidade, a porta aberta à encarnação de Deus, é Maria, filha de Israel, mãe humana de Deus, coberta com a sombra do Espírito Santo, envolta num véu de cor púrpura do Espírito Santo, o Espírito dos sete dons, das sete chamas do fogo incriado.

A Virgem Mãe repousa no centro do ícone sobre a encosta de uma montanha. Representação da montanha messiânica, a que Deus dignou-se escolher como morada sua:

«Montanha Divina, Montanha de Basham,
Montanha escarpada, Montanha de Basham [...],
a montanha eleita de Deus como morada sua.
O Senhor habitará nela para sempre» (Sl 68,16-17)

Eu consagrarei a meu Rei sobre Sião,
meu santo Monte. (SL 2,6)

Mas esta Montanha se entrecruza com outras duas, formando uma estrutura que domina toda a cena. É uma expressão simbólica do Mistério da Santíssima Trindade, fundamento de nossa fé. A Virgem Mãe está recostada sobre uma magnífica tela vermelha amarrada nos extremos. Esta tela tem às vezes a forma do número oito horizontal que traçam os matemáticos como sinal de infinito. Assim representa o mundo transfigurado do Oitavo dia, o Dia Pascal.

Como um trono de púrpura , levas o Criador,
Como um leito vivente recebes o Rei, o plena de Graça.
(Salmo Eclesiástico de Vésperas do dia 20/12)

Maria está sempre recostada como jovem Mãe, as vezes sentada como Rainha. Na decadência do Ocidente Cristão, pinta-se Maria ajoelhada e adorando seu filho. Mas não estamos diante de um mistério de adoração, se não ante o nascimento de Deus pela divina maternidade da Virgem Maria. A perda desta contemplação deu uma nota sentimental aos presépios, distanciando-a da presença do mistério divino-humano [...]

A Virgem está adornada com três estrelas: "Maria, jóia da virgindade, deve permanecer Virgem antes do parto, virgem durante o parto, virgem depois do nascimento, única sempre virgem de espírito, de alma e de corpo . (São João Damasceno)

O seio virginal cresce com sua porta intacta
A potência resplandece
pois Deus habita em seu templo. (Hino de Natal)

Maria evoca a sarça ardente que não se consome nas chamas, o templo onde Deus habita, a câmara nupcial, e representa a Igreja. Maria guarda todas as coisas e as medita em seu coração. (Lc 2,19 e Lc 2, 51)

O menino esta recostado em um presépio que tem forma de sepulcro. O Cordeiro de Belém é já o Cordeiro eucarístico. Os lençóis, sinal de reconhecimento que o Anjo deu aos pastores, prefiguram os lençóis mortuários que o envolveram em seu sepulcro e que as mulheres portadoras de aromas encontraram no túmulo vazio na manhã da Páscoa.

Está envolto em panos,
e já os laços do inferno se desatam. (Prefácio de Natal)

O menino está deitado mais acima que sua mãe; segundo uma tradução do texto grego de Lucas, que não está presente em algumas outras traduções:

Ela o envolveu em panos
e o recostou acima, em um presépio. (Lc 2,7)

Gesto de oferenda, gesto sacrifical que recorda o do diácono quando eleva os santos dons do pão e do vinho diante o altar celeste. "Oferecer" significa etimologicamente "levar a cima", e o presépio é o altar onde o Senhor se oferece a si mesmo, e se dá em alimento, como Pão da Vida na cidade de Belém, que em hebraico de diz "Beith-lejem", Casa do Pão. A gruta simboliza a profundidade do silêncio e do abismo no qual Deus se encontra. Representa os infernos que se abrem como as faces de um monstro disposto a engolir o menino, tal como a baleia de Jonas. Mas o Menino é já um Vencedor: sobre Ele desce um faixo de Luz, pois o Céu, em inimaginável descida, inclina-se até o mais profundo.

Venham, gozemos do Paraíso nesta gruta.
Ali está o poço que nenhuma mão humana cavou,
o poço do qual Davi desejou beber .
Ali a Virgem ao dar a luz a seu menino,
saciou a sede de Adão e de Davi.

(Responsório da Noite de Natal)

Resplandece teu presépio,
da escuridão da noite, nasce uma luz,
que nenhuma sombra apaga:
é a vela da fé.

(hino de Natal)

Atrás do menino, dois animais o cercam. Não estão indicados no Evangelho, mas são uma recordação da palavra de Isaías [...]:

O boi conhece seu amo,
o asno o presépio de seu Senhor,
mas meu povo não me conhece.

(Is 1,3)

A cada lado do centro do ícone, aparecem as outras testemunhas, os pastores, e os magos. Os primeiros chamados a contemplar o Cristo são os pastores, homens humildes, simples, naturais, que representam a grande espera do povo que caminhava nas trevas.

A quem esperais, pastores que velais na noite?
Esperamos o Bom Pastor.

(Salmo eclesiástico)

A eles se dirige, em primeiro lugar, a "Benevolência" divina.

Os magos representados como três cavalheiros que sobem ao monte, apontam a estrela anunciadora da Vida Nova. Reis e astrólogos, sábios pagãos chegados do Oriente, representam todas as nações chamadas a sentar-se, com Israel, à mesa do banquete do Senhor. Portadores de dons, prefiguram as mulheres que iam ao sepulcro com aromas. Tem sobre sua cabeça uma espécie chapéu e por cima uma pequena esfera da sabedoria.

Teu nascimento oh Cristo nosso Deus,
fez brilhar no mundo a luz da sabedoria;
e , graças a uma estrela,
aqueles que adoravam os astros,
aprenderam a adorar-te, Sol de justiça,
e a conhecer em Ti, o Oriente que vem do Alto.
Glória a Ti, Senhor!

(tropário de Natal)

A parte superior do ícone representa as realidades celestiais: no centro, um semicírculo , como um sol azul, se abre de diversas maneiras segundo os ícones. As vezes está ali a estrela de oito raios:

Eu, Jesus, sou a luz resplandecente da manhã.

(Ap. 22,16)

Uma estrela avança em Jacó,
um astro se levanta em Israel.

(Nm 24,17)

Mais próximo do relato evangélico, outra tradição vê no Anjo inclinado, o Anjo da encarnação, o Anjo guardião dos homens, com sua ternura, sua proteção e sua vigilância. Os outros três Anjos em atitude de adoração, estavam junto à gruta, assombrados por ver o Deus oculto na carne e prolongando na terra a eterna Liturgia Celestial. Todos clamam: «Glória a Deus nas alturas, e na terra paz aos homens de boa vontade!» Lc 2,7)

Na parte inferior do ícone há duas mulheres que banham o Menino. Segundo narra o proto-evangelho de São Tiago, uma delas é chamada Eva como nossa primeira mãe.

Eva, por seu pecado,
introduziu no mundo a maldição.
Mas tu, ó Virgem Mãe de Deus,
pela excelência de tua fecundidade,
fizeste florescer no mundo a bênção.

Estrofe do salmo lucernário, 20 de dezembro)

O banho do Menino antecipa o Banho batismal da Teofania e sublinha a humanidade de Cristo. Prefigura a morte, a descida aos infernos e a Ressurreição, pois como diz São Paulo:

"Fomos sepultados com Ele pelo batismo, na morte,
para que, como o Cristo ressuscitou de dentre os mortos
pela glória de seu Pai,
vivamos também nós uma vida nova.

Rm 6, 4)

Na parte inferior esquerda, estão dois homens: um deles é José, que aparece sentado meditando, com a cabeça apoiada nas mãos. Personifica o homem atônito ante o Mistério

Com o coração tumultuado e cheio de dúvidas,
o prudente José se debatia.
Sabe que és virgem intacta,
e suspeita secretos esponsais.
conhecendo-te, Mãe, pela ação do Espírito Santo
exclama: aleluia!

(3ª Antífona da 1ª Estação do Hino Akathistos)

Diante dele está, de pé, um velho pastor com um bastão que, segundo a tradição se chama Tirso, e seu bastão é o de Dionísios, utilizado pelos pagãos nas festas báquicas. Representado de perfil é a figura do tentador.

A terra está, quase sempre, cheia de arbustos e plantas e povoada de ovelhas e cordeiros do rebanho. Assim , toda a Criação, angélica, mineral, vegetal, astral, animal e humana,

«se maravilha com o nascimento de Deus,
e canta ao Senhor,
Menino pequeno e Deus antes dos séculos».

«Senhor, a Terra se alegra
e se estremece ante tua bênção,
pois o Verbo se faz carne» [...]

Que saltem as montanhas,
que os mares se estremeçam,
que as árvores e os bosques exultem,
pois Deus se faz homem.

Da raiz de Jessé,
cresce para a imortalidade a árvore da Vida,
da escuridão da terra surge o Sol da Justiça
que atravessa o céu espiritual
oculto em Maria como uma gruta.
(Oração Coleta 19 de dezembro)

O Ofício da Noite da Natividade termina com esta admirável recapitulação do mistério:

"Hoje nasce da Virgem
O que sustenta com sua mão o Universo.
Ele que é invisível por essência,
está envolto em panos como um mortal.
Ele que firmou os céus no princípio do mundo,
está deitado num presépio.
Ele que fez chover o maná no deserto sobre seu povo,
se alimenta com o leite de sua Mãe.
O Esposo da Igreja é visitado pelos magos,
o Filho da Virgem aceita os dons.

Adoramos teu nascimento, ó Cristo,
concede-nos ver também a tua santa Teofania.

Fonte:

«Las doce Fiestas». Revista Fuentes. Buenos Aires - AR

 

«Sermão n° 38, para a Natividade»

São Gregório Nazianzeno (330-390)

«Tu, que maravilhosamente criaste o homem,
mais maravilhosamente ainda restabeleceste a sua dignidade»

Jesus Cristo nasceu, rendei-Lhe glória!
Cristo desceu dos céus, correi para Ele!
Cristo está sobre a terra, exaltai-O!
“Cantai ao Senhor, terra inteira.
Alegria no céu; terra, exulta de alegria!” (Sl 96,1.11).

Do céu, ele vem habitar no meio dos homens;
estremecei de temor e de alegria:
de temor, por causa do pecado;
de alegria, por causa da nossa esperança.

Hoje, as sombras se dissipam
e a luz se eleva sobre o mundo;
como outrora no Egito envolto em trevas,
hoje uma coluna de fogo ilumina Israel.

O povo, que estava sentado nas trevas da ignorância,
contempla hoje essa imensa luz do verdadeiro conhecimento
porque “o mundo antigo desapareceu,
todas as coisas são novas” (2 Co 5,17).

A letra recua, o espírito triunfa (Rm 7,6);
a prefiguração passa, a verdade aparece (Col 2,17).

Aquele que nos deu a existência
quer também inundar-nos de felicidade;
essa felicidade que o pecado nos havia feito perder,
a incarnação do Filho nos devolve…

Tal é esta solenidade:
saudamos hoje a vinda de Deus ao meio dos homens
para que possamos, não chegar
mas regressar para junto de Deus;
a fim de que nos despojemos do homem velho
e nos revistamos do Homem novo (Col 3,9),
a fim de que, mortos em Adão,
vivamos em Cristo (1 Co 15,22)…

Celebremos pois este dia, cheios de uma alegria divina,
não mundana, mas uma verdadeira alegria celeste.

Que festa, este mistério de Cristo!
Ele é a minha plenitude, o meu novo nascimento.

 

Hino 13: A Natividade

São Romano o Melódio (? - cerca de 560)

«O Verbo era Deus... O Verbo fez-se carne»

Escutai, pastores, o som das trombetas…
O Verbo foi gerado, Deus manifestou-se ao mundo!
E vós, filhas de reis,
entrai na alegria da Mãe de Deus (cf Sl 44,10).
Povos, digamos: “Bendito sejas,
nosso Deus recém-nascido, glória a ti!”

A Virgem, que não conhece homem (Lc 1,34),
deu ao mundo a alegria,
a tristeza ancestral acabou.
Hoje, o Incriado foi gerado,
aquele que o mundo não pode conter entra no mundo.
Hoje, a alegria manifestou-se aos homens;
hoje o erro foi lançado no abismo.
Povos, digamos: “Bendito sejas,
nosso Deus recém-nascido, glória a ti!”

Pastores, cantai o Mestre que nasceu em Belém…,
aquele que resgata o mundo.
Eis que a maldição de Eva foi anulada,
graças àquele que nasceu da Virgem…
“Batamos palmas em aclamações” (Sl 46,2);
formemos um coro com os anjos.
O Senhor nasceu da Virgem Maria
para “levantar os que tinham caído
e erguer os abatidos” (Sl 144,14),
aqueles que gritam com fé:“Bendito sejas,
nosso Deus recém-nascido, glória a ti!”

O autor da Lei incarnou sob a Lei (Gal 4,4),
o Filho intemporal nasceu da Virgem,
o Criador do universo está deitado no presépio.
Aquele que o Pai gera eternamente, sem mãe nos céus,
nasceu da Virgem, sem pai sobre a terra.
Povos, digamos: “Bendito sejas,
nosso Deus recém-nascido, glória a ti!”

Na verdade, a alegria acaba de nascer no estábulo.
Hoje os coros angélicos rejubilam;
todas as nações celebram a Virgem imaculada;
o nosso antepassado Adão dança de alegria,
porque hoje nasceu o Salvador.
Povos, digamos: “Bendito sejas,
nosso Deus recém-nascido, glória a ti!”

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BÍBLIA – Bíblia de Jerusalém (Nona Edição Revista e Ampliada). São Paulo: Paulus, 2013.

 

Voltar à página anterior Topo da página  
NEWSIgreja Ortodoxa • Patriarcado Ecumênico • ArquidioceseBiblioteca • Sinaxe • Calendário Litúrgico
Galeria de Fotos
• IconostaseLinks • Canto Bizantino • Synaxarion • Sophia • Oratório • Livro de Visitas