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Arquidiocese Ortodoxa Grega de Buenos Aires e América do Sul
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  SINAXE - Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas  
 
 
 
 
 
 
 
8º Domingo de São Mateus
Issodikón
Porque em ti está a fonte da Vida
e na tua luz vemos a luz!

Apolitikion (7º tom)

Pela tua Cruz, destruíste a morte,
abriste as portas do paraíso ao ladrão,
converteste em alegria o pranto das Miróforas
e lhes disseste que aos apóstolos anunciassem
que ressuscitaste dos mortos, ó Cristo Deus,
revelando ao mundo a grande misericórdia.

Kondakion (7º tom)

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

O domínio da morte já não pode submeter o homem
pois Cristo, descendo, aboliu e destruiu o seu poder,
o Hades está vencido, e os profetas se alegram, clamando em uníssono:
«O Salvador apareceu àqueles que têm fé!
Corram, fiéis, para a Ressurreição!»

Kondakion (7º tom)

Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

Como templo da nossa ressurreição, ó Toda-gloriosa
retira do túmulo e da desolação aqueles que esperam em ti,
tu nos salvaste da escravidão do pecado,
gerando a nossa Salvação, permanecendo sempre virgem.

Prokimenon

O Senhor dará poder a seu povo
O Senhor abençoará seu povo com a paz..

Oferecei ao Senhor, ó filhos de Deus,
oferecei ao Senhor tenros cordeiros.

Epístola
[1Cor 1, 10-19]
Leitura da Primeira Carta do Apóstolo São Paulo aos Coríntios

rmãos, rogo-vos em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que todos estejais em pleno acordo e que não haja entre vós divisões. Vivei em boa harmonia, no mesmo espírito e no mesmo sentimento. Pois acerca de vós, irmãos meus, fui informado pelos que são da casa de Cloé, que há contendas entre vós. Refiro-me ao fato de que entre vós se usa esta linguagem: Eu sou discípulo de Paulo; eu, de Apolo; eu, de Cefas; eu, de Cristo. Então estaria Cristo dividido? É Paulo quem foi crucificado por vós? É em nome de Paulo que fostes batizados? Graças a Deus, não batizei nenhum de vós, à exceção de Crispo e Gaio. Assim ninguém poderá dizer que fostes batizados em meu nome. (Aliás, batizei também a família de Estéfanas. Além destes, não me consta ter batizado ninguém mais.) Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o Evangelho; e isso sem recorrer à habilidade da arte oratória, para que não se desvirtue a cruz de Cristo. A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina. Está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e anularei a prudência dos prudentes (Is 29,14).

Aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia!

É bom exaltar o Senhor
e cantar louvores ao teu Nome, ó Altíssimo (Sl 92, 1)
Aleluia, aleluia, aleluia!

Proclamar pela manhã o teu amor
e a tua fidelidade pela noite (Sl 91, 2).
Aleluia, aleluia, aleluia!

Evangelho
[Mt 14, 14-22]
Evangelho de Nosso Senhor JesusCristo, segundo o Evangelista São Mateus.

aquele tempo, quando desembarcou, vendo Jesus a numerosa multidão, moveu-se de compaixão para ela e curou seus doentes. Caía a tarde. Agrupados em volta dele, os discípulos disseram-lhe: Este lugar é deserto e a hora é avançada. Despede esta gente para que vá comprar víveres na aldeia. Jesus, porém, respondeu: Não é necessário: dai-lhe vós mesmos de comer. Mas, disseram eles, nós não temos aqui mais que cinco pães e dois peixes. Trazei-mos, disse-lhes ele. Mandou, então, a multidão assentar-se na relva, tomou os cinco pães e os dois peixes e, elevando os olhos ao céu, abençoou-os. Partindo em seguida os pães, deu-os aos seus discípulos, que os distribuíram ao povo. Todos comeram e ficaram fartos, e, dos pedaços que sobraram, recolheram doze cestos cheios. Ora, os convivas foram aproximadamente cinco mil homens, sem contar as mulheres e crianças. Logo depois, Jesus obrigou seus discípulos a entrar na barca e a passar antes dele para a outra margem, enquanto ele despedia a multidão.

Kinonikón
Louvai o Senhor nos céus
louvai-O nas alturas!
Aleluia, aleluia, aleluia!

«Jesus sacia a fome do povo»

o tempo do deserto, o povo de Deus passou fome. A questão da sobrevivência aparece imediatamente: "Jesus ergueu os olhos e viu uma grande multidão que vinha ao seu encontro. Então disse a Filipe: ‘Onde vamos comprar pão para eles comerem?’". Notemos que a primeira (e a única) preocupação de Jesus é com a sobrevivência do povo. Nada disso acontecia por ocasião da festa da Páscoa em Jerusalém. Bem ao contrário, como já pudemos constatar.

Jesus provoca seus seguidores, representados por Filipe: como resolver a questão da fome do povo? Filipe pensa como muita gente "de bem". Para ele, a fome do povo não tem solução: "Nem meio ano de salário bastaria para dar um pedaço a cada um". Filipe mostra muito bem que o comércio tomou conta dos bens que sustentam a vida. É preciso muito dinheiro para saciar a fome do povo! E isso parece ser um caso sem solução.

Surge, então, André. Já vimos que seu nome significa humano. Ele representa a nova proposta diante da fome do povo: "Aqui há um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isso para tanta gente?". Pão de cevada e peixe eram a comida dos pobres. O rapaz recorda os pequenos que estão dispostos a servir e a partilhar os bens da vida, sem submetê-los à ganância do comércio. Uma dose de humanidade (André), o alimento dos pobres (pão de cevada e peixes), alguém disposto a servir e a partilhar (rapaz): será que isso vai resolver a questão da fome do povo? Será que a partilha resolveria para sempre a fome da humanidade inteira?

Jesus ordena aos discípulos que mandem o povo sentar. Naquele tempo, somente as pessoas livres é que sentavam para tomar refeição. O gesto de sentar, portanto, funciona como tomada de consciência da própria dignidade e liberdade. Jesus quer que os discípulos e o povo tomem consciência disso. Estar sentado contrasta com a prostração em que se encontravam os doentes em Jerusalém. O evangelho afirma que havia muita grama nesse lugar. Já vimos que o Templo de Jerusalém era chamado simplesmente de "o Lugar". O novo Templo em que Deus se encontra com a humanidade é lá onde acontecem a partilha dos bens da vida e a fruição da dignidade e da liberdade humanas. Jesus e o povo livre são o novo Templo! E isso vale para todos. De fato, estavam aí cinco mil pessoas. Esse número é simbólico e representa toda a comunidade do Messias.

Jesus pega o pão do povo e faz a oração de agradecimento. É muito estranho que ele não agradeça ao rapaz, e sim a Deus. Esse detalhe é importante, pois recoloca os bens que sustentam a vida dentro do projeto de Deus. De fato, lendo Gênesis 1, descobrimos que todas as criaturas de Deus têm sua porção de alimento que sustenta e garante a vida. Dando graças a Deus, Jesus está tirando os bens da vida das garras da ganância e do acúmulo (comércio) para colocá-los no âmbito da partilha e da gratuidade. Todos têm direito a esses bens, porque é isso que o projeto de Deus prevê. A proposta de Jesus, portanto, traz uma nova visão da economia: os bens que garantem e sustentam a vida não podem ser submetidos à ganância do comércio, pois Deus os destinou a todos. Não é culpa de Deus se o povo passa fome. Isso é resultado de uma economia "sem coração", que acumula a vida para poucos às custas da miséria de muitos.

Jesus distribui os pães e os peixes às cinco mil pessoas. Ele faz tudo sozinho porque é o Doador da vida para todos. Sua vida é entregue plenamente.

O povo se farta. E ainda sobra muita coisa. Disso aprendemos que, se os bens da vida forem partilhados entre todos, todos ficarão satisfeitos e ainda sobrará muita coisa. De fato, os doze cestos cheios lembram as doze tribos de Israel, ou seja, todo o povo de Deus do Antigo Testamento. A lição é muito clara: quando a vida é partilhada, todos a possuem plenamente, e ela transborda para todos.

Jesus manda recolher os pães que sobraram: "Recolham os pedaços que sobraram, para não se desperdiçar nada". O fato recorda Êxodo 16,20. No tempo do deserto não era permitido acumular o maná. O que Jesus quer dizer com isso é que sua comunidade não pode acumular, pois isso gera ganância. E o que é acumulado por alguns falta aos outros.

O povo reage ao sinal que Jesus realizou: "Este é mesmo o profeta que devia vir ao mundo", mas reage de modo passivo, pois quer fazê-lo rei. Quando mandou a multidão sentar, Jesus queria o povo livre. Este, agora, quer se tornar escravo de um rei. Por isso Jesus foge para a montanha, pois não se deixa manipular. O fato de Jesus se retirar para a montanha recorda Êxodo 34,3-4: Moisés subiu ao monte depois que o povo caiu na idolatria de querer fazer um deus à sua imagem. Jesus se retira sozinho para a montanha porque a grande idolatria nesse momento é querer que Deus resolva todos os nossos problemas sem a nossa contribuição.


Fonte:

BORTOLINI, José. Como ler o Evangelho,
Ed Paulus, 5ª ed, 1994.

 

«Com os pedaços que sobraram,
encheram doze cestos»
Santo Efrém, o Sírio(c. 306-373),
Diatesseron, 12, 4-5, 11

Num piscar de olhos, o Senhor multiplicou um pedaço de pão. Aquilo que os homens fazem em dez meses de trabalho, fizeram-no os Seus dedos num instante. [.] Contudo, não foi com o seu poder que comparou este milagre, mas com a fome dos que tinha diante de Si. Se o milagre tivesse sido comparado com o seu poder, seria impossível de avaliar; comparado com a fome daqueles milhares de pessoas, o milagre ultrapassou os doze cestos. O poder dos artesãos é inferior aos desejos dos respectivos clientes; eles não conseguem fazer tudo aquilo que se lhes pede; pelo contrário, as realizações de Deus ultrapassam todo o desejo. [.]

Saciados no deserto, como outrora o tinham sido os Israelitas pela oração de Moisés, eles exclamaram: "Este é o profeta do qual está dito que viria ao mundo." Aludiam às palavras de Moisés: "O Senhor suscitará para vós um profeta", que não será um profeta qualquer, mas "um profeta como eu" (Dt 18,15), que vos saciará de pão no deserto. Tal como eu, caminho u sobre as águas, surgiu numa nuvem luminosa (Mt 17,5), libertou o seu povo. Entregou Maria a João, como Moisés entregara o seu rebanho a Josué. [.] Mas o pão de Moisés não era perfeito; apenas foi dado aos Israelitas. Querendo significar que o seu dom é superior ao de Moisés e o chamamento às nações ainda mais perfeito, Nosso Senhor disse: "Se alguém comer o Meu pão viverá eternamente", porque "o pão vivo que desceu do céu" é dado a todo o mundo (Jn 6,51). 

 
       
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