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Arquidiocese Ortodoxa Grega de Buenos Aires e América do Sul
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  SINAXE - Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas  
 
 
 
 
 
 
 
«Parábola do Rico Avaro», por Rembrandt

«Nono Domingo de Lucas»

Apolitikion da Ressurreição (6º tom)

Enquanto Maria estava diante do sepulcro
à procura de teu imaculado Corpo,
os Anjos apareceram em teu túmulo
e as sentinelas desfaleceram.
Sem ser vencido pela morte
submeteste ao teu domínio o reino dos mortos,
e vieste ao encontro da Virgem, revelando a vida.
Senhor, que ressurgiste dos mortos, glória a Ti!

Kondakion (6º tom)

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

Levantando com sua vivificante mão
todos os mortos dos vales tenebrosos,
Cristo Deus, Doador da vida,
quis conceder a Ressurreição ao gênero humano;
pois Ele é o Salvador, a Ressurreição,
a Vida e o Deus de todos.

Theotokion (6º tom)

Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém

Clamando com a tua bendita Mãe,
voluntariamente, viste padecer, irradiando na cruz,
desejaste encontrar Adão, dizendo aos anjos:
Alegrem-se comigo, porque foi encontrado o dracma perdido,
Deus nosso, que com sabedoria tudo consolidaste, glória a Ti!

Hino à Mãe de Deus

Ó Admirável e Protetora dos cristãos
e nossa Medianeira do Criador
não desprezes as súplicas de nenhum de nós pecadores,
mas apressa-te em auxiliar-nos como Mãe bondosa que és,
pois te invocamos com fé: roga por nós junto de Deus,
tu que defendes sempre aqueles que te veneram.

Prokimenon (6º tom)

Salva, Senhor, o teu povo
e abençoa a tua herança. (Sl 28, 9)

Clamo a Ti, Senhor, meu rochedo
presta ouvido aos meus rogos. (Sl 28, 1)

Aleluia (6º tom)

Aleluia, aleluia, aleluia!

Quem habita ao abrigo do Altíssimo
e vive à sombra do Senhor Onipotente. (Sl 91, 1)
Aleluia, aleluia, aleluia!

Diz ao Senhor: sois meu refúgio e proteção,
sois o meu Deus no qual confio inteiramente. (Sl 91, 2) 
Aleluia, aleluia, aleluia!

EPÍSTOLA

[Ef: 2,4-10]

Leitura da Epistola do Apóstolo São Paulo aos EFÉSIOS

Irmãos, Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas. [Efésios 2:4-10]

EVANGELHO

Evangelho de Nosso Senhor JesusCristo, segundo o Evangelista São Lucas

[Lc 12,16-21]

aquele tempo, o Senhor disse esta parábola: «A terra de um homem rico deu uma grande colheita. Ele pensava consigo mesmo: 'Que vou fazer? Nao tenho onde guardar minha colheita'. Entao resolveu: 'Já sei o que fazer! Vou derrubar meus celeiros e construir maiores; neles vou guardar todo o meu trigo, junto com os meus bens. Então poderei dizer a mim mesmo: Meu caro, tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe, goza a vida!' Mas Deus lhe disse: 'Tolo! Ainda nesta noite, tua vida te será retirada. E para quem ficará oque acumulaste?' Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não se torna rico diante de Deus.»

eparamo-nos, neste domingo, com um relato familiar. Não é raro ouvirmos de pessoas comentários semelhantes aos que foram proferidos pelo personagem da Parábola que Jesus usou para mais uma vez transmitir seus ensinamentos. A riqueza não é seguro de vida e muito menos demonstra se estamos cumprindo a vontade de Deus ou não. Para os cristãos nem sempre a riqueza é sinal de benção divina; é, muitas vezes, causa de perdição.

Jesus inicia sua parábola contando que certo homem teria uma ótima colheita, mas que não teria celeiros suficientes para armazená-la, já que os que possuía já estavam abarrotados. Pensou então em construir celeiros maiores e estocar suas riquezas para depois desfrutá-la, comendo e bebendo. Seu erro está focado em um horizonte terreno. A ele o que importa é o ter; é o comer e o beber; é sugar da vida todos os prazeres que lhe são oferecidos. Trabalhou durante anos, acumulando bastante para depois desfrutar.

Diante desta maneira de pensar a vida, o próprio Deus responde: "Insensato"!

Não somos donos da vida. A nós não coube estabelecer seu inicio e nem cabe a nós estabelecer seu fim. A morte faz parte da vida; ela é inerente à realidade; nem dela pode fugir ou adiar seu curso. A morte revela o quanto a vida tem uma dimensão finita, mensurável pelo tempo e limitada pelo espaço.

O cristão deve olhar a vida como dom de Deus e não como propriedade sua. Se é dom de Deus, a Ele devemos prestar contas. A nossa preocupação não deveria ser como o do rico da parábola: acumular tesouros para o mundo. Esses tesouros são bens temporais e devem ser vistos e aceitos como tais, isto é, contingentes, efêmeros, transitórios, passageiros. O que de fato são perenes e duradouros são os tesouros que "nem a traça nem a ferrugem corroem".

O fato de possuirmos "bens materiais" não é condenável. Torna-se prejudicial, porém, quando nos deixamos possuir por eles. O avarento, o cobiçoso não possui, mas é possuído por seus bens e desejos. O apego é colidente com a caridade, com a doação e com a entrega.

É necessário que nossa relação com os bens deste mundo não se tornem obstáculos à relação filial que temos com nosso Deus e que eles sejam apenas e somente meios para melhor promover a dignidade humana e, jamais, fim em si mesmos.

Nosso tesouro é Deus e, embora carreguemos este tesouro em vasos de argila, como revela-nos o Apóstolo Paulo, é preciso que haja plena confiança n'Ele e em sua Providência. Esta confiança é uma condição para que resistamos aos apelos consumistas e ao apego material em geral de nosso tempo e de nossa sociedade. A base da confiança do homem está na certeza da fidelidade de Deus.

Facilmente os homens denominam de "ricos" os que possuem bens, os que têm posses e por terem tanto são tratados de maneira singular, especial, muitas vezes em detrimento dos demais. Para Deus rico é aquele que, com o que é seu, ajuda aos que pouco ou nada têm. "Quem se compadece do próximo, empresta a Deus" (Pr 19,17).

Ricos ou pobres, afortunados ou não, todos nós nos depararemos com a realidade da morte. Não levaremos nada de material. Oxalá, não sejamos nós a ouvir que fomos "insensatos", quando deveríamos ser prudentes ao acumularmos tesouros que aprouve ao Criador nos confiar.

 
       
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