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  SINAXE - Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas  
Domingo, 15 de novembro
 
 
 
 
 
 
 

 

«Oitavo Domingo de Lucas»

Apolitikion (6º tom)

Enquanto Maria estava diante do sepulcro 
à procura de teu imaculado Corpo, 
os Anjos apareceram em teu túmulo 
e as sentinelas desfaleceram. 
Sem ser vencido pela morte 
submeteste ao teu domínio o reino dos mortos, 
e vieste ao encontro da Virgem, revelando a vida. 
Senhor, que ressurgiste dos mortos, glória a Ti!

Kondakion (6º tom)

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

Levantando com sua vivificante mão 
todos os mortos dos vales tenebrosos, 
Cristo Deus, Doador da vida, 
quis conceder a Ressurreição ao gênero humano; 
pois Ele é o Salvador, a Ressurreição, 
a Vida e o Deus de todos.

Theotokion (6º tom)

Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém

Clamando com a tua bendita Mãe, 
voluntariamente, viste padecer, irradiando na cruz, 
desejaste encontrar Adão, dizendo aos anjos:
Alegrem-se comigo, porque foi encontrado o dracma perdido, 
Deus nosso, que com sabedoria tudo consolidaste, glória a Ti!

Prokimenon

Salva, Senhor, o teu povo 
e abençoa a tua herança. (Sl 28, 9)

Clamo a Ti, Senhor, meu rochedo 
presta ouvido aos meus rogos. (Sl 28, 1)

Epístola

Leitura da Epistola do Apóstolo Sao Paulo aos Efésios.

[Ef 2,4-10]

rmãos, Deus, que é rico em misericórdia, impulsionado pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos em conseqüência de nossos pecados, deu-nos a vida juntamente com Cristo - é por graça que fostes salvos!, juntamente com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos céus, com Cristo Jesus. Ele demonstrou assim pelos séculos futuros a imensidão das riquezas de sua graça, pela bondade que tem para conosco, em Jesus Cristo. Porque é gratuitamente que fostes salvos mediante a fé. Isto não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus. Não provém das obras, para que ninguém se glorie. Somos obra sua, criados em Jesus Cristo para as boas ações, que Deus de antemão preparou para que nós as praticássemos.

Aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia!

Quem habita ao abrigo do Altíssimo 
e vive à sombra do Senhor Onipotente. (Sl 91, 1) 
Aleluia, aleluia, aleluia!

Diz ao Senhor: sois meu refúgio e proteção, 
sois o meu Deus no qual confio inteiramente. (Sl 91, 2) 
Aleluia, aleluia, aleluia!

Evangelho

Evangelho de Nosso Senhor JesusCristo, segundo o Evangelista São Lucas

[Lc 10,25-37]

aquele tempo, [enquanto Jesus falava] levantou-se um doutor da lei e, para pô-lo à prova, perguntou: Mestre, que devo fazer para possuir a vida eterna? Disse-lhe Jesus: Que está escrito na lei? Como é que lês? Respondeu ele: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu pensamento (Dt 6,5); e a teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18). Falou-lhe Jesus: Respondeste bem; faze isto e viverás. Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: E quem é o meu próximo? Jesus então contou: Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos de ladrões, que o despojaram; e depois de o terem maltratado com muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o meio morto. Por acaso desceu pelo mesmo caminho um sacerdote, viu-o e passou adiante. Igualmente um levita, chegando àquele lugar, viu-o e passou também adiante. Mas um samaritano que viajava, chegando àquele lugar, viu-o e moveu-se de compaixão. Aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho; colocou-o sobre a sua própria montaria e levou-o a uma hospedaria e tratou dele. No dia seguinte, tirou dois denários e deu-os ao hospedeiro, dizendo-lhe: Trata dele e, quanto gastares a mais, na volta to pagarei. Qual destes três parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões? Respondeu o doutor: Aquele que usou de misericórdia para com ele. Então Jesus lhe disse: Vai, e faze tu o mesmo.

Kinonikon

Caminharemos, Senhor,
na luz da glória de tua face pelos séculos.
Aleluia, aleluia, aleluia!

 

o Novo Testamento, samaritano é o nome dado aos habitantes do distrito de Samaria; mas o nome tem profundos matizes religiosos. Para os judeus, os Samaritanos eram um grupo herético e cismático e por isso, eram repudiados e odiados mais do que os pagãos. A origem do cisma entre judeus e samaritanos se aprofunda na primitiva história israelita. Os judeus que se estabeleceram em Jerusalém após o Edito de Ciro (538 a.C) não consideravam a comunidade que habitava no distrito de Samaria, e antigo centro de Israel, como verdadeiros israelitas. Eles eram descendentes de uma população mista de assírios e mesopotâmicos. Essas populações tinham introduzido na terra de Israel o culto a seus próprios deuses.

Essas crenças estrangeiras parecem que não sobreviveram, pois entre as inúmeras agressões por parte dos judeus aos samaritanos, não encontramos acusações que mostrem que os samaritanos adorassem deuses estrangeiros.

Quando a comunidade judaica iniciou a reconstrução do Templo em Jerusalém, os samaritanos quiseram se unir para tal tarefa, mas foram repelidos violentamente. Várias vezes, os samaritanos questionaram a forma que os judeus se utilizavam para reconstruir o Templo. A rixa entre os judeus e samaritanos não se limitava ao campo sócio-religioso, tinha raízes políticas, igualmente. As diferenças políticas, sociais e as disputas de poder minavam as relações de convívio. Como era impossível unir-se para a reconstrução do Templo, os samaritanos construíram para seu povo um novo templo na cidade de Garizim. A partir deste fato então, o cisma entre essas dois povos tornou-se aberto e definitivo, chegando a ponto de os samaritanos atacarem os peregrinos que por sua aldeia passavam a caminho do templo de Jerusalém ou quando de lá retornavam.

A hostilidade entre os judeus e samaritanos emerge diversas vezes na Bíblia. O Eclesiástico (50, 25-26) refere-se a eles como sendo ‘o povo louco’ que vivem em Siquém de “não-nação”. Alguns afirmam que a Jesus, certa vez, foi proferido um grave insulto quando o chamaram de ‘samaritano’ (Jo 8,48).

Lucas, no capítulo nove, narra que uma aldeia samaritana recusou hospitalidade a Jesus e a seus discípulos durante uma viagem da Judéia para Jerusalém. Também os discípulos de Jesus, ficaram escandalizados quando viram seu Mestre conversando com uma mulher samaritana, e, mais ainda, quando pediu-lhe água para saciar sua sede (Jo 4).

Jesus, por sua vez quis quebrar esta barreira que separava os filhos de Deus.Na cura dos dez leprosos elogiou a atitude de um samaritano que retornou do Templo para agradecer-lhe o milagre (Lc 17).

Este é o panorama sócio-religioso, o pano de fundo político sobre o qual o Evangelho deste domingo é construído. Diagnosticamos assim o grau de exigência do amor que Jesus veio revelar. É o amor não puramente humano; é o amor divino, capaz de quebrar preconceitos históricos; o amor que lança seus ramos para além daquilo que imaginamos ser os nossos limites. Para ilustrar esta exigência e grandeza, Jesus responde a pergunta que um conhecedor da Lei o fez: “o que devo fazer para herdar vida eterna ?” Jesus lhe cita os mandamentos do amor a Deus (Dt 6,5) e do amor ao próximo (Lv 19,18), coisas que o perito deveria saber! Tentando justificar sua pergunta, ele explica a Jesus que fez tal questionamento, não por desconhecer os mandamentos, mas porque existem dúvidas sobre quem é o "próximo". O Evangelista São Lucas situa esta narrativa em uma viagem que Jesus fez através da Samaria, e põe em relevo a problemática sócio cultural que ali se passava: a questão dos samaritanos.

Então Jesus conta uma história. Alguém desce a serra de Jerusalém em direção a Jericó, pela estrada que sai do Templo e atravessa as escarpas inóspitas do deserto de Judá. É assaltado, e os ladrões o deixam semimorto na beira da estrada. Passa um sacerdote de Jerusalém: desvia-se. Passa um levita do Templo: desvia-se. E passa um samaritano. Este se aproxima, cuida das feridas e leva o homem à hospedaria, dando ao dono uma provisão para que dele cuide nos próximos dias. E Jesus pergunta, mineiramente: "Quem é o próximo do homem que caiu nas mãos dos ladrões?" A resposta se impõe: "Aquele que usou de misericórdia para com o coitado". O senhor doutor poderia ter dito diretamente: o samaritano, mas tal palavra era difícil demais para sair de sua boca... De qualquer modo, teve de admitir, ainda que em termos indiretos, que o próximo era um samaritano.

O “próximo” não depende de origem, raça, instrução ou qualquer outro de nossos critérios de discriminação. Há quem seria “próximo” por natureza, como o sacerdote e o levita, mas não se comportam assim. Há quem é “inimigo” por natureza, como o samaritano, mas se torna próximo do judeu assaltado.

Assim como não existia ruptura mais profunda que a entre os judeus e samaritanos, sendo dissolvida pelo amor, da mesma forma, devemos nos deixar mover pelo amor para romper tudo o que nos possa separar. A amplitude e a profundidade da doutrina do amor de Jesus não podia exigir ato maior de um judeu: aceitar um samaritano como irmão. Sua doutrina continua a mesma, não se modificou em nada. Mesmo assim há, em tempos atuais, quem queira separações, divisões, rompimentos, distância entre os ‘perfeito’ e os pecadores, entre os ‘santos’ e os miseráveis entre os ‘puros’ e os maculados.

Não basta que conheçamos o que Deus quer de nós, é preciso concretizar; é preciso agir; é preciso viver.

“Filhinhos, nisto sabemos se conhecemos a Deus, se guardamos seus mandamentos. Aquele que guarda os mandamentos de Deus, nele o amor é verdadeiro e perfeito. Quem ama seu irmão permanece na luz. Não amemos com palavras nem com a língua, mas com obras e em verdade.” (I Jo)

“Quem ama a Deus, não pode deixar de amar cada homem como a si próprio independente da situação, condição e exigência”. São Maximo o Confessor (+680

 


Fonte:

KONINGS, Johan. Descobrir a Bíblia a partir da Liturgia . Ed. Loyola. 1997
MACKENZE, John Dicionário Bíblico. Ed Paulinas, 1983.

 
       
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