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«Quinto Domingo de Lucas»
Apolitikion da Ressurreição (4º tom)
Ouvindo do Anjo o alegre anúncio da Ressurreição,
que da antiga condenação nos libertou,
as discípulas do Senhor,
disseram envaidecidas aos apóstolos:
«A morte foi vencida, o Cristo Deus ressuscitou,
revelando ao mundo a grande misericórdia!»
Kondakion (4º tom)
†Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
O Salvador e Redentor meu, sendo Deus,
rompeu as portas do Hades,
libertando de suas cadeias os habitantes da terra,
e, sendo Soberano, ressuscitou ao terceiro dia.
Theotokion
(4º tom)
Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém
O mistério eternamente oculto e dos anjos desconhecido,
através de ti, ó Mãe de Deus, encarnando-se, apareceu na terra,
voluntariamente aceitou a Cruz, e com ela ressuscitou o primeiro criado,
e salvou da morte as nossas almas.
Hino à Mãe de Deus
Ó Admirável e Protetora dos cristãos e nossa Medianeira do Criador
não desprezes as súplicas de nenhum de nós pecadores,
mas apressa-te em auxiliar-nos como Mãe bondosa que és,
pois te invocamos com fé: roga por nós junto de Deus,
tu que defendes sempre aqueles que te veneram.
Prokímenon (4º tom)
Tu és bendito Senhor, Deus de nossos pais
e teu nome é louvado e glorificado pelos séculos.
Pois és justo em todas as coisas que nos fizeste
tuas obras são verdadeiras e retos os teus caminhos.
Epístola
Leitura da Primeira Epistola do Apóstolo Sao Paulo aos Corintios
(1Cor 12,27-13,8)
rmãos, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular. E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. Porventura são todos apóstolos? são todos profetas? são todos doutores? são todos operadores de milagres? Têm todos o dom de curar? falam todos diversas línguas? interpretam todos? Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente. Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá.
Aleluia (4º tom)
Aleluia, aleluia, aleluia!
Cinge a tua espada, com majestade e esplendor,
cavalga vitorioso, pela causa da verdade e da justiça.
Aleluia, aleluia, aleluia!
Amaste a justiça e detestaste a iniqüidade,
por isso Deus te ungiu com o óleo da alegria.
Aleluia, aleluia, aleluia!
Evangelho
NOTA. Este Evangelho é lido somente no domingo que cai entre 30 de outubro e 5 de novembro.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São Lucas
[Lc 16, 19-31]
aquele tempo, o Senhor disse: Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e dava festas esplêndidas todos os dias. Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, ficava sentado no chão junto à porta do rico. Queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico, mas, em vez disso, os cães vinham lamber suas feridas. Quando o pobre morreu, os anjos o levaram para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado. Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe Abraão, com Lázaro ao seu lado. Então gritou: Pai Abraão, tem compaixão de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas. Mas Abraão respondeu: Filho, lembra-te de que durante a vida recebeste teus bens e Lázaro, por sua vez, seus males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. Além disso, há um grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós. O rico insistiu: Pai, eu te suplico, manda então Lázaro à casa de meu pai, porque eu tenho cinco irmãos. Que ele os avise, para que não venham também eles para este lugar de tOrmentO. Mas Abraão respondeu: Eles têm Moisés e os Profetas: Que os escutem: O rico insistiu: Não adianta, Pai Abraão. Mas, se alguém dentre os mortos for até eles, certamente vão se converter. Abraão, porém, lhe disse: Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas, mesmo se alguém ressuscitar dos mortos, não acreditarão.
pobreza e a riqueza são tão antigas
como as primeiras organizações sociais surgidas. As interpretações e soluções dadas a elas são várias: há os que associam a pobreza e a riqueza à sorte ou ao acaso. Há os que vêem na pobreza um sinal de incapacidade e desordem social e moral; e, na riqueza, um sinal de premiação, inteligência, capacidade e virtude. Para outros é justamente o contrário, defendendo a tese de que não há um homem honesto rico pois, para enriquecer-se, será preciso ser inescrupuloso, onde se dará a exploração de um pelo outro. O pobre neste caso sempre será a vítima.
Na Bíblia também encontramos diferentes interpretações para a pobreza e a riqueza. O Antigo Testamento vê na pobreza um sinal de maldição, escândalo e conseqüências de pecados. O rico é sinal visível da bênção divina e a característica dos amigos de Deus.
No Novo Testamento o próprio Senhor se faz pobre com os pobres e amaldiçoa os opulentos: «Ai de vós ricos...» Mt 5. Jesus vê na riqueza o perigo da auto-suficiência e do afastamento de Deus e a insensibilidade perante as carências.
O pobre é o primeiro destinatário da Boa Nova. A pobreza não é mais sinal de desgraça ou escândalo, mas é bem-aventurança.
A descrição que o Senhor nos faz nesta parábola usa estes fortes contrastes: a grande abundância para um e a extrema necessidade para o outro. Dos bens, em si mesmos, nada se diz. O Senhor apenas sublinha o mal uso que dele se faz: roupas luxuosas e banquetes diários.
Ao mendigo Lázaro nem se quer chegam as sobras. O Evangelho contrapõe a vida do rico banqueteador com a do pobre Lázaro. À primeira vista, parece não ter o primeiro outro pecado que o excessivo apego ao luxo e a boa mesa. Olhando atentamente, porém, observaremos um desinteresse absoluto para com Deus e para com o próximo. Vive para si como se Deus e os outros não existissem. Todas as suas preocupações limitavam-se a se banquetear esplendidamente cada dia, totalmente esquecido dos necessitados. Ele esqueceu-se de uma grande verdade que o Senhor nos lembra: nós não somos donos dos bens materiais que dispomos, apenas seus administradores.
Parece que os bens do rico não tinham sido adquiridos de forma ilícita e, tampouco, a pobreza do Lázaro era culpa sua. Não se opunha a Deus nem explorava os pobres. Contudo, estava cego ante as necessidades do outro. Poderia ser mais feliz não buscando satisfações efêmeras de alguns poucos elogios sobre as belas festas que dava aos seus convivas, mas repartindo com os mais necessitados. Seu erro foi administrar os bens de Deus de forma egoísta e, por isso, equivocada. Não soube compartilhar. Não foi sua riqueza que o impediu de entrar no Reino dos Céus, mas o seu egoísmo; da mesma forma, Lazaro entrou no Céu não por ser pobre, mas porque foi humilde e resignado.
A pobreza não é garantia de santidade, nem a riqueza é sinal de perdição. O egoísmo, que muitas vezes se concretiza na ânsia de usufruir sem medidas dos bens materiais, pode levar a tratar as pessoas como coisas, coisas sem valor.
Todos temos ao nosso redor alguém necessitado, se não de bens materiais, necessitados de afeto, calor humano, de uma palavra amiga, de generosidade, de cordialidade e de confiança. Do uso que façamos dos bens que Deus depositou em nossas mãos depende a vida eterna. Por isso o Senhor nos diz que é melhor dar do que receber.
Ganhamos mais dando do que recebendo: ganhamos a eternidade. Sendo generosos, descobriremos nos outros os filhos de Deus que necessitam de nosso apoio, de nossa companhia e solidariedade. A caridade é sempre realização do Reino dos Céus, e é a única bagagem que podemos levar.
Os filhos de Deus têm coração generoso e bom pois nosso Pai é generoso e bom!
Quem creu em Deus durante sua vida e n'Ele confiou, em Deus terá sua eterna herança. Mas quem somente se entregou aos prazeres da carne, comportando-se como se Deus não existisse, desprezando o Senhor na pessoa do irmão, permanecerá eternamente separado d'Ele.
O Senhor é minha fortaleza e o meu refúgio,
para sempre é tua fidelidade.
Pois fazes justiça aos oprimidos
e dás de comer aos que tem fome. (Sl 145)
Fonte:
Carvajal, Francisco F. «Falar com Deus». Editora Quadrante - S. Paulo, 1991
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