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Arquidiocese Ortodoxa Grega de Buenos Aires e América do Sul
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  SINAXE - Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas  
 
 
 
 
 
 
 
«Vinde após mim. Eu vos farei pescadores de homens».

«Primeiro Domingo de Lucas»

Apolitikion (6° tom)

Enquanto Maria estava diante do sepulcro
à procura de teu imaculado Corpo,
os Anjos apareceram em teu túmulo
e as sentinelas desfaleceram.
Sem ser vencido pela morte
submeteste ao teu domínio o reino dos mortos,
e vieste ao encontro da Virgem, revelando a vida.
Senhor, que ressurgiste dos mortos, glória a Ti!

Kondakion (6° tom)

Glória ao Pai , ao Filho e ao Espírito Santo.

Levantando com sua vivificante mão
todos os mortos dos vales tenebrosos,
Cristo Deus, Doador da vida,
quis conceder a Ressurreição ao gênero humano;
pois Ele é o Salvador, a Ressurreição,
a Vida e o Deus de todos.

Theotokion (6° tom)

Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém

Clamando com a tua bendita Mãe,
voluntariamente, viste padecer, irradiando na cruz,
desejaste encontrar Adão, dizendo aos anjos:
Alegrem-se comigo, porque foi encontrado o dracma perdido,
Deus nosso, que com sabedoria tudo consolidaste, glória a Ti!

Prokimenon (6° tom)

Salva, Senhor, o teu povo
e abençoa a tua herança. (Sl 28, 9)

Clamo a Ti, Senhor, meu rochedo
presta ouvido aos meus rogos. (Sl 28, 1)

Epístola

[2Cor 4, 6-15]

Leitura da Segunda Epístola do Apóstolo São Paulo ao Coríntios

rmãos, Deus que diz: Das trevas brilhará a luz, é quem brilhou em nossos corações para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo. Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, a fim de que a excelência do poder seja de Deus, e não venha de nós. Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desesperados; perseguidos, mas não abandonados; derribados, mas não destruídos; sempre levando no corpo a mortificação de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada em nosso corpo. Pois nós que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada na nossa carne mortal. Assim a morte opera em nós, mas a vida em vós. Mas tendo o mesmo espírito da fé, conforme está escrito: Cri, por isso falei; também nós cremos, por isso também falamos, sabendo que aquele que ressuscitou ao Senhor Jesus, também nos ressuscitará a nós com Jesus e nos apresentará convosco. Pois tudo é por amor de vós, para que a graça, sendo multiplicada por muitos, faça abundar a ação de graças para a glória de Deus.

Aleluia (6° tom)

Aleluia, aleluia, aleluia!

Quem habita ao abrigo do Altíssimo
e vive à sombra do Senhor Onipotente. (Sl 91, 1)
Aleluia, aleluia, aleluia!

Diz ao Senhor: sois meu refúgio e proteção,
sois o meu Deus no qual confio inteiramente. (Sl 91, 2)
Aleluia, aleluia, aleluia!

Evangelho

[Lc 5,1-11]

Evangelho de Nosso Senhor JesusCristo segundo o Evangelista São Lucas

aquele tempo, estando Jesus um dia à margem do lago de Genesaré, o povo se comprimia em redor dele para ouvir a palavra de Deus. Vendo duas barcas estacionadas à beira do lago, - pois os pescadores haviam descido delas para consertar as redes -, subiu a uma das barcas que era de Simão e pediu-lhe que a afastasse um pouco da terra; e sentado, ensinava da barca o povo. Quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar. Simão respondeu-lhe: Mestre, trabalhamos a noite inteira e nada apanhamos; mas por causa de tua palavra, lançarei a rede. Feito isto, apanharam peixes em tanta quantidade, que a rede se lhes rompia. Acenaram aos companheiros, que estavam na outra barca, para que viessem ajudar. Eles vieram e encheram ambas as barcas, de modo que quase iam ao fundo. Vendo isso, Simão Pedro caiu aos pés de Jesus e exclamou: Retira-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador. É que tanto ele como seus companheiros estavam assombrados por causa da pesca que haviam feito. O mesmo acontecera a Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram seus companheiros. Então Jesus disse a Simão: Não temas; doravante serás pescador de homens. E atracando as barcas à terra, deixaram tudo e o seguiram.

 

primeiro Domingo de Lucas inicia um novo tempo no Calendário Litúrgico Bizantino e dá-se após o encerramento das solenidades da Festa da Exaltação da Santa Cruz.

O terceiro Evangelista é também autor dos Atos dos Apóstolos. No Evangelho, Lucas relata a vida do Senhor enquanto esteve com seus discípulos ensinando, operando milagres e pregando o Reino de Deus. Nos Atos dos Apóstolos, Lucas relata a vida da Igreja primitiva, uma continuação da missão do Senhor.

Lucas era médico e ocupava uma posição social privilegiada, conhecia muito bem a língua grega e os costumes e tradições helênicas . Há fortes indícios de que acompanhou São Paulo em algumas de suas viagens, pois este refere-se a um “querido médico” que o auxiliava em sua árdua missão (Fl 24).

Mesmo pertencendo a uma classe social abastada, acentuou em seus escritos as passagens em que Jesus anunciava o Reino aos pobres, aos pecadores, às prostitutas. Este é o Reino anunciado por Jesus e que Lucas transmite através dos seus escritos.

Mas, para anunciar este Reino, esta Boa-Nova, o Senhor necessitou de colaboradores, ou seja, dos seus discípulos. Ele é o iniciador do Reino. É n'Ele que os seres humanos atingem a condição de Filhos e são libertados do pecado. N'Ele os homens se tornam colaboradores de Deus na obra da Salvação. Em torno d'Ele, como Pedra Angular, organiza-se uma comunidade de amor e de serviço missionário. Primeiramente, doze, depois muitos outros.

É de singular importância observarmos que Lucas relata que o Senhor está dentro da barca quando começa a pregar.

Depois da pregação, eis que surgiu um pedido feito ao proprietário do barco: “Avança para as águas mais profundas”. Em meio à uma mescla de admiração, com tons de contestação, diante daquele pedido, no entanto, surgiram palavras de confiança: “Senhor, trabalhamos a noite toda e nada pescamos. Mas por tua palavra, lançarei as redes”. A ordem de Jesus seria cumprida, não porque concluíssem que havia nelas uma razão plausível, mas porque Jesus pediu. “Por tua palavra”, disse Pedro, “lançarei as redes”.

Diante de um pedido de Deus, a razão humana cede seu lugar à obediência e a lógica passa a se orientar não mais por premissas do homem, mas por premissas explicáveis  somente pela fé.

A palavra de Deus está presente no mundo, porém poucos a ouvem e por isso poucos a praticam. Por não se ouvir tais palavras, as redes teimam em permanecer no chão, ou quando são jogadas ao mar, são lançadas em águas rentes.

Nosso Deus é o Deus da profundidade. Ele conhece o coração do homem. Ele sonda nossos caminhos. “Sondas-me, ó Deus, e conheces o meu coração! Prova-me, e conheces os meus sentimentos!. Conheces até o fundo de minha alma” (Sl 139).

Por isso mesmo, pede que joguemos as redes da pesca nas profundezas, pois lá encontra-se o verdadeiro homem, e é este homem que Deus quer “pescar” em suas redes.

Para lançar as redes em águas mais profundas, é necessário sair da margem e da superfície. Nas margens, as águas são tranqüilas, calmas  e não oferecem perigo nenhum. As águas mais profundas estão no mar aberto, longe do litoral, onde rodeia o perigo e a insegurança e  é neste lugar que Jesus pede que façamos a pesca. Os que querem segurança e calmaria, continuarão a sentir a frustração de uma pesca fracassada. Os que se arriscam, “por Tua palavra”, sentirão insegurança, medo por causa das intempéries das águas profundas, porém terão uma dupla satisfação: a de obedecer a Palavra de Deus e se arriscar por ela e a alegria de sentir o peso das redes cheias, pois a pesca foi abundante.

Na superfície, poucos peixes existem, talvez inexistem totalmente. Se quisermos encontrar coerência na obediência da palavra de Deus que prestamos, é preciso sair da superfície e lançar as redes longe dela, para trazer para o Senhor peixes melhores.

Hoje somos convidados a seguir Jesus e nos tornar pescadores de homens para o Reino. Estes homens estarão nos lugares mais escondidos, mais insondáveis, isto é, nas águas mais profundas. Os chamados por Jesus, nos tempos hodiernos, antes de tudo, são convidados a experimentar o convívio com o Senhor, para depois partirem. É desta experiência pessoal com Deus que brota a coragem de se fazer ao largo e pescar longe das calmarias. É por causa dela que, de fato, nos reconheceremos pecadores, mas mesmo assim responderemos positivamente ao chamado que nos é feito, como aconteceu com Pedro, Tiago e João. A experiência pessoal com Jesus fará que tenhamos consciência de outra realidade: para lançarmos as redes em águas mais profundas, teremos necessidade de uma embarcação. É impossível permanecer longe das margens sem se fazer uso delas, ainda mais quando somos chamados a pescar.

O símbolo do barco é forte. A Igreja é este barco. A certeza de estarmos pescando para o Reino é o fato de estarmos cumprindo nossa vocação inseridos nela. Sem o barco ou sem a Igreja, corremos o risco de estar pescando não para Deus, mas para satisfazer nosso próprio ego. A vocação dos primeiros chamados se deu quando Jesus estava sentado no barco e, de dentro dele, lançou o convite para que Pedro, Tiago e João se tornassem pescadores de homens. O que nos credencia, de fato, a sermos vocacionados é a pertença a uma comunidade eclesial. Deus ainda é quem dirige este barco e, dele, ainda lança convites, ainda chama mais pescadores que tenham a coragem e o desprendimento de deixar tudo para segui-Lo.

A palavra grega «ECCLESIA», significa assembléia, reunião daqueles que são chamados, convocados. A Igreja é a comunhão dos chamados por Deus a viver no amor. Cada batizado é chamado pelo Senhor a «lançar as redes em águas mais profundas», lançar-se ao largo, sem medo. E, para isso é necessário fazer a experiência do ENCONTRO com o Senhor, como fizeram os discípulos, seguir seus passos, sentir sua PRESENÇA em nossas vidas. Quem faz esta experiência com o Deus-Amor, é imediatamente compelido a uma adesão e a um compromisso de anunciar, de evangelizar. Amém


Fontes Consultadas: 

Storniolo, Ivo - Como Ler o Evangelho de Lucas - Ed. Paulus - SP

 
       
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