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  SINAXE - Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas  

 

 
 
 
 
 
 
 

«Domingo dos Santos Padres
do I Concílio Ecumênico de Nicéia»

Os cristãos orientais conservam viva a memória do solene evento realizado no ano 325 em Nicéia, em que foram condenados os erros de Ário. O fato de celebrar este acontecimento na proximidade da festa da Ascensão é um incentivo a reavivar a nossa fé no Verbo de Deus, verdadeiro homem, e que voltou para o Pai celestial.

Issodikon

Bendizei a Deus nas vossas assembléias,
bendizei o Senhor, filhos de Israel!

Salva-nos, ó Filho de Deus,
que ressuscitaste dentre os mortos,
a nós que a Ti cantamos: aleluia!

Apolitikion da Ressurreição (6º tom)

Enquanto Maria estava diante do sepulcro
à procura de teu imaculado Corpo,
Os Anjos apareceram em teu túmulo
e as sentinelas desfaleceram.
Sem ser vencido pela morte
submeteste ao teu domínio o reino dos mortos,
e vieste ao encontro da Virgem, revelando a vida.
Senhor, que ressurgiste dos mortos, glória a Ti!

Kondakion

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

Tu, sendo Deus, te levantaste do túmulo,
e devolveste a vida ao mundo;
a natureza humana, por isso te louva:
a morte foi vencida, Adão se regozija, ó Mestre,
e Eva, liberta agora das cadeias da morte,
com alegria exclama: «Tu, Cristo, és o que a todos dá a Ressurreição!»

Theotokion

Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém

Quando Gabriel te saudou, ó Virgem, dizendo: «Alegra-te!»
e com sua voz, o Salvador encarnou-se em ti, tabernáculo santo;
e, como falava o Justo Davi: «veio do céu trazendo o Criador de tudo»,
glória Àquele que habita em ti,
glória Àquele nascido de ti e que nos libertou!

Apolitikion da Festa (8º tom)

Tu és digno de toda glória, ó Cristo nosso Deus,
pois constituíste os nossos padres
como astros sobre a terra,
e por eles nos guiaste a todos à verdadeira fé.
Ó cheio de compaixão, glória a Ti!

Kondakion da Festa

A pregação dos apóstolos e os ensinamentos dos padres
firmaram uma só fé na Igreja;
a qual, revestida do manto da verdade,
tecido com a ciência teológica revelada,
distribui sabiamente e glorifica o grande mistério da piedade.

Prokimenon (6° tom)

Bendito és Tu, Senhor, Deus de nossos pais,
e teu Nome é glorificado eternamente. (Dn 3, 26)

Porque é justo em tudo o que nos fizeste,
tuas obras €são verdadeiras e retos os teus caminhos. (Dn 3 27)

Epístola

[AT 20, 16-18; 28-36]

Leitura DO LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS

aqueles dias, Paulo havia determinado não ir a Éfeso, para não se demorar na Ásia, pois se apressava para celebrar, se possível em Jerusalém, o dia de Pentecostes. Mas, de Mileto mandou a Éfeso chamar os anciãos da igreja. Quando chegaram, e estando todos reunidos, disse-lhes: «Vós sabeis de que modo sempre me tenho comportado para convosco, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia, porque nada omiti no anúncio que vos fiz dos desígnios de Deus. Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastorear a Igreja de Deus, que ele adquiriu com o seu próprio sangue. Sei que depois da minha partida se introduzirão entre vós lobos cruéis, que não pouparão o rebanho. Mesmo dentre vós surgirão homens que hão de proferir doutrinas perversas, com o intento de arrebatarem após si os discípulos. Vigiai! Lembrai-vos, portanto, de que por três anos não cessei, noite e dia, de admoestar, com lágrimas, a cada um de vós. Agora eu vos encomendo a Deus e à palavra da sua graça, àquele que é poderoso para edificar e dar a herança com os santificados. De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem vestes. Vós mesmos sabeis: estas mãos proveram às minhas necessidades e às dos meus companheiros. Em tudo vos tenho mostrado que assim, trabalhando, convém acudir os fracos e lembrar-se das palavras do Senhor Jesus, porquanto ele mesmo disse: É maior felicidade dar que receber!» A essas palavras, ele se pôs de joelhos a orar.

Aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia!

Povos, aplaudi com as mãos,
Aclamai a Deus com vozes alegres!
aleluia, aleluia, aleluia!

Evangelho

[JO 17, 1-13]

Evangelho de Nosso Senhor JesusCristo, segundo o Evangelista São JOÃO

aquele tempo, disse Jesus: «Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus»

Hirmos

Subiu Deus por entre aclamações,
o Senhor, ao som das trombetas.
Aleluia, aleluia, aleluia!

OBS.:

- Antífonas da Ascensão;
- Hirmos comum e Kinonikón de domingo;
- Após a comunhão, Apolitikion da Ascensão;
- Bênção Final: fórmula da Ressurreição e da Ascensão.

 

s cristãos orientais conservam viva a memória do solene evento realizado no ano 325 em Nicéia, em que foram condenados os erros de Ário. O fato de celebrar este acontecimento entre as festas da Ascensão e Pentecostes é um incentivo a reavivar a nossa fé no Verbo de Deus, verdadeiro homem, e que voltou para o Pai celestial donde nos enviou o Paráclito .

É sabido que, entre os Padres dos Sete Concílios ecumênicos do primeiro milênio, o grupo dos bispos orientais formavam a maioria, mas não é tanto a eles que são elevados hinos de louvor; mais se insiste sobre a importância da Igreja, liberta dos erros, e se agradece com gratidão a Deus por tal acontecimento, como é claramente expresso no tropário principal, que é comum também às outras duas comemorações dos Padres dos Concílios.

Remetemos à apresentação detalhada da comemoração de outubro em que será dado também o texto do tropário que começa com as palavras: "Infinitamente glorioso és tu, ó Cristo nosso Deus...". Ao Evangelho lê-se a Oração sacerdotal de Jesus (Jo 17,1-13). É uma súplica já bastante repetida entre os ecumenistas e que nos faz pensar nas muitas Igrejas agora separadas entre si, mas que têm em comum a fé professada no Concílio de Nicéia, doutrina fundamental e essencial para todos os cristãos.

Na sexta-feira se conclui o Pós-festa da Ascensão e no sábado, vigília de Pentecostes, celebra-se a comemoração de todos os fiéis defuntos.

Fonte:

DONADEO, Madre Maria, O Ano Litúrgico Bizantino. Editora Ave Maria. São Paulo, 1990

 

O Domingo dos Santos Padres
do I Concílio Ecumênico de Nicéia

Protopresbítero Nicolás Milus

comemoração dos Santos Padres dos Concílios realiza-se no domingo após a festa da Ascensão do Senhor. Com a expansão da Igreja, surgiram interpretações dúbias da doutrina cristã, daí nasceram os Concílios Ecumênicos, reuniões universais de Bispos que decidiam junto aos Patriarcas (cinco em total) o que era ou não, a verdadeira fé. O primeiro concílio ocorreu em 325 e o sétimo e último, em 787, transcorrendo quase 500 anos de uma era conturbada dentro da Igreja.

O Primeiro Concílio Ecumênico realizou-se na cidade de Nicéia, no ano 325, atendendo a um pedido do imperador Constantino Magno. Deliberou sobre o erro de Ário, sacerdote de Alexandria, que se referia a Jesus Cristo somente como um homem inspirado por Deus e não a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Assim as idéias de Ário foram condenadas como doutrina errônea e foram criados os sete primeiros pontos do Credo que professamos.

O Segundo Concílio Ecumênico realizou-se no ano 381, conhecido como Constantinopla I, que foi convocado pelo imperador Teodósio e que condenou outro erro grave de Macedônio, Arcebispo de Constantinopla, que negava que o Espírito Santo fosse Deus, quer dizer, a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, que é a base da fé cristã. Neste Concílio completou-se o Credo - " Niceno-Constantinopolitano", o que se professa até hoje.

O Terceiro Concílio Ecumênico realizou-se em Éfeso, no ano 431, convocado pelo imperador Teodósio II, no seu nome e do imperador Valentiniano III do Império Romano Ocidental, para condenar Nestório, Arcebispo de Constantinopla, que propagava a crença de que a Virgem Maria não era Mãe de Deus, quer dizer da Segunda Pessoa de Deus, mas somente de um homem chamado Jesus, mais uma vez negando a divindade do Senhor Jesus. De acordo com Nestório, o homem chamado Jesus era simplesmente unido a Deus de modo espiritual e não era necessariamente o seu Filho.

O Quarto Concílio Ecumênico realizou-se em Calcedônia, no ano 451, convocado pelo imperador Marquiano, no seu nome e do imperador do Império Romano Ocidental. Este Concílio julgou Eutiques, monge de Constantinopla, que combateu Nestório de maneira equivocada, negando a humanidade de Jesus que está bem clara nas Sagradas Escrituras. Esta doutrina errônea chama-se Monofisitismo que vem do grego e significa "uma só natureza". Neste Concílio foi definitivamente estabelecido que Jesus tem duas naturezas, a Divina e a humana, sendo perfeitamente homem e Perfeitamente Deus.
O Quinto Concílio Ecumênico, Constantinopla II, realizou-se no ano 553. Foi convocado pelo imperador Justiniano. Este Concílio condenou as obras escritas pelos seguidores do herege Nestório.

O Sexto Concílio Ecumênico, Constantinopla III, realizou-se no ano 680. Foi convocado pelo imperador Constantino, Barbudo. Este Concílio combateu a corrente chamada Monotelista, que defendia a idéia de Cristo ter uma só vontade, a Divina, e que a vontade humana estava perfeita e absolutamente sujeita a esta Vontade Divina. Na verdade, a dualidade de vontades em Jesus Cristo não é contrariada uma pela outra, estando a vontade humana sujeita a Vontade Divina. (Lc 22,42). É nesta época que surge, historicamente, o Islamismo, analisado neste Concílio. Outro objeto de análise foi o destaque dado às novas Regras Apostólicas, transformadas no principal documento legislativo da Santa Igreja Ortodoxa (Nono Cânon).

O Sétimo e último Concílio Ecumênico, Nicéia lI, realizou-se no ano 787. Foi convocado pela imperatriz Irene, em seu nome e do seu filho Constantino, para condenar um grupo de iconoclastas que queriam proibir a veneração das santos Ícones. Neste Concílio definiu-se e deliberou-se a doutrina ortodoxa da veneração dos Ícones.


Bibliografia:

1) «CHAMS» n.67, São Paulo, maio de 1998, pag. 62

2) Jaroslav K. Turkalo: «Narys istórií vselenskykh soboriv»

(Compêndio da história dos Concílios Ecumênicos), New Haven - 1974.

 

 
       
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