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Domingo, 11 de Abril: |
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«Meu Senhor e Meu Deus!» «Domingo de Tomé» (1º Domingo Depois da Páscoa) Issodikon Bendizei a Deus nas vossas assembléias Salva-nos, ó Filho de Deus, Apolitikion da Ressurreição (1º tom) Embora a pedra fosse selada pelos judeus Apolitikion de São Tomé (7º Tom) Do sepulcro selado ressurgiste, ó Vida; Kondakion (1º Tom) Glória ao Pai †, ao Filho e ao Espírito Santo. Tu, sendo Deus, te levantaste do túmulo, Theotokion (1º Tom) Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém Quando Gabriel te saudou, ó Virgem, dizendo: "alegra-te!" Kondakion de São Tomé Ó Cristo Deus, Tomé pôs sua mão incrédula Kondakion da Páscoa (2º tom) Tendo descido ao túmulo, ó Imortal, Prokimenon Grande é o Senhor nosso Deus e poderosa a sua força; Epístola [At 5, 12-20] Leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos Aleluia Aleluia, aleluia, aleluia! Vinde, regozijemo-nos no Senhor; Porque o Senhor é grande, Evangelho Evangelho de Nosso Senhor Jesus†Cristo, segundo o evangelista são joão [Jo 20, 19-31]
Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Os outros discípulos disseram-lhe: Vimos o Senhor. Mas ele replicou-lhes: Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, e não puser o meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir a minha mão no seu lado, não acreditarei! Oito dias depois, estavam os seus discípulos outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse: A paz esteja convosco! Depois disse a Tomé: Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé. Respondeu-lhe Tomé: Meu Senhor e meu Deus! Disse-lhe Jesus: Creste, porque me viste. Felizes aqueles que crêem sem ter visto! Fez Jesus, na presença dos seus discípulos, ainda muitos outros milagres que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos, para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome. Kinonikon Glorifica o Senhor, Jerusalém! Hirmos Nós te glorificamos com hinos, OBS.: Logo após "Bendito seja o reino do Pai ...", o sacerdote canta: "Cristo ressuscitou dos mortos..." e o coro repete duas vezes. Em vez de: "Vimos a verdadeira luz ...", "Cristo ressuscitou..." (uma vez). Na Semana de S. Tomé: 1). Antífonas e Issodikón: da Páscoa; Durante todo o Tempo Pascal, depois da Bênção final, diz-se: "Cristo ressuscitou dos mortos..." em vez de "Pelas orações...".
Os discípulos estão reunidos na sala, onde cearam com o Senhor, na ocasião em que ele ensinou o Mandamento Novo e lavou os seus pés. O ambiente no qual aconteceu a manifestação de humildade de Jesus, ao lavar os pés dos seus apóstolos, o lugar onde foi o palco do ensinamento mais profundo sobre o amor, torna-se também o recinto do encontro entre o Ressuscitado e seus seguidores mais próximos. Parece ser o espaço cedido às grandes manifestações do divino, aonde concretizou toda a missão do Filho do Homem de maneira sucinta. O cenáculo é o lugar da Oração, o lugar da Catequese por excelência; o Cenáculo é o ambiente do esvaziamento e da humildade, é o espaço da Celebração da Eucaristia, onde Ele se oferece e é oferecido. Mais do que isso, o Cenáculo tornou-se ambiente sagrado, pois Jesus apareceu Ressuscitado, enquanto os apóstolos rezavam. Hoje, o novo Cenáculo é a Igreja, aonde o Senhor se dá na forma de pão e vinho, Corpo e Sangue d'Ele oferecidos, no Altar, isto é, na Pedra removida da Ressurreição. Outrora os seus seguidores se reuniam no Cenáculo por medo, agora se reúnem para manifestar a grande alegria da Nova Páscoa. São Cipriano nos ensina que a Igreja é o ambiente sagrado onde a Celebração Eucarística revive a Ressurreição de Cristo no sacrifício incruento oferecido pelo sacerdote: «O sacrifício do sacerdote é a repetição do sacrifício de Cristo na Ceia e ambos são representação do sacrifício único da Cruz». Jesus «entra», atravessando as barreiras externas (as portas) e internas (a dúvida) daquele ambiente. A razão e a fé têm provas daquilo que Maria de Magdala anunciava tão efusivamente: «Jesus Ressuscitou!» Jesus se apresenta com os sinais da Paixão; as marcas das perfurações em seu corpo, ainda são nítidas, talvez para sacar qualquer duvida sobre sua identidade: aquele que crucificaram, estava ali. Jesus transmite os dons pascais resumidos na paz, na reconciliação e na fé, aos que estavam reunidos em seu Nome. Jesus, ao transmitir seus dons aos homens, transforma estes homens em «homens novos», em «homens pascais»; é uma nova identidade, uma maneira peculiar de ser e de agir, movidos pelo espírito da Ressurreição. Mostra-lhes as mãos e o lado com os sinais da Paixão e diz: "Como o Pai me enviou, também eu vos envio" (Jo 20, 21). Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo: "Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; a quem não os perdoardes, serão retidos" (Jo 20, 22-23). Jesus lhes dá o dom de perdoar os pecados, um dom que brota das chagas de suas mãos e de seus pés e, sobretudo, de seu lado perfurado, donde jorram os sacramentos da Igreja. «A paz seja convosco!» Mais do que um cumprimento, esta saudação sintetiza a própria obra redentora do Ressuscitado. Por meio da Cruz, Ele anulou a inimizade e anunciou a paz aos que estavam longe e aos que estavam perto. Os cristãos reunidos, no «Novo Cenáculo», a Igreja, no mesmo dia da Ressurreição de Cristo, isto é, no Domingo, celebram juntos os Mistérios da Morte e Ressurreição do Filho de Deus para, ante o Mistério da Ressurreição, transformarem-se em novas criaturas, em novo homem. A Igreja Bizantina celebra a Ressurreição do Senhor, única e exclusivamente aos Domingos pela manhã, exceto nas grandes Festas, para testemunhar a seus fiéis que Jesus Ressuscitado é o «Kyrios» (Senhor), o «Dominus» (Domingo). Assim nos diz Eusébio de Cesaréia: «Nós, os filhos da Nova Aliança, celebramos a cada Domingo a nossa Páscoa e somos saciados, em todo o tempo, com o Corpo Ressuscitado do Salvador e participamos, em todo o tempo, de seu Sangue. Cada Domingo somos vivificados pelo corpo santificado do mesmo Cordeiro Pascal, que é a nossa Salvação e nossa alma é selada pelo seu precioso sangue». Esta celebração se faz com a Comunidade de fiéis que, juntos confirmam sua fé em Deus e buscam n'Ele, através da Eucaristia, a vida Nova, força para vencer o pecado, símbolo da morte. Quando não conseguimos contemplar o Ressuscitado, fatalmente haverá a dúvida, a incerteza, os questionamentos oriundos de um coração alicerçado ainda nas raízes da “velha criação”. Foi o que aconteceu no Cenáculo, com aquele que era conhecido como o «Dídimo». Tomé estando ausente não testemunhou a Nova Páscoa... A Igreja reunida viu o Senhor Ressuscitado no Cenáculo e comunicou a Tomé a grande notícia, mas não foi o suficiente para que ele acreditasse na voz da Igreja (Os apóstolos). Era necessário que seus olhos vissem e seus dedos tocassem as chagas. Ainda hoje, como Tomé, muitos são os que ainda exigem as mesmas condições para crer e viver as verdades proclamadas pela Igreja. Nem mesmo o fundamental (a Ressurreição) está isento de dúvidas. Prefere-se mesclar esta verdade de fé com outras doutrinas e crenças que lhes parecem mais aceitáveis pela «razão», mais agradáveis aos sentidos. É uma necessidade infantil e ingênua acalentar uma esperança de se ter nova chance, uma nova oportunidade para se viver. Tais pensamentos geram confusão e aumenta a incredulidade. É preciso purificar o conteúdo de nossa fé cristã. Novamente o Ressuscitado aparece, desta vez com Tomé presente, para que ele não tenha dúvidas que são de fato aquelas mãos que acolhia os pecadores e protegia as crianças, que abençoava os alimentos e retirava os espíritos impuros; são de fato os pés do Messias itinerante, do Ungido sem endereço fixo, do Missionário andarilho. Carne e ossos de uma humanidade aceita por amor, mas que estavam ali ressuscitados, elevando a dignidade humana aos patamares cobiçados até mesmo pelos anjos. O Senhor se apresenta no meio de todos, não dedicando a Tomé uma aparição exclusiva, ensinando-nos que, para aqueles de «pouca fé», a ajuda da comunidade reunida é essencial. A dúvida, a insegurança, a incerteza e o medo nascem dos momentos onde a presença de Deus é encoberta. Basta descobri-la para nos tornarmos corajosos, desbravadores, seguros e convictos cristãos, como São Tomé, depois da aparição do Ressuscitado. Todos nós que cremos e vivemos sob a ótica da Ressurreição de Cristo, recebemos uma nova criação, pois ela transforma nosso interior e nos faz pessoas diferentes. Assim aconteceu com Pedro, Madalena e Tomé. Antes da Ressurreição, Pedro negou Jesus por três vezes; depois, ele afirma que ama o Senhor e sofre as conseqüências deste amor: de temeroso homem, torna-se o «apascentador das ovelhas de Cristo», missionário, evangelizador e mártir. Madalena, anteriormente, amedrontada chorava a perda de seu Mestre; agora ela torna-se a Evangelizadora por excelência, a propagadora pioneira da Boa Nova. Tomé, da boca que proferia palavras de descrença e dúvidas, verbaliza a mais bela exclamação de reconhecimento perante o Jesus Ressuscitado: «meu Senhor e meu Deus». Fonte: ALTANER, B. / STUIBER, A: Patrologia. Vida Obras e Doutrina dos Padres da Igreja, II Ed., São Paulo: Paulinas, 1988. |
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