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Triunfo da Ortodoxia

1° Domingo da Quaresma:

«Domingo da Ortodoxia»

(6º Domingo antes da Páscoa)

«O Triunfo da Ortodoxia»

Em 843 um Sínodo regional (Endemousa) foi convocado sob a Imperatriz Teodora. A veneração aos ícones foi solenemente proclamada na Catedral de Santa Sofia. Monges e clérigos entraram em procissão e restituíram os ícones aos lugares estabelecidos. Este dia foi chamado de «Triunfo da Ortodoxia». Desde então este, acontecimento é comemorado cada ano em um ofício religioso especial no Primeiro Domingo da Quaresma; o «Domingo da Ortodoxia»

Apolitikion (1º tom)

Embora a pedra fosse selada pelos judeus 
e teu puríssimo corpo fosse guardado pelos soldados. 
Ressurgiste, porém, ao terceiro dia, ó Salvador, 
dando a vida ao mundo! 
Por isso, as Potências Celestes clamaram-te, ó Autor da vida: 
Glória a tua ressurreição, ó Cristo! 
Glória a tua realeza, glória a tua providência, ó Filântropo!

Apolitikion Próprio (1º tom)

Veneramos teu santo ícone, ó Deus de bondade,
implorando o perdão de nossas culpas, ó Cristo Deus!
Que, voluntariamente, te deixaste suspender à Cruz
para salvar da escravidão do inimigo os que formaste.
Por isso, dando-te graças, nós te aclamamos:
«Trouxeste a todos grande alegria, ó Salvador nosso,
quando vieste para salvar o mundo!»

Kondakion (1º tom)

Glória ao Pai , ao Filho e ao Espírito Santo.

Tu, sendo Deus, te levantaste do túmulo, 
e devolveste a vida ao mundo; 
a natureza humana, por isso te louva: 
a morte foi vencida, Adão se regozija, ó Mestre, 
e Eva, liberta agora das cadeias da morte, com alegria exclama: 
Tu, Cristo, és o que a todos dá a Ressurreição!

Theotokion (1º tom)

Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém

Quando Gabriel te saudou, ó Virgem, dizendo: "alegra-te!" 
e com sua voz, o Salvador encarnou-se em ti, tabernáculo santo;
e, como falava o Justo Davi: "veio do céu trazendo o Criador de tudo",
glória Àquele que habita em ti, 
glória Àquele nascido de ti e que nos libertou!

Kondakion Final (8º tom)

Nós, teus servos, ó Mãe de Deus,
te conferimos os lauréis da vitória,
penhor de nossa gratidão,
como a um general que combateu por nós
e nos salvou de terríveis calamidades.
E, como tens um poder invencível,
livra-nos dos perigos de toda espécie
para que te aclamemos: salve, Virgem e Esposa!

Prokimenon (1º tom)

Desça sobre nós, Senhor, a tua misericórdia 
conforme nossa esperança em Ti.

Exultai, ó justos, no Senhor, 
pois aos retos convém o louvor.

EPÍSTOLA

[ Hb 11,24-26; 32-40 ]

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo ao Hebreus

rmãos, pela fé Moisés, chegando já à maturidade, recusou passar por filho da filha do Faraó, preferindo sofrer maus tratos com o povo de Deus a desfrutar das vantagens passageiras do pecado, considerando maior riqueza do que os tesouros do Egito a humilhação de Cristo, pois punha os olhos na recompensa. Que mais direi? Pois me faltaria tempo para falar de Gedeão, de Barac, de Sansão, de Jefté, de Davi, de Samuel e dos profetas os quais, pela fé, conquistaram reis, exerceram a justiça, alcançaram as promessas, amordaçaram a boca de leões, extinguiram a violência do fogo, escaparam ao fio da espada, triunfaram de enfermidades, fizeram-se fortes na guerra e puseram em debandada os acampamentos estrangeiros. As mães receberam vivos os filhos mortos. Outros foram submetidos a torturas, recusando a libertação para obterem uma ressurreição melhor. Outros suportaram escárnio e açoites e ainda cárceres e cadeias. Foram apedrejados, torturados, serrados, morreram a fio de espada, andaram errantes cobertos com peles de ovelha e de cabra, necessitados, atribulados, maltratados. Eles, de quem o mundo não era digno, andaram perdidos nos desertos e montes, nas cavernas e covas da terra. Mas todos eles, embora recomendáveis por sua fé, não alcançaram a promessa, porque Deus providenciara a nosso respeito algo melhor, para que, sem nós, eles não chegassem à perfeição.

Aleluia (4º tom)

Aleluia, aleluia, aleluia!

Deus assegura a minha vitória 
e me submete os meus adversários.   
Aleluia, aleluia, aleluia!

Salva maravilhosamente seu servo 
e usa de misericórdia com seu ungido.  
Aleluia, aleluia, aleluia!

Evangelho

[Jo 1, 43-51]

Evangelho de Nosso Senhor JesusCristo, segundo São João

aquele tempo, Jesus quis partir para a Galiléia. Ele encontrou Filipe que era de Betsaida, a cidade de André e de Pedro. Filipe encontrou-se com Natanael e disse-lhe: Encontramos Jesus, o filho de José, de Nazaré, aquele sobre quem escreveram Moisés, na Lei, e os Profetas. Natanael perguntou: De Nazaré pode sair alguma coisa boa? Filipe respondeu: Vem e vê! Jesus viu Natanael que vinha ao seu encontro e declarou a respeito dele: Este é um verdadeiro israelita, no qual não há falsidade! Natanael disse-lhe: De onde me conheces? Jesus respondeu: Antes que Filipe te chamasse, quando estavas debaixo da figueira, eu te vi. Natanael exclamou: Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel! Jesus lhe respondeu: Estás crendo só porque falei que te vi debaixo da figueira? Coisas maiores verás. E disse-lhe ainda: Em verdade, em verdade, vos digo: vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem!

Hirmos:

Ó cheia de graça, em ti rejubila-se toda a Criação.
A assembléia dos anjos e o gênero humano te glorificam,
ó templo santificado, paraíso espiritual e glória das virgens,
na qual Deus se encarnou e da qual tornou-se Filho
Aquele que é nosso Deus antes dos séculos.
Porque fez de teu seio um trono
e as tuas entranhas, mais vastas do que os céus.
Ó cheia de graça, em ti rejubila-se toda a Criação e te glorifica!

Obs.: Depois da Divina Liturgia segue a procissão com os santos ícones. Neste domingo comemora-se a vitória da Ortodoxia sobre a heresia dos iconoclastas e veneram-se os santos ícones.

 

que pode pensar um ortodoxo sobre o Domingo da Ortodoxia? A maioria dos pensamentos para esta ocasião tem caráter confessional, destacando a Ortodoxia sobre as demais confissões cristãs. As religiões são, em geral, caminhos divinos através dos quais Deus vem até o homem e o faz elevar-se para Si.

A investigação das religiões é um tema que vai além do que podemos falar, mas não há dúvida que todas as religiões ajudam o homem a praticar uma boa moral, a escutar a voz de sua consciência, a viver em paz e a conviver melhor com os seus semelhantes, sobretudo as que professam um Deus único. Todas estas religiões são como que "fios condutores" nas mãos de Deus, através dos quais Ele atrai a Si os homens.

Não obstante, o Cristianismo é a revelação divina mais profunda e representa o caminho mais curto que conduz ao céu. A Ortodoxia conservou a Tradição Cristã sem mancha e é, entre as "tradições" cristãs, a mais segura. A doutrina cristã passou ao longo da História, por muitos exames e provas, introduzindo-se, às vezes, elementos humanos e sofrendo desvios, também por causa dos homens. A Ortodoxia conservou a fé ao longo da História e a transmitiu de geração em geração e, a isto, chamamos «Tradição».

«Tradição» não é o mesmo que «tradições». «Tradição» não quer dizer história antiga ou ensinamentos herdados. Tradição significa «transmissão» dos ensinamentos de uma geração a outra. Pois, «Deus é o Deus de nossos pais». E, por isso, a Tradição é movimento e não herança estática.

A Tradição morre se não for transmitida. Recebemos gratuitamente e gratuitamente devemos transmití-la. A Tradição não é conjunto de ensinamentos, mas o movimento do Espírito Santo na Igreja que transmite a fé, é o «depósito» que se assemelha aos talentos sobre os quais nos ensinou o Senhor que não devemos ocultá-los.

Por isso, quando insistimos que, para a Ortodoxia, a Tradição desempenha um papel importante, queremos dizer que o ensinamento recebido dos Santos padres da Igreja são fundamentais para nós mesmos e para as gerações futuras. Queremos dizer também que a Tradição, na Ortodoxia não é como um museu, mas uma missão. O tempo da Tradição é o tempo importante do passado e é também o tempo do futuro que goza da mesma importância.

A Ortodoxia, portanto, em seu caráter de tradição cristã pura, quer dizer a doutrina reta de acordo com a fé recebida dos santos Padres e, ainda, que se encontra no mesmo nível de importância que a evangelização. A retidão da doutrina é uma face da moeda e a outra face é a evangelização. A doutrina reta é a garantia de um fundamento correto da evangelização; a evangelização, por sua vez, é a continuidade natural e viva da reta doutrina.

O Espírito de evangelização não é uma atividade adicional na vida da Igreja Ortodoxa, e o desejo de transmitir a Verdade e a Tradição aos demais, não é só uma ocupação a mais da Igreja, mas o indicador genuíno de que o Corpo de Cristo (a Igreja) está vivo, cresce, permanece e se move. A falta de evangelização não é apenas um defeito parcial da vida da Igreja, mas indica a presença de uma fé corrompida e a adulteração da verdade.

Quando, no Evangelho de hoje, Filipe encontra a Jesus, sai imediatamente em busca de Natanael e, encontrando-o, diz: «Encontramos Jesus, o Filho de José, de Nazaré, Aquele sobre quem escreveram Moisés na Lei, e os Profetas». Quem encontra Jesus, se faz imediatamente apóstolo. Ele mesmo, Jesus, disse a seus discípulos, que os enviou como luz ao mundo e como sal à terra. A Ortodoxia é segurança para a evangelização e a verdadeira evangelização é o indício de uma Ortodoxia viva. Por isso São Paulo nos diz: «Ai de mim se não evangelizo».

A Igreja é, segundo a Ortodoxia, o Reino de Deus vivo sobre a terra. A Igreja não é, nem uma instituição nem uma organização. A Igreja é, segundo a Tradição Ortodoxa, o «mundo no mundo». É o «fermento que leveda toda a massa».

A Igreja está em diálogo com o mundo exterior e não é seu extremo oposto. Este é a parte dela que ainda não foi levedada. O mundo inteiro foi criado por Deus para ser a «Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica». Em outras palavras, o crente no mundo deve cooperar com a encarnação de Cristo e com a construção de seu Corpo vivo no mundo. O mundo se faz então nosso objetivo e nossa meta. Assumimos como tarefa fazer de todo mundo uma só Igreja.

Se, neste Domingo da Ortodoxia, dirigimos o olhar ao mundo que nos cerca, veremos, todavia, que estamos só no início do caminho, e que o mundo necessita de nós. A Igreja, então, estabelece diálogo e relação com o mundo exterior num gesto de fermentação e cristianização. A evangelização é o vínculo. E se realiza através do diálogo contínuo e com intenções de quem ama, é fiel e sincero com o outro, com as demais religiões, com o ateísmo e com qualquer outra expressão exterior à Igreja.

Todos necessitam de nossa fé. A evangelização não foi nem nunca será para a Ortodoxia um meio de expansão, de autoritarismo, de conquista ou de hegemonia. A evangelização é luz, é um presente, é um dom. A Igreja não é uma instituição que quer expandir-se, mas uma Verdade que deve ser propagada e, quem a recebe, não se torna seu proprietário, mas deixa-se orientar por ela.

A história da evangelização da Rússia no primeiro milênio depois de Cristo dá testemunho de que, os russos convertidos ao cristianismo partiram imediatamente para evangelizar os demais.

A evangelização se dá em dois campos diferentes: o primeiro é o campo externo que já mencionamos. O segundo é o campo interno.

Relata-se que São João Kronstadt sonhava em sua infância crescer para ir à China auxiliar na evangelização. No entanto, quando entrou na faculdade de teologia, deu-se conta de que sua família e seus vizinhos eram carentes de evangelização. A evangelização interna é uma necessidade pois, um número não pequeno de fiéis tem uma fé superficial. São os que receberam a fé como algo externo e acidental. A mesma Igreja Ortodoxa necessita que os seus filhos sejam evangelizados e, por isso, temos o pregação (sermão), a catequese, a vida pastoral e o fazer com mais força os sacramentos da Igreja na vida de seus filhos. A evangelização interior é necessária na vida pessoal de cada um. Assim também, devemos propagar nossa fé tal como nos é transmitida pela Tradição Ortodoxa, como vida e profundidade, como conhecimento de si mesmo e enamoramento de Deus. A tradição monástica e os modelos de vida pastoral que nos transmitiu esta Tradição e que passaram a fazer parte da mesma, afirmam que hoje é necessário «ir ao mais profundo» da evangelização interior, da pastoral e da ascética.

A evangelização interior é necessária nas igrejas e confissões cristãs. Por muitos fatores e interesses o Corpo de Cristo tem sido fragmentado ao longo da História. O diálogo é uma missão e uma instância fiel à Ortodoxia. A aproximação entre as diversas confissões cristãs é um gesto ortodoxo natural e honesto. O diálogo entre as igrejas não é só uma necessidade, mas uma obrigação de fidelidade à ortodoxia.

Sobre o que deve refletir então um ortodoxo no «Domingo da Ortodoxia»?

A Ortodoxia não é, nem um muro de separação e nem tampouco um ambão por detrás do qual falamos com os demais do alto. A Ortodoxia é um depósito que recebemos tão casualmente como foi privado aos demais. O ortodoxo não tem mérito pelo que pudesse ter recebido este depósito. Mas, tendo-o recebido, tem a responsabilidade de transmiti-lo. O talento nos foi dado como um dom e o fiel deve saber investi-lo bem.

Muitas vezes medimos nossa relação com Deus em base a um comportamento ético simples. O pecado passa a ser a omissão de um dia de jejum ou ter caído em ira etc. Sim, tudo isto é pecado, mas o pecado maior é o que cometemos quando nos omitimos da pregação, ou seja, escondemos o talento recebido. Enquanto que aqueles pecados enfraquecem nossa relação com Deus, ocultar ou esconder o talento nos separa de Deus. Os mandamentos divinos podem ser sintetizados no amor. A Lei tem como objetivo o amor. O objetivo da ética é chegar a sentir paixão pelas coisas divinas. O amor exige do outro. Conhecer a Deus é amá-Lo e, amá-Lo leva necessariamente a anunciá-Lo.

O Kondakion deste domingo nos expressa que a encarnação do Filho de Deus uniu nossa imagem à beleza divina e nos levou a confessar a salvação (a conhecê-la), a proclamá-la e a propagá-la (evangelizar) em palavras e obras.

Que função desempenhamos então em toda esta missão? O que é que devemos examinar todos os anos quando celebramos o «Domingo da Ortodoxia»? A epístola de hoje faz referência a todos aqueles que foram torturados das mais diversas formas e submetidos às prisões. Outros ainda que foram apedrejados, postos a prova ou mortos ao fio da espada. São Paulo menciona os que suportaram tudo isto pela Tradição e pela Fé Ortodoxa, antes e depois de Cristo. Eles, padecendo toda espécie de sofrimentos e torturas, ou até mesmo dando suas vidas para transmitir fielmente o depósito, constituíram-se em modelos para todos nós. Moisés é um dos melhores exemplos pois, recusou ser chamado filho do Faraó, preferindo ser maltratado junto ao povo de Deus, a desfrutar por algum tempo no pecado. Hb 11, 25.

A Ortodoxia é paixão e missão para o fiel, desde que não a tome para si, mas se ponha à seu serviço. O dever de todo o fiel ortodoxo é propagar a Ortodoxia e elegê-la em lugar do gozo temporal do pecado. Acaso não nos alegramos quando chegamos a conhecer a fé e seu passado e a pregamos para o futuro? Os sofrimentos a que muitos são submetidos por causa do Evangelho e de sua pregação constitui a alegria da festa de hoje.

Pelo que te pedimos, Senhor,
que nos concedas morrer por ti todos os dias,
e que teu nome seja anunciado
para que todos os povos da terra
voltem-se para ti, Senhor!
Faze, Senhor, que o mundo todo te conheça de verdade. Amém.

 
       
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