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Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas  Domingo, 24 de Maio de 2020:
 
 
 

«Domingo do Cego»

(6º Domingo da Páscoa - Modo 1 Pl.)

Memória de São Simeão, o Milagroso

Matinas

Evangelho

[JO 20: 11-18]

Evangelho de Jesus†Cristo segundo o Evangelista São João.

aquele tempo, Maria estava junto ao sepulcro, de fora, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se para o interior do sepulcro e viu dois anjos, vestidos de branco, sentados no lugar onde o corpo de Jesus fora colocado, um à cabeceira e outro aos pés. Disseram-lhe então: "Mulher, por que choras?" Ela lhes diz: "Porque levaram meu Senhor e não sei onde o puseram!" Dizendo isso, voltou-se e viu Jesus de pé. Mas não sabia que era Jesus. Jesus lhe diz: "Mulher, por que choras? A quem procuras?" Pensando ser ele o jardineiro, ela lhe diz: "Senhor, se foste tu que o levaste, dize-me onde o puseste e eu o irei buscar!" Diz-lhe Jesus: "Maria!" Voltando-se," ela lhe diz em hebraico: "Rabbuni!" que quer dizer: "Mestre". Jesus lhe diz: ''Não me toques, pois ainda não subi ao Pai. Vai, porém, a meus irmãos e dize-lhes: Subo a meu Pai e vosso Pai; a meu Deus e vosso Deus". Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: "Vi o Senhor", e as coisas que ele lhe disse.

Divina Liturgia

Apolitikion da Ressurreição (Modo 1 Pl.)

Glorifiquemos todos e adoremos o Verbo Divino,
eterno com o Pai e o Espírito Santo,
nascido da Virgem para a nossa salvação;
pois, em sua carne, deixou-se suspender na cruz,
padecer a morte e ressuscitar dos mortos
pela sua gloriosa ressurreição.

Kondakion do Cego

Privado dos olhos da alma, recorro a Ti, ó Cristo,
como o cego de nascimento,
clamando com arrependimento:
«Tu és a luz resplandecente para os que estão nas trevas.»

Prokimenon

Tu, Senhor, nos guardarás e nos preservarás
desta geração e para sempre.

Salva-me, Senhor, porque o justo desapareceu,
porque a verdade se extinguiu entre os filhos dos homens.

EPÍSTOLA

[AT 16: 16-34]

Livro dos Atos dos Apóstolos.

aqueles dias, quando íamos para o lugar de oração, veio ao nosso encontro uma jovem escrava que tinha um espírito de adivinhação; ela obtinha para seus amos muito lucro, por seus oráculos. Começou a seguir-nos, a Paulo e a nós, clamando: "Estes homens são servos do Deus Altíssimo, que vos anunciam o caminho da salvação". Isto ela o fez por vários dias. Fatigado com aquilo, Paulo voltou-se para o espírito, dizendo: "Em nome de Jesus Cristo, eu te ordeno que te retires dela!" E na mesma hora o espírito saiu. Vendo seus amos que findara a esperança de seus lucros, agarraram Paulo e Silas e os arrastaram à ágora, à presença dos magistrados. Apresentando-os aos estrategos, disseram: "Estes homens perturbam nossa cidade. São judeus, e propagam costumes que não nos é lícito acolher nem praticar, pois somos romanos". Amotinando-se a multidão contra eles, os estrategos, depois de mandarem arrancar-lhes as vestes, ordenaram que fossem batidos com varas. Depois de lhes infligirem muitos golpes, lançaram-nos à prisão, recomendando ao carcereiro que os vigiasse com cuidado. Recebida a ordem, este os lançou à parte mais interna da prisão e prendeu-lhes os pés no cepo. Pela meia-noite, Paulo e Silas, em oração, cantavam os louvores de Deus, enquanto os outros presos os ouviam. De repente, sobreveio um terremoto de tal intensidade que se abalaram os alicerces do cárcere. Imediatamente abriram-se todas as portas, e os grilhões de todos soltaram-se. Acordado, e vendo abertas as portas da prisão, o carcereiro puxou da espada e queria matar-se: pensava que os presos tivessem fugido. Paulo, porém, com voz forte gritou: "Não te faças mal algum, pois estamos todos aqui". Então o carcereiro pediu uma luz, entrou e, todo trêmulo," caiu aos pés de Paulo e de Silas. Conduzindo-os para fora, disse lhes: "Senhores, que preciso fazer para ser salvo?" Eles responderam: "Crê no Senhor e serás salvo, tu e a tua casa". E anunciaram-lhe a palavra do Senhor, bem como a todos os que estavam em sua casa. Levando-os consigo, naquela mesma hora da noite, lavou-lhes as feridas, e imediatamente foi batizado, ele e todos os seus. Fê-los, então, subir à sua casa, pôs-lhes a mesa, e rejubilou-se com todos os seus por ter crido em Deus.

Aleluia

Eu cantarei eternamente as tuas misericórdias, Senhor;
e anunciarei a tua verdade de geração em geração.

Porque disseste: «A misericórdia elevar-se-á como um edifício eterno»,
e nos céus a tua verdade será solidamente estabelecida.

Evangelho

[JO 9: 1-38]

Evangelho de Jesus†Cristo segundo o Evangelista São João.

aquele tempo, ao passar, ele viu um homem, cego de nascença. Seus discípulos lhe perguntaram: "Rabi, quem pecou, ele ou seus pais, para que nascesse cego?" Jesus respondeu: "Nem ele nem seus pais pecaram, mas é para que nele sejam manifestadas as obras de Deus." Enquanto é dia, temos de realizar as obras daquele que me enviou; vem a noite, quando ninguém pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo". Tendo dito isso, cuspiu na terra, fez lama com a saliva, aplicou-a sobre os olhos do cego e lhe disse: "Vai lavar-te na piscina de Siloé" - que quer dizer "Enviado". O cego foi, lavou-se e voltou vendo claro. Os vizinhos, então, e os que estavam acostumados a vê-lo antes, porque era mendigo, diziam: "Não é esse que ficava sentado a mendigar?" Alguns diziam: "É ele". Diziam outros: "Não, mas alguém parecido com ele". Ele, porém, dizia: "Sou eu mesmo". Perguntaram-lhe, então: "Como se abriram seus olhos?" Respondeu: "O homem chamado Jesus fez lama, aplicou-ma nos olhos e me disse: 'Vai a Siloé e lava-te'. Fui, lavei-me e recobrei a vista". Disseram-lhe: "Onde está ele?" Disse: "Não sei". Conduziram o que fora cego aos fariseus. Ora, era sábado o dia em que Jesus fizera lama; e lhe abrira os olhos. Os fariseus perguntaram-lhe novamente como tinha recobrado a vista. Respondeu-lhes: "Ele aplicou-me lama nos olhos, lavei-me e vejo". Diziam, então, alguns dos fariseus: "Esse homem não vem de Deus, porque não guarda o sábado". Outros diziam: "Como pode um homem pecador realizar tais sinais?" E havia cisão entre eles. De novo disseram ao cego: "Que dizes de quem te abriu os olhos?" Respondeu: "É profeta". Os judeus não creram que ele fora cego enquanto não chamaram os pais do que recuperara a vista e perguntaram-lhes: "Este é vosso filho, que dizeis ter nascido cego? Como é que agora ele vê?" Seus pais então responderam: "Sabemos que este é nosso filho e que nasceu cego. Mas como agora ele vê não o sabemos; ou quem lhe abriu os olhos não o sabemos. Interrogai-o". Ele tem idade. Ele mesmo se explicará". Seus pais assim disseram por medo dos judeus, pois os judeus já tinham combinado que, se alguém reconhecesse Jesus como Cristo, seria expulso da sinagoga. Por isso, seus pais disseram: ''Ele já tem idade; interrogai-o". Chamaram, então, a segunda vez, o homem que fora cego e lhe disseram: "Dá glória a Deus!" Sabemos que esse homem é pecador". Respondeu ele: "Se é pecador, não sei. Uma coisa eu sei: é que eu era cego e agora vejo". Disseram-lhe, então: "Que te fez ele? Como te abriu os olhos?" Respondeu·1hes: "Já vos disse e não ouvistes. Por que quereis ouvir novamente? Por acaso quereis também tornar-vos seus discípulos?" Injuriaram-no e disseram: "Tu, sim, és seu discípulo; nós somos discípulos de Moisés. Sabemos que Deus falou a Moisés; mas esse, não sabemos de onde é". Respondeu-lhes o homem: " Isso é espantoso: vós não sabeis de onde ele é e, no entanto, abriu-me os olhos! Sabemos que Deus não ouve os pecadores; mas, se alguém é religioso e faz a sua vontade, a este ele escuta. Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos de cego de nascença." Se esse homem não viesse de Deus, nada poderia fazer". Responderam-lhe: "Tu nasceste todo em recados e nos ensinas?" E o expulsaram. Jesus ouviu dizer que o haviam expulsado. Encontrando-o, disse-lhe: "Crês no Filho do Homem?" Respondeu ele: "Quem é, Senhor, para que eu nele creia?" Jesus lhe disse: "Tu o vês, é quem fala contigo". Exclamou ele: "Creio, Senhor!" E prostrou-se diante dele.

Hirmos

Subiu Deus por entre aclamações,
o Senhor, ao som das trombetas.
Aleluia, aleluia, aleluia!

O «Domingo do Cego»

o Evangelho deste domingo, Jesus abre os olhos ao cego de nascença pelas águas de Silóe. Mas antes de pedir ao cego que lavasse seus olhos naquelas águas, Jesus tinha feito uma mistura de terra com sua própria saliva. O milagre estava iminente, uma vez que a receita usada pelo Senhor, isto é, a matéria (terra) e o espírito (saliva saída da boca do próprio Deus), proporcionam ao homem a possibilidade de uma nova criação, uma criação perfeita, por isso, sem defeitos.

Deus usa de nossa própria realidade para operar maravilhas.

Ele quer precisar de nossa história, nossas condições limitadas, nossas experiências, fazendo delas ingredientes necessários para revelar-se.

A luz é criada por Deus, conforme relata o Gênesis, para colocar ordem no Universo. Deus separa as trevas da luz e as nomeia Dia e Noite. Após ter feito a luz, cria o homem, a sua imagem e semelhança, sob a claridade da vida, para que ele governasse a Terra. No entanto preferiu o governo das trevas caindo no pecado. Foi necessária a Nova Luz que brota do caos da morte, para que ele pudesse retornar a sua essência, para que pudesse retornar à luz primitiva:

«Senhor, nosso Deus,
fonte da vida e da imortalidade;
luz e vida de todos;
ó luz eterna da luz eterna;
luz invisível e incompreensível;
cuja morada está na luz inacessível;
luz da glória do Pai e seu esplendor;
luz das ordens celestes
que ilumina todo homem que vem ao mundo.
Tu, ó Salvador,
puseste uma lei ao primeiro homem que estava na luz,
para que o guiasse e dirigisse ao mundo novo,
infundindo nele o desejo de progredir na vida eterna.
Ele, porém, transgrediu teu mandamento
e caiu daquela sua glória
e, com sua queda, causou a sua própria morte
e sua expulsão para longe de Ti,
ó Luz glorificada.

Tu, no entanto, Senhor,
pela tua morte,
imensa bondade e compaixão incomensurável,
desceste até a nossa baixeza, a nós, pecadores,
para devolver-nos aquela glória perdida e a luz primitiva.
Quiseste até morar no túmulo
por nós, transgressores de teus mandamentos divinos;
desceste aos invernos e às profundezas da terra,
despedaçaste as portas eternas
e libertaste os que estavam nas trevas da morte.
Pela tua Ressurreição ao terceiro dia,
iluminaste o nosso gênero humano;
deste ao mundo uma vida nova;
iluminaste a todos melhor que o sol;
e por tua misericórdia,
restituíste à nossa natureza,
o seu lugar primitivo
e a luz gloriosa da qual fora afastada".

«Deus, fonte da vida e da imortalidade;
luz e vida de todos;
ó luz eterna da luz eterna;
luz invisível e incompreensível;
cuja morada está na luz inacessível;
luz da glória do Pai e seu esplendor;
luz das ordens celestes
que ilumina todo homem que vem ao mundo» (*)

Na Criação, o Senhor reorganiza o caos e, com a Ressurreição de Cristo, dá ao homem a Luz nova; neste fato narrado pelo Evangelho, o Senhor reorganizou a vida daquele que era antes privado da visão: de incrédulo passou a ser testemunha do Messias e ao mesmo tempo sua cura manifestava que o Reino de Deus já estava no meio deles.

Em outras passagens do Novo Testamento, a luz também foi usada por Jesus como elemento pedagógico em suas parábolas ensinado-nos que não podemos escondê-la, mas colocá-la em lugares onde ela possa irradiar sua luminosidade.

Uma vez batizados somos possuidores da Luz pois no Batismo, a luz ocupa um lugar de destaque trazendo em seu bojo uma catequese: recebemos a luz (vela acesa) que nos faz Filhos de Deus, que nos faz criaturas iluminadas, com a missão de iluminar.

Ao nascer uma criança dizemos que a «mãe deu à luz uma criança»; isto é: a mãe dá de presente uma criança para a luz do mundo. Com o Batismo pais e padrinhos dão à luz um filho da Igreja. Nele, esta luz não é criada, é a nova luz, a luz que brota da Ressurreição, do túmulo de Cristo. A Igreja acolhe em seu seio, como Mãe, os novos filhos que pelo Batismo são dados à luz da fé. Da mesma forma que após o nascimento uma criança recebe todos os cuidados necessários, no Batismo, pais e padrinhos cuidam por zelar também por ela,para que de fato a Luz recebida no Batismo não seja escondida ou ocultada, mas pelo contrario, seja intensificada, divulgada e anunciada.

Não podemos agir, portanto, como se ignorássemos essas grandezas; não podemos nos esconder da própria luz que nos foi dada no dia de nosso Batismo. Semelhantemente, a prática deve confirmar a nossa adesão ao Cristo e não contrariar o que professamos em público.

O Cego, após o milagre, professou sua fé no Senhor, menosprezando o medo e as conseqüências que disto podia lhe advir.

Somente Cristo consegue lançar luz sobre as trevas. Renunciá-lo significa preferir a escuridão à Luz; luz esta que ilumina a todos e a tudo.

O Senhor abre também nossos olhos e nos ensina a ver nos sofrimentos, nas dores, na morte e nas dificuldades a presença de Jesus sofredor e não a sua completa ausência ou abandono que, as vezes, somos tentados a supor.

A terra e a saliva ainda são necessárias para que a Luz resplandeça e ilumine o mundo; e para que o mundo creia e professe que Jesus é o Senhor, o Messias prometido aos nossos pais desde os tempos mais antigos.

Notas:

(*) Oração do Sábado Santo

Referências Bibliográficas:

BÍBLIA – Bíblia de Jerusalém (Nona Edição Revista e Ampliada). São Paulo: Paulus, 2013.

 

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