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Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas Domingo, 26 de abril de 2020:
 
 
 

«Domingo de Tomé» ou «Domingo Novo»

(2º Domingo da Páscoa - Modo 1)

Memória dos santos Basílio, bispo de Amaséia († 322) e Glafyra a Virtuosa;
e Santo Etienne, primeiro bispo de Perm (†1396)

Matinas

Evangelho

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o evangelista são Mateus.

[MT 28: 16-20]

aquele tempo, os onze discípulos caminharam para a Galileia, à montanha que Jesus lhes determinara. Ao vê-lo, prostraram-se diante dele. Alguns, porém, duvidaram. Jesus, aproximando-se deles, falou: "Todo poder foi me dado no céu e sobre a terra. Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos!". Amém.

Divina Liturgia

Issodikon

Bendizei a Deus nas vossas assembléias
bendizei o Senhor, filhos de Israel!

Salva-nos, ó Filho de Deus,
que ressuscitaste dentre os mortos,
a nós que a Ti cantamos: aleluia!

Apolitikion da Ressurreição (Modo 1)

Embora a pedra fosse selada pelos judeus
e teu puríssimo corpo fosse guardado pelos soldados.
Ressurgiste, porém, ao terceiro dia, ó Salvador,
dando a vida ao mundo!
Por isso, as Potências Celestes clamaram-te, ó Autor da vida:
Glória a tua ressurreição, ó Cristo!
Glória a tua realeza, glória a tua providência, ó Filântropo!

[Em grego]

Του λίθου σφραγισθέντος υπό των Ιουδαίων,
και στρατιωτών φυλασσόντων το άχραντον σου σώμα,
ανέστης τριήμερος Σωτήρ, δωρούμενος τω κοσμώ την ζωήν.
Δια τούτο αι δυνάμεις των ουρανών εβόων σοι ζωοδότα.
Δόξα τη αναστάσει σου Χριστέ, δόξα τη βασιλεία σου,
δόξα τη οικονομία σου, μόνε φιλάνθρωπε.

Apolitikion de São Tomé (Modo Grave)

Do sepulcro selado ressurgiste, ó Vida;
e as portas estando fechadas, entraste no meio dos discípulos,
ó Cristo Deus, ressurreição de todos,
e renovaste em nós, por seu intermédio, o espírito de retidão,
segundo tua grande misericórdia.

Kondakion de São Tomé

Ó Cristo Deus, Tomé pôs sua mão incrédula
no teu lado que dá a vida,
pois, quando entraste, estando as portas fechadas,
ele aclamou com os outros discípulos:
És meu senhor e meu Deus!

Kondakion da Páscoa

Tendo descido ao túmulo, ó imortal,
Tu destruíste o poderio dos infernos
e levantaste-te como vencedor, ó Cristo Deus,
Tu, que disseste às mulheres miróforas: “Rejubilai”;
e aos Apóstolos, dás a paz,
Tu que ressuscitas aqueles que sucumbiram.

Prokimenon

Grande é o Senhor nosso Deus e poderosa a sua força;
sua sabedoria não tem limites.

Louvai o Senhor, porque ele é bom!
Agradável é o louvor a nosso Deus.

Epístola

[AT 5: 12-20]

Livro dos Atos dos Apóstolos.

elas mãos dos apóstolos faziam-se numerosos sinais e prodígios no meio do povo.... Costumavam estar, todos juntos, de comum acordo, no pórtico de Salomão, e nenhum dos outros ousava juntar-se a eles, embora o povo os engrandecesse. Mais e mais aderiam ao Senhor; pela fé, multidões de homens e de mulheres. ... a ponto de levarem os doentes até para as ruas, colocando-os sobre leitos e em macas, para que, ao passar Pedro, ao menos sua sombra cobrisse algum deles. Também das cidades vizinhas de Jerusalém acorria a multidão, trazendo enfermos e atormentados por espíritos impuros, os quais eram todos curados. Interveio então o Sumo Sacerdote com toda a sua gente, isto é, o partido dos saduceus. Tomados de inveja, lançaram as mãos sobre os apóstolos e os recolheram à prisão pública. O Anjo do Senhor, porém, durante a noite, abriu as portas do cárcere, e, depois de havê-los conduzido para fora, disse: "Ide e, apresentando-vos no Templo, anunciai com ousadia ao povo tudo o que se refere àquela Vida!" Tendo ouvido isto, entraram no Templo ao raiar do dia e começaram a ensinar.

Aleluia

Vinde, regozijemo-nos no Senhor;
cantemos as glórias de Deus, nosso Salvador!

Porque o Senhor é grande,
é o grande Rei de toda a terra.

Evangelho

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o evangelista são joão.

[JO 20: 19-31]

aquele tempo, à tarde desse mesmo dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas onde se achavam os discípulos, por medo dos judeus, Jesus veio e, pondo-se no meio deles, lhes disse: "A paz esteja convosco!" Tendo dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos, então, ficaram cheios de alegria por verem o Senhor. Ele lhes disse de novo: "A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, também eu vos envio". Dizendo isso, soprou sobre eles" e lhes disse: "Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; aqueles aos quais retiverdes ser-lhes-ão retidos". Um dos Doze, Tomé, chamado Dídimo, não estava com eles, quando veio Jesus. Os outros discípulos, então, lhe disseram: "Vimos o Senhor!" Mas ele lhes disse: "Se eu não vir em suas mãos o lugar dos cravos e se não puser meu dedo no lugar dos cravos e minha mão no seu lado, não crerei". Oito dias depois, achavam-se os discípulos, de novo, dentro de casa, e Tomé com eles. Jesus veio, estando as portas fechadas, pôs-se no meio deles e disse: "A paz esteja convosco!" Disse depois a Tomé: "Põe teu dedo aqui e vê minhas mãos! Estende tua mão e põe-na no meu lado e não sejas incrédulo, mas crê!" Respondeu-lhe Tomé: "Meu Senhor e meu Deus!" Jesus lhe disse: "Porque viste, creste. Felizes os que não viram e creram!" Jesus fez ainda, diante de seus discípulos, muitos outros sinais, que não se acham escritos neste livro. Esses, porém, foram escritos para crerdes que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.»

Kinonikon

Glorifica o Senhor, Jerusalém!
Celebra o teu Deus, ó Sião.
Aleluia, aleluia, aleluia!

Hirmos

Nós te glorificamos com hinos,
ó candelabro brilhante!
Mãe de Deus e glória resplandecente,
tu que és mais elevada que todas as criaturas.

OBS.:

Logo após «Bendito seja o reino do Pai ..», o sacerdote canta: «Cristo ressuscitou dos mortos..» e o coro repete duas vezes. Em vez de: «Vimos a verdadeira luz ...», «Cristo ressuscitou..» (1 x).

Na Semana de S. Tomé:

  1. Antífonas e Issodikón: da Páscoa;
  2. Apolitíkion do santo , do padroeiro da Igreja e de São Tomé;
  3. Kondakiondo santo do dia, do padroeiro da igreja e de São Tomé
  4. Hirmós: «Verdadeiramente é digno e justo ...»;
  5. Kinonikón: do dia da semana;
  6. Depois da Comunhão: «Cristo ressuscitou dos mortos..»".

Durante todo o Tempo Pascal, depois da Bênção final, diz-se: «Cristo ressuscitou dos mortos...» em vez de «Pelas orações...».

 

O Domingo da Ressurreição

inda é o Domingo da Nova Páscoa. Os discípulos estão reunidos no Cenáculo e Jesus entra «estando às portas fechadas», trazendo-lhes a Paz [Jo 20,19]. As portas trancadas do Cenáculo ainda são sinais da ausência do Mestre e do medo que todos sentiam.

Os discípulos estão reunidos na sala, onde cearam com o Senhor, na ocasião em que ele ensinou o Mandamento Novo e lavou os seus pés. O ambiente no qual aconteceu a manifestação de humildade de Jesus, ao lavar os pés dos seus apóstolos, o lugar onde foi o palco do ensinamento mais profundo sobre o amor, torna-se também o recinto do encontro entre o Ressuscitado e seus seguidores mais próximos. Parece ser o espaço cedido às grandes manifestações do divino, aonde concretizou toda a missão do Filho do Homem de maneira sucinta. O cenáculo é o lugar da Oração, o lugar da Catequese por excelência; o Cenáculo é o ambiente do esvaziamento e da humildade, é o espaço da Celebração da Eucaristia, onde Ele se oferece e é oferecido. Mais do que isso, o Cenáculo tornou-se ambiente sagrado, pois Jesus apareceu Ressuscitado, enquanto os apóstolos rezavam.

Hoje, o novo Cenáculo é a Igreja, aonde o Senhor se dá na forma de pão e vinho, Corpo e Sangue d'Ele oferecidos, no Altar, isto é, na Pedra removida da Ressurreição. Outrora os seus seguidores se reuniam no Cenáculo por medo, agora se reúnem para manifestar a grande alegria da Nova Páscoa.

São Cipriano nos ensina que a Igreja é o ambiente sagrado onde a Celebração Eucarística revive a Ressurreição de Cristo no sacrifício incruento oferecido pelo sacerdote: «O sacrifício do sacerdote é a repetição do sacrifício de Cristo na Ceia e ambos são representação do sacrifício único da Cruz».

Jesus «entra», atravessando as barreiras externas (as portas) e internas (a dúvida) daquele ambiente. A razão e a fé têm provas daquilo que Maria de Magdala anunciava tão efusivamente: «Jesus Ressuscitou!» Jesus se apresenta com os sinais da Paixão; as marcas das perfurações em seu corpo, ainda são nítidas, talvez para sacar qualquer duvida sobre sua identidade: aquele que crucificaram, estava ali. Jesus transmite os dons pascais resumidos na paz, na reconciliação e na fé, aos que estavam reunidos em seu Nome. Jesus, ao transmitir seus dons aos homens, transforma estes homens em «homens novos», em «homens pascais»; é uma nova identidade, uma maneira peculiar de ser e de agir, movidos pelo espírito da Ressurreição. Mostra-lhes as mãos e o lado com os sinais da Paixão e diz: "Como o Pai me enviou, também eu vos envio" (Jo 20, 21). Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo: "Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; a quem não os perdoardes, serão retidos" (Jo 20, 22-23). Jesus lhes dá o dom de perdoar os pecados, um dom que brota das chagas de suas mãos e de seus pés e, sobretudo, de seu lado perfurado, donde jorram os sacramentos da Igreja.

«A paz seja convosco!» Mais do que um cumprimento, esta saudação sintetiza a própria obra redentora do Ressuscitado. Por meio da Cruz, Ele anulou a inimizade e anunciou a paz aos que estavam longe e aos que estavam perto.

Os cristãos reunidos, no «Novo Cenáculo», a Igreja, no mesmo dia da Ressurreição de Cristo, isto é, no Domingo, celebram juntos os Mistérios da Morte e Ressurreição do Filho de Deus para, ante o Mistério da Ressurreição, transformarem-se em novas criaturas, em novo homem. A Igreja Bizantina celebra a Ressurreição do Senhor, única e exclusivamente aos Domingos pela manhã, exceto nas grandes Festas, para testemunhar a seus fiéis que Jesus Ressuscitado é o «Kyrios» (Senhor), o «Dominus» (Domingo).

Assim nos diz Eusébio de Cesaréia: «Nós, os filhos da Nova Aliança, celebramos a cada Domingo a nossa Páscoa e somos saciados, em todo o tempo, com o Corpo Ressuscitado do Salvador e participamos, em todo o tempo, de seu Sangue. Cada Domingo somos vivificados pelo corpo santificado do mesmo Cordeiro Pascal, que é a nossa Salvação e nossa alma é selada pelo seu precioso sangue».

Esta celebração se faz com a Comunidade de fiéis que, juntos confirmam sua fé em Deus e buscam n'Ele, através da Eucaristia, a vida Nova, força para vencer o pecado, símbolo da morte. Quando não conseguimos contemplar o Ressuscitado, fatalmente haverá a dúvida, a incerteza, os questionamentos oriundos de um coração alicerçado ainda nas raízes da “velha criação”. Foi o que aconteceu no Cenáculo, com aquele que era conhecido como o «Dídimo».

Tomé estando ausente não testemunhou a Nova Páscoa... A Igreja reunida viu o Senhor Ressuscitado no Cenáculo e comunicou a Tomé a grande notícia, mas não foi o suficiente para que ele acreditasse na voz da Igreja (Os apóstolos). Era necessário que seus olhos vissem e seus dedos tocassem as chagas.

Ainda hoje, como Tomé, muitos são os que ainda exigem as mesmas condições para crer e viver as verdades proclamadas pela Igreja. Nem mesmo o fundamental (a Ressurreição) está isento de dúvidas. Prefere-se mesclar esta verdade de fé com outras doutrinas e crenças que lhes parecem mais aceitáveis pela «razão», mais agradáveis aos sentidos. É uma necessidade infantil e ingênua acalentar uma esperança de se ter nova chance, uma nova oportunidade para se viver. Tais pensamentos geram confusão e aumenta a incredulidade. É preciso purificar o conteúdo de nossa fé cristã.

Novamente o Ressuscitado aparece, desta vez com Tomé presente, para que ele não tenha dúvidas que são de fato aquelas mãos que acolhia os pecadores e protegia as crianças, que abençoava os alimentos e retirava os espíritos impuros; são de fato os pés do Messias itinerante, do Ungido sem endereço fixo, do Missionário andarilho. Carne e ossos de uma humanidade aceita por amor, mas que estavam ali ressuscitados, elevando a dignidade humana aos patamares cobiçados até mesmo pelos anjos. O Senhor se apresenta no meio de todos, não dedicando a Tomé uma aparição exclusiva, ensinando-nos que, para aqueles de «pouca fé», a ajuda da comunidade reunida é essencial.

A dúvida, a insegurança, a incerteza e o medo nascem dos momentos onde a presença de Deus é encoberta. Basta descobri-la para nos tornarmos corajosos, desbravadores, seguros e convictos cristãos, como São Tomé, depois da aparição do Ressuscitado.

Todos nós que cremos e vivemos sob a ótica da Ressurreição de Cristo, recebemos uma nova criação, pois ela transforma nosso interior e nos faz pessoas diferentes. Assim aconteceu com Pedro, Madalena e Tomé. Antes da Ressurreição, Pedro negou Jesus por três vezes; depois, ele afirma que ama o Senhor e sofre as conseqüências deste amor: de temeroso homem, torna-se o «apascentador das ovelhas de Cristo», missionário, evangelizador e mártir. Madalena, anteriormente, amedrontada chorava a perda de seu Mestre; agora ela torna-se a Evangelizadora por excelência, a propagadora pioneira da Boa Nova. Tomé, da boca que proferia palavras de descrença e dúvidas, verbaliza a mais bela exclamação de reconhecimento perante o Jesus Ressuscitado: «meu Senhor e meu Deus».

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BÍBLIA – Bíblia de Jerusalém (Nona Edição Revista e Ampliada). São Paulo: Paulus, 2013.

Fonte:

ALTANER, B. / STUIBER, A: Patrologia. Vida Obras e Doutrina dos Padres da Igreja, II. São Paulo: Ed. Paulinas, 1988.

 

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