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  SINAXE - Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas  

1º de Janeiro:

 
 
 
 
 
 
 

«Circuncisão de Nosso Senhor Jesus Cristo,
Segundo a Carne»

São Basílio, o Grande

Issodikon

Vinde, adoremos e prostremo-nos ante o Cristo!

Salva-nos, ó Filho de Deus,
Tu que foste circuncidado na carne
a nós que a Ti cantamos: aleluia!

Apolitikion

Tu, que estás sentado nas alturas em um trono de fogo,
com teu Pai eterno e teu Espírito Divino,
quiseste nascer na terra de tua Mãe,
a Virgem que não conheceu varão.
Por isso foste também circuncidado como homem no oitavo dia.
Glória, pois, aos teus bondosos desígnios;
glória à tua economia;
glória à tua condescendência,
ó único Amigo da humanidade!

Outro Apolitikion da Festa (1º tom)

Ó Senhor misericordioso,
Tu que és Deus por natureza,
tomaste sem alteração uma forma humana
e cumpriste a lei recebendo voluntariamente a circuncisão da carne,
a fim de abolir as figuras e eliminar as trevas de nossas paixões.
Glória pois, à tua bondade,
glória à tua misericórdia;
glória, ó Verbo, à tua indizível condescendência!

Apolitikion de São Basilio

A tua voz se espalhou por toda terra que aceitou a tua palavra,
pela qual explicaste divinamente as verdades dogmáticas,
esclareceste a natureza dos seres e ordenaste os costumes.
Ó Pai justo, revestido do sacerdócio real,
roga a Cristo Deus pela salvação de nossas almas!

Kondakion da Festa

O Senhor de todos recebe a circuncisão
e, em sua bondade, corta as faltas dos mortais
e concede hoje a salvação ao mundo.
Alegra-se também nas alturas o pontífice do Criador,
o astro luminoso, o íntimo de Cristo, o divino Basílio.

Kondakion de São Basilio

Foste um sustentáculo firme para a Igreja
e fizeste de teu poder um abrigo para todos nós,
confirmando-nos por teus ensinamentos,
ó justo Basílio, esclarecedor dos mistérios celestes.

Prokimenon

Minha boca dirá palavras sábias,
e meu coração aplicar-se-á à sabedoria.

Ouvi isto, todas as nações;
estai atentos, vós todos que habitais a terra!

Epístola

[Cl 2, 8-12]

Leitura da Epístola do Apóstolo São Paulo aos Gálatas

rmãos, cuidado para que ninguém escravize vocês através de filosofias enganosas e vãs, de acordo com tradições humanas, que se baseiam nos elementos do mundo, e não em Cristo.

É em Cristo que habita, em forma corporal, toda a plenitude da divindade. Em Cristo vocês têm tudo de modo pleno. Ele é a cabeça de todo principado e de toda autoridade. Em Cristo vocês foram circuncidados com uma circuncisão não feita por mãos humanas, mas com a circuncisão de Cristo, a qual consiste em despojar-se do corpo carnal. Com ele, vocês foram sepultados no batismo, e nele vocês foram também ressuscitados mediante a fé no poder de Deus, que ressuscitou Cristo dos mortos.

Aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia!

Escuta, ó Pastor de Israel,
Tu que conduzes José como a uma ovelha:
Aleluia, aleluia, aleluia!

A boca do justo fala sabedoria,
e a sua língua exprime o que é reto.
Aleluia, aleluia, aleluia!

Evangelho

[Lc 2, 20-21; 40-52]

Evangelho de Nosso Senhor Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São Mateus

aquele tempo, os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que haviam visto e ouvido, conforme o anjo lhes tinha anunciado.

Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo, antes de ser concebido no ventre da mãe. O menino crescia e ficava forte, cheio de sabedoria. E a graça de Deus estava com ele. Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. Quando o menino completou doze anos, subiram para a festa, como de costume. Passados os dias da Páscoa, voltaram, mas o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o notassem. Pensando que o menino estivesse na caravana, caminharam um dia inteiro. Depois começaram a procurá-lo entre parentes e conhecidos. Não o tendo encontrado, voltaram a Jerusalém à procura dele. Três dias depois, encontraram o menino no Templo. Estava sentado no meio dos doutores, escutando e fazendo perguntas. Todos os que ouviam o menino estavam maravilhados com a inteligência de suas respostas. Ao vê-lo, seus pais ficaram emocionados. Sua mãe lhe disse: «Meu filho, por que fizeste isso conosco? Olhe que seu pai e eu estávamos angustiados, à tua procura.» Jesus respondeu: «Por que me procuravam? Não sabiam que eu devo estar na casa do meu Pai?» Mas eles não compreenderam o que o menino acabava de lhes dizer.

Jesus desceu então com seus pais para Nazaré, e permaneceu obediente a eles. E sua mãe conservava no coração todas essas coisas. E Jesus crescia em sabedoria, em estatura e graça, diante de Deus e dos homens.

Hirmos

Ó Cheia de Graça, em ti rejubila-se toda a criação.
A assembléia dos Anjos e o gênero humano te glorificam,
ó templo santificado, paraíso espiritual e glória das virgens,
na qual Deus se encarnou e da qual tornou-se Filho
Aquele que é nosso Deus antes dos séculos;
porque fez de teu seio um trono
e as tuas entranhas, mais vastas do que os céus.
Ó Cheia de Graça, em ti rejubila-se toda a Criação e te glorifica!

Kinonikon

Louvai o Senhor do alto dos céus!
Aleluia, aleluia, aleluia!

Obs.:

Na Bênção final o sacerdote acrescenta:
«Que aquele que, no oitavo dia,
quis ser circuncidado na carne para a nossa salvação,
o Cristo nosso verdadeiro Deus ...»

 

 

arra o Evangelho que após 8 dias do nascimento de Jesus, Maria e José levaram o Menino até o Templo para oferecê-lo ao Senhor e cumprir o preceito da Circuncisão, conforme prescrevia as leis religiosas do povo judeu. Após a primeira parte da narrativa, observa-se um corte cronológico na harmonia dos acontecimentos, para destacar o encontro de Jesus com os Doutores da Lei, no Templo de Jerusalém.

Essas duas narrativas unidas, a princípio tão distantes temporalmente, e tão próximas quanto ao objetivo de sublinhar a dupla natureza do Messias, se fundem numa leitura única. O menino foi levado para circuncisão pois era plenamente humano e estava sujeito às leis sócio- religiosas; no entanto, com 12 anos revelava sua sabedoria extraordinária que tinha uma fonte não humana. Ele era o VERBO de Deus que inicia suas reflexões com aqueles mais ilustres e doutos. «O mundo foi feito por Ele, mas o mundo não O conheceu» (Jo 1,10-11).

Primeiramente, Jesus tinha sido reconhecido como Senhor pelos pastores que vieram prestar-lhe adoração. Eles representavam os marginalizados, pobres, os esquecidos: os verdadeiros destinatários da Boa Nova. Depois foi reconhecido pelo profeta Simeão no templo, onde a profecia de Malaquias se cupria: «De repente, vai chegar ao Templo o Senhor que vós procurais, o mensageiro da Aliança que vós desejais» (Mq 3,1). Simeão revelou com a sua profecia que a Salvação não seria só para Israel, mas para todos os povos. Israel foi o lugar da espera e da realização das profecias, mas a Salvação trazida pelo Messias não se restringiria somente à sua área geográfica. O messias é a luz que iluminaria a todos os povos. Abre-se o horizonte universal do anúncio e da prática do Evangelho.

A Igreja também recorda hoje, no primeiro dia do ano, São Basílio, o Grande, pai da Igreja, santo da Patrística que deixou para a história eclesiástica ricos tesouros expressos em textos litúrgicos e maravilhosos sermões e meditações até hoje estudados. São Basílio na Igreja do Ocidente é lembrado no dia posterior ao do calendário litúrgico Bizantino. Ele é o Santo da Igreja Primitiva; é o Santo da Igreja indivisa.

As coleções litúrgicas bizantinas apresentam três anáforas, uma das quais é atribuída a São Basílio, usada em liturgias muito especiais, devido sua profundidade teológica e extensão dos textos. Existe também uma anáfora Alexandrina de S. Basílio mais breve em grego, em copta, árabe e etíope. As versões siríaca, Armênia, georgiana, eslava e uma outra versão árabe seguem a fórmula bizantina, anterior aos manuscritos gregos.

São Basílio faleceu em 1º de janeiro de 379, na Cesaréia de Capadócia.

São Gregório Nazianzeno e Gregório Nisseno proferiram brilhantes elogios em seu funeral que influenciaram a sua hagiografia.

Fontes:

BERARDINO, Angelo. Dicionário Patrístico e das Antiguidades Cristãs.
Ed. Vozes e Paulus - Petrópolis - RJ 2002
STORNIOLO, Ivo. Como Ler o Evangelho de Lucas
Ed. Paulus - São Paulo - RJ 1992

 
       
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