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  SINAXE - Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas  

 

 
 
 
 
 
 
 

21 de Novembro:

«Festa da Apresentação da Santíssima Mãe de Deus no Templo»

Apolitikion da Ressureição (1º tom)

Embora a pedra fosse selada pelos judeus 
e teu puríssimo corpo fosse guardado pelos soldados. 
Ressurgiste, porém, ao terceiro dia, ó Salvador, 
dando a vida ao mundo! 
Por isso, as Potências Celestes clamaram-te, ó Autor da vida: 
Glória a tua ressurreição, ó Cristo! 
Glória a tua realeza, glória a tua providência, ó Filântropo!

Apolitikion da Festa (4º tom)

Hoje é o prelúdio da benevolência de Deus
e a proclamação preliminar da salvação dos homens.
A Virgem apresenta-se com esplendor no Templo de Deus
e antecipadamente anuncia Cristo a todos.
A ela nós também clamamos em alta voz:
"Salve , ó realização da economia do Criador!"

Kondakion da Ressurreição (1º tom)

Glória ao Pai , ao Filho e ao Espírito Santo.

Tu, sendo Deus, te levantaste do túmulo, 
e devolveste a vida ao mundo; 
a natureza humana, por isso te louva: 
a morte foi vencida, Adão se regozija, ó Mestre, 
e Eva, liberta agora das cadeias da morte, com alegria exclama: 
Tu, Cristo, és o que a todos dá a Ressurreição!

Theotokion (1º tom)

Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

Quando Gabriel te saudou, ó Virgem, dizendo: "alegra-te!" 
e com sua voz, o Salvador encarnou-se em ti, tabernáculo santo;
e, como falava o Justo Davi: "veio do céu trazendo o Criador de tudo",
glória Àquele que habita em ti, 
glória Àquele nascido de ti e que nos libertou!

Kondakion da Festa (4º tom)

O templo puríssimo do Salvador, a Virgem,
a preciosíssima câmara nupcial,
o sagrado tesouro da glória de Deus
é apresentada hoje à Casa do Senhor,
introduzindo com ela a graça do Espírito Divino.
Os anjos de Deus a louvam clamando:
"Esta é o tabernáculo celeste!"

Prokimenon da Festa

Minha alma glorifica o Senhor,
meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador.

Porque voltou seus olhos para a humildade de sua serva;
doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada

Epístola

Leitura da Epístola aos Hebreus

[Hb 9, 1-7]

rmãos, a primeira aliança tinha normas para o culto e um santuário terrestre. De fato, foi construída uma tenda: trata-se da primeira tenda, chamada «Santo»; e nela estavam o candelabro, a mesa e os pães da oferta. Atrás do segundo véu havia outra tenda, chamada «Santo dos Santos». Estavam aí o altar de ouro para o incenso, e a arca da aliança toda recoberta de ouro, na qual se encontrava uma urna de ouro que continha o maná, o bastão de Aarão, que tinha brotado, e as tábuas da aliança. Sobre a arca estavam os querubins da Glória, que com sua sombra cobriam o lugar do perdão. Agora, porém, não é o momento de nos perdermos em pormenores. Estando tudo assim disposto, os sacerdotes a todo momento entram na primeira tenda para celebrar o culto. Na segunda tenda, porém, entra somente o sumo sacerdote uma vez por ano, levando o sangue que ele oferece por si mesmo e pelos pecados que o povo cometeu por ignorância.

Aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia!

Ouve, filha, vê e inclina o teu ouvido
esquece o teu povo e a casa de teu pai.
Aleluia, aleluia, aleluia!

A filha de Tiro e os ricos do povo
imploram teu favor com seus presentes
Aleluia, aleluia, aleluia!

Evangelho

Evangelho de Nosso Senhor JesusCristo, segundo o Evangelista São Lucas

(Lc 10, 38-42; 11,27-28)

aquele tempo, Jesus entrou num povoado e uma mulher, de nome Marta, o recebeu em sua casa. Ela tinha uma irmã, chamada Maria, a qual se sentou aos pés do Senhor e escutava a sua palavra. Marta, porém, estava ocupada com os muitos afazeres da casa. Ela aproximou-se e disse: Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço? Manda pois que ela me venha ajudar! O Senhor, porém, lhe respondeu: Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada com muitas coisas. No entanto, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada. Enquanto Jesus assim falava, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e lhe disse: Feliz o útero que te trouxe e os seios que te amamentaram. Jesus respondeu: Muito mais felizes são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática.

Hirmos

Os anjos, vendo a entrada da Puríssima,
admiraram-se de como a Virgem entrou no Santo dos Santos.
Que nenhuma mão profana a toque, ela, a Arca viva de Deus;
mas que os lábios dos fiéis cantem sem cessar à Mãe de Deus,
a saudação do Anjo, clamando com entusiasmo:
«Ó Virgem Pura, és, realmente, a mais elevada de todas as criaturas!»

 

s justos Joaquim e Ana, mesmo antes do nascimento de sua filha Maria, tinham prometido dedicar a Deus a criança que Ele lhes havia concedido.

Quando a Santíssima Virgem Maria era ainda uma jovem menina, eles a levaram ao Templo, acompanhada por virgens com lamparinas, e a colocaram no primeiro degrau da escada. De acordo com a antiga tradição, Maria subiu os quinze degraus do Templo sozinha. No topo da escada o sumo sacerdote a encontrou e, cheio do Espírito Santo, conduziu-a não só até o altar, mas mesmo até o Santo dos Santos onde, de acordo com a Lei, o próprio sumo sacerdote só podia entrar uma vez por ano. O povo ficou assombrado com essa entrada, e os anjos de Deus maravilharam-se também.

Os Cristãos celebram esse evento em 21 de novembro como um portento de reconciliação do homem com Deus através do poder de Cristo.1

Esta festa litúrgica é celebrada nas Igrejas do Oriente desde o século VI, quando foi inaugurada uma igreja na cidade de Jerusalém em 543. Pouco a pouco foi se transformando em comemoração local para, gradativamente, estender-se por todo Oriente e implantar-se em Constantinopla, entre os séculos VII e VIII. Contribuíram para isto alguns Patriarcas como Germano e Tarásios.

Embora não seja testificada pelo Evangelho, mas apenas embasada na Tradição viva da Igreja Primitiva, é celebrada com tanta piedade como as demais festas marianas do calendário litúrgico.

A Igreja, celebrando esta festa, não quer recordar a entrada de Maria no Templo, simplesmente como fato histórico, mas quer enaltecer, mais uma vez, as virtudes de Maria que são modelos a serem seguidos por todos nós cristãos.

A Apresentação de Maria no Templo nos apresenta dois Evangelhos ricos em significados: no Orthros, Maria declama seu "Magnificat" e, na Liturgia, Jesus visita Marta e Maria.

Reza a Tradição que Maria, ao ser apresentada, contava com três anos de idade; e desde então se doou a Deus de maneira plena, tornando-se disponível à sua vontade. Desde o início ela foi a "Serva do Senhor" (Lc 1,38) a quem amou e serviu com todas as forças.

Maria preparou-se desde pequena para "tornar-se ela própria "templo" do Altíssimo. O anjo Gabriel anunciou tal realidade dizendo: "Não temas Maria, pois encontraste graça aos olhos de Deus". E a sua resposta é um célebre poema que enaltece a humildade e destrona o orgulho.

A humildade, a simplicidade, a singeleza e a sinceridade são características freqüentes em uma criança. Maria foi apresentada portando estes atributos. O crescimento não destituiu esses predicados da Virgem de Nazaré, mas fê-los permanentes.

O silêncio de Maria e suas orações freqüentes acolhem a vontade de Deus com amor, pois produziu dedicação. Maria cooperou na obra da Redenção dando seu "Sim", não de maneira passiva, mas numa operosa atividade. O seu "Sim" foi mantido e acentuado em toda a vida, até mesmo no calvário onde, também ela, ofereceu seu Filho que se oferecia por nossa Salvação.

Escolhida para ser mãe, pôs-se a serviço e se declarou serva. O mundo está cansado de palavras, de gestos ruidosos. Maria faz. No silêncio, realiza aos poucos sua parte.

Maria é a nova Eva que gerou pelo seu "sim" o novo Adão. A primeira Eva foi a mulher do primeiro Adão e a ele prestava seus serviços como esposa dedicada, mas, porque fraca e desobediente, pecou. A Nova Eva é mãe do Novo Adão, que por amor e profundo respeito a Ele, doou-se por inteira; e porque fiel e obediente, trouxe ao mundo o perdão e a redenção. Onde havia abundado o pecado, pelo "Sim" de Maria a Graça superabundou .

Maria é modelo de fé adulta, esclarecida, consciente. Uma fé que enfrenta todas as dificuldades, sem duvidar da presença de Deus em sua vida.

A Festa da Entrada da Virgem Maria no Templo acontece um pouco antes da Natividade do Senhor. É um convite a uma mais profunda e esmerada preparação para que possamos viver este tempo de graça em plenitude.


Notas:

[1] Manual de Serviços Divinos,
Arcipreste D. Sokolof

 
       
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