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  Patriarcado Ecumênico de Constantinopla  
 
 
 
 
 
 

Mensagem de S. Santidade Bartolomeu I, Patriarca Ecumênico de Constntinopla, por ocasião da celebração da PÁSCOA de 2007

Tradução do espanhol: Pe. Pavlos, hieromonge

 

CONSTANTINOPLA, 01 de abril de 2007

† Bartolomeu I
Pela graça de Deus, Arcebispo de Constantinopla, Nova Roma, Patriarca Ecumênico.

 

A toda a Santa Igreja, Graça, Paz, e a Misericórdia de Cristo o Salvador que ressuscitou em glória!

Irmãos concelebrantes, fiéis amados de Deus e filhos devotos da Igreja.

- «Cristo Ressuscitou!»

 

Ouve-se, de novo, esta alegre saudação dos cristãos (que vivem) nas sociedades cristãs, majoritariamente prósperas. Porém, estas sociedades afastam a pergunta e a verdadeira questão da morte, e vivem como se a morte fosse inexistente e a ressurreição desnecessária. Não obstante, é "muito terrível o mistério da morte" como disse o poeta sacro, e a realidade cotidiana.

O medo da morte se revela naqueles que enfrentam problemas de saúde e de idade avançada, ainda quando se desloca por meio de diferentes métodos, corrói a paz dos corações, enche a alma de angústia e, freqüentemente, conduz ao suicídio, porque a incerteza que se dilata resulta insuportável. A esta incerteza a Ressurreição de Cristo põe fim. A morte já não é mais a soberana da vida. A pedra do sepulcro não cobre eternamente nossa existência com o silêncio eterno. A pedra que fechou a porta do sepulcro de Cristo foi removida e Cristo saiu triunfante, superior à morte, imune ao seu aguilhão, o primogênito dos mortos. Desde então, depois dEle, a porta do sepulcro ficou aberta para todos. O medo da morte desapareceu para todos aqueles que desejam seguir seus caminhos, o universo ficou cheio de alegria e de esperança. “Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está tua vitória?" Pergunta de modo triunfal nosso predecessor São João Crisóstomo.

Certamente, para muitos, continua soando “como delírio” nossas palavras. Os atenienses em Pnica, ao escutar o apóstolo Paulo falar da ressurreição dos mortos, riram-se às gargalhadas e se foram, dizendo ironicamente a ele: “te escutaremos de novo”. Até os mesmos apóstolos, que tinham ouvido do próprio Senhor que ao terceiro dia ressuscitaria, tiveram dificuldades para aceitar o anúncio das mulheres portadoras de aromas que o Senhor ressuscitou. Nós, porém, irmãos e filhos queridos no Senhor, vivenciamos a repedida e a constante Ressurreição do Senhor. Não só no altar da igreja que representa o calvário, mas também nas biografias dos santos antigos e dos mais contemporâneos a nós. O Senhor ressuscitou e nos presenteou com a vida. Porém, mais do que isso, segue ressuscitando e doando vida. A morte se converteu em porta de transposição para outro estado de vida. Deixou de ser uma prisão de almas, porão inacessível, situação de desespero. Os muros do quartel da morte e seus portões foram destruídos e, todo aquele que segue a Cristo pode retornar para a vida juntamente com Cristo.

Tenham fé, irmãos e filhos, e tenham também esperança. Libertem-se do medo da morte e das angústias da vida. Para os que, como vós, crêem, a morte já não mais existe. Tão somente agora purifiquem vossas almas e vossos corpos, envolvendo-vos na companhia de Cristo, Aquele que é a vossa Ressurreição. Cristo ressuscitou e vós todos estão, potencialmente, ressuscitados. A jubilosa e alegre mensagem da Ressurreição não é algo alheio e indiferente a vós, mas é para vós, diz respeito a vós. E, vosso coração e lábios devem esta cheios de alegria ao dizer: “Cristo ressuscitou”, porque “em verdade, ressuscitou” e, nós, junto com ele, ressuscitamos. Que sua graça vivificadora que cura todas as debilidades e suplanta as carências, seja com todos vós. Amém.

Santa Páscoa do ano do Senhor de 2006.

† Bartolomeu de Constantinopla,
Fervoroso suplicante a Cristo Ressuscitado por todos vós.

 

 
       
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