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  Patriarcado Ecumênico de Constantinopla  
 
 
 
 
 
 

Mensagem de S. Santidade Bartolomeu I, Patriarca Ecumênico de Constntinopla, por ocasião da celebração da PÁSCOA de 2006

Tradução do espanhol: Pe. Pavlos, hieromonge

† Bartolomeu I
Pela graça de Deus, Arcebispo de Constantinopla, Nova Roma,
Patriarca Ecumênico.

 

A toda a Santa Igreja, Graça, Paz, e a Misericórdia de Cristo o Salvador que ressuscitou em glória!

Irmãos concelebrantes, fiéis amados de Deus e filhos da Igreja.

Como pode morrer a Vida?
Como pode a Vida fazer morada num sepulcro?

 

Toda a natureza se assombra e se surpreende. O coro dos Anjos, a multidão das gentes, toda a criação se detêm com temor e tremor diante do grande e inefável mistério da santa Paixão e da esplendorosa Ressurreição de Cristo Salvador e se pergunta:como é possível que morra a Vida, a verdadeira Vida, a Vida por si mesma, a Fonte da Vida? Como pode o sepulcro ser a morada da Vida, ou seja, d'Aquele que disse de si mesmo: "Eu Sou a Vida"? (Jo 14,16). A resposta foi dada por meio da Ressurreição.

Muitas das interrogações daquele tempo ainda permanecem. Tudo aquilo que aconteceu uma só vez, se repete desde então, constante e ininterruptamente. O mistério continua, o assombro também. Cristo é um ponto de contradição (Lc 2, 34), hoje também para muitos. Cristo é crucificado, porém é também ressuscitado. Para alguns o crucificado é escândalo, para outros, uma estupidez. (1Cor 1, 23).

Se para alguns o Ressuscitado é motivo de zombaria, se por outros é caluniado, Ele reina, contudo, nos corações dos fiéis. Nós, os fiéis, vivenciamos de antemão a Ressurreição, vivemos na Ressurreição, não tememos a morte física do corpo porque cremos na Ressurreição de Cristo e da pessoa, e a consideramos como um fato, testemunhado por nossa convivência com os santos que, ainda falecidos segundo a concepção humana, vivem com efeito, nos cuidam e nos auxiliam em nossas vidas. Porém, soou então, e ainda soa deste então, em alto som, o grito do fanatismo: "Crucifica-o, crucifica-o!" Respondeu então e reponde através dos tempos a covardia e irresponsabilidade dos poderosos: "Tomai-O vós mesmos e crucificai-O" (Jo, 9, 6).

A Vida ressuscitou, Cristo ressuscitou. Nós também damos nosso testemunho de sua Ressurreição, não por meio de argumentos convincentes, mas por meio de nossa vida de ressurreição. Nosso testemunho se faz crível na medida em que vive em nós o Cristo ressuscitado, na medida em que é manifestada por todo o nosso ser a alegria, a certeza e a paz da Ressurreição. Permanece, desde então, diante de nós o túmulo, como uma ameaça à vida, à vida do ser humano e de nosso meio ambiente. Não nos referimos, por certo, à corrupção e à morte no sentido biológico das palavras. Referimo-nos antes àquelas formas de morte e de corrupção que ameaçam a vida do ser humano de maneira inesperada, cruel e violenta. Aquelas que provocam a consciência, menosprezam a pessoa humana, corrompem a beleza da natureza.

Referimo-nos, por exemplo, à vida que é entregue à morte antes mesmo de contemplar a luz do sol. Referimo-nos as milhões de crianças que são conduzidas ao túmulo pela pobreza, pela miséria, pela fome, pela falta dos mais elementares medicamentos, pela dureza de coração daqueles que podem, mas não fazem o necessário por eles, pela falta de vergonha dos exploradores e dos corruptores da inocência infantil.

Referimo-nos às vítimas dos atos violentos cotidianos, dos fanatismos religiosos nacionalistas, raciais entre outros, e das conflagrações bélicas que ignoram com apatia e indiferença o pedido universal de apaziguamento das paixões e da pacificação de uma vez por todas, neste mundo.

Referimo-nos, por último, à invasão depredadora do ser humano sobre o meio ambiente natural, a que submete violenta e dolosamente às paixões insaciáveis da exploração e do lucro, que deforma a beleza que foi dada pelo Criador e corrói os fundamentos e pressupostos de sobrevivência das futuras gerações.

Em resumo, referimo-nos àquelas formas de vida que levam o sinal da morte, sejam estas espirituais ou morais, produtos de paixões e erros, de carência ou de avareza, de desprezo e de apropriação à vida.

Irmãos e filhos queridos e amados no Senhor, veneramos novamente neste ano a santa Paixão de Nosso Salvador Jesus Cristo. Sabemos que o relato sobre a Sua morte na Cruz é uma estupidez para todos aqueles que permanecem na falta de fé e caminham para a perdição. E, pelo contrário, é força de Deus para todos aqueles que trilham, com fé, os caminhos da salvação sob a luz resplandecente da Ressurreição. Com esta força e com a alegria da Ressurreição de Cristo respeitemos a vida de nossos semelhantes para que cessem as dilaceradoras agressões recíprocas e para que renunciem à violência e ao fanatismo aqueles que ameaçam à vida. O triunfo da Ressurreição deve ser vivenciado como o triunfo da vida sobre a morte, da fraternidade entre as pessoas, da perspectiva e da esperança.

Cristo ressuscitou, e a Vida predomina! A Ele, a honra e a glória pelos séculos dos séculos.

 

Santa Páscoa do ano do Senhor de 2006.

† Bartolomeu de Constantinopla,
Fervoroso suplicante a Cristo Ressuscitado por todos vós.

 

 
       
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