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Mensagem de S. S. Bartolomeu I, Arcebispo de Constantinopla - Nova Roma - Patriarca Ecumênico por ocasião do NATAL de 2006

Prot. Nº 1378

 

Fanar, Constantinopla, 23 de Dezembro de 2006

 

† BARTOLOMEU I,
Pela graça de Deus, Arcebispo de Constantinopla - Nova Roma,
Patriarca Ecumênico

 

A toda a Santa Igreja, a Graça, a Misericórdia e a Paz de Cristo nosso Salvador, nascido em Belém.

 

«Deus na terra, o homem no céu, e tudo se fez uma mistura»

Amados irmãos e filhos no Senhor.

É difícil para a mente humana compreender a grande mudança que trouxe ao mundo o Nascimento de Cristo. Aquele que nasceu no presépio de Belém não era apenas mais uma criança que nasce diariamente no mundo. Ele é o Criador de todo o universo, que desce para elevar a sua criação, de seu estado de queda.

Segundo o plano cheio de amor do Criador, o ser humano é destinado a deificar-se, porém, por causa de sua própria culpa abandonou o caminho que se lhe indicou e se converteu em escravo da corrupção e da morte. Para devolver-lhe a possibilidade da deificação era necessário que Deus se encarnasse, porque o ser humano caído e corrompido não tem a possibilidade de superar por si só sua natureza corrompida e de revestir-se com a divindade. É por isso que jamais, nem a imaginação humana mais ousada, atreveu-se a considerar a possibilidade deste acontecimento inesperado. Só os Profetas inspirados pelo Espírito Santo proclamaram que isto aconteceria pela vontade de Deus.

Com efeito, na noite da Natividade este acontecimento inesperado se converteu em realidade “Deus na Terra, o homem no céu!” exclama São João Crisóstomo.

Este acontecimento da História Universal não é indiferente para a nossa vida. Tão pouco, o interesse que desperta em nós se circunscreve às efêmeras manifestações festivas. Devemos encarar com maior seriedade a nova situação. O Nascimento de Cristo nos dá a possibilidade de superar a nossa natureza mortal e de ascender ao Céu para conviver com Cristo; de fazer a paz com Deus; de vivenciar sua adoção filial; de viver, pelos séculos a alegria inesgotável de seu amor.

Festejemos, pois, no espírito, junto aos anjos e aos santos, a boa-vontade de Deus para com os homens e empreendamos hoje uma nova vida, digna do chamado do Deus encarnado.

Este comovente acontecimento, na mesma medida em que se consumou de maneira despercebida e humilde, trouxe uma grande mudança para o universo e, particularmente, para o futuro de cada um dos seres humanos. Não podemos ignorar sua importância só porque ocorreu longe da grande mídia, no interior de uma gruta humilde e insignificante. Tão pouco, festejar o acontecimento ruidosa e superficialmente, como uma efêmera festividade estacional, sem outra influência em nossa vida do que o desenfreado festejo mundano. Ainda que os acontecimentos do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo sejam invisíveis ao nossos olhos humanos corruptíveis, há alguns que, com a graça de Deus, viram e nos descreveram os acontecimentos mais profundos e as místicas mudanças que sobrevieram para o mundo.

Eis aqui como nosso predecessor São João Crisóstomo exclama, iluminado por tudo o que apreendeu: “Anjos cantavam junto aos homens, os homens se comunicavam com os anjos e outras potestades celestiais, e se podia ver [...] a paz restaurada entre Deus e a nossa natureza, o diabo envergonhado, os demônios desertando, a morte dissolvida, aberto o paraíso, a maldição desaparecida, o pecado fugindo, o erro expulso, restabelecida a verdade, a palavra de devoção [...] semeada, radicada na terra a lei celestial, anjos chegando constantemente na terra e muita esperança sobre o futuro”. (P.G. 57,15-16).

Oxalá vejamos esta esperança sobre o futuro, filhos e irmãos, realizada em nossa vida, com as orações do grande São João Crisóstomo, que intercede por nós ante o Senhor no céu junto aos santos.

E, ao comemorar-se no já tão próximo ano de 2007 os 1600 anos do adormecimento em Cristo (falecimento) deste santo, do Patriarcado Ecumênico, proclamamos 2007 como o Ano de São João Crisóstomo, para impulsionar em todos os crentes o estudo de sua obra e aprofundar sua vida.

Irmãos, Cristo nasce! Glorificai-O!
Cristo vem do céu! Encontrai-O!
Cristo na terra! Elevai-vos!
A Ele, Deus Filantropo da Natividade, seja a honra, a ação de graças,
a glória e a adoração pelos séculos dos séculos. Amém.

Fanar, Natividade de 2006.

Bartolomeu de Constantinopla,
fervoroso suplicante a Deus por todos vós.

 
       
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