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São Cipriano

São Cipriano de Cartago

(†258) Bispo de Cartago e Mártir

«Antologia»

 
 
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    Da unidade, 26-27: «Estai preparados»

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    Tratado sobre a morte, PL 4, 596s: «Aquele que em Mim crê, ainda que morra, viverá» (Jo 11, 25)

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    Os benefícios da paciência: «Como ovelhas no meio dos lobos»

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    A Oração dominical: «Seus filhos no Filho»

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    Os benefícios da paciência: «Perdoar-lhes-ás»

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    Da Unidade da Igreja Católica: «Que a vossa paz desça sobre ela»

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    «Vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão»

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    Carta 56: «Não pertenceis ao mundo, pois que vos escolhi... é por isso que o mundo vos odeia»

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    A Oração do Senhor: «Vós, pois, rezai assim: Pai Nosso...»

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    A oração do Senhor, 23-24 (trad. Breviário e DDB 1982, p.56): «Perdoai-nos as nossas dívidas,assim como nós perdoamos aos nossos devedores»

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    A oração do Senhor: «Se te lembrares que o teu irmão tem alguma coisa contra ti... vai reconciliar-te com ele»

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    Da oração dominical: A oração dos filhos de Deus

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    Sobre o Pai-Nosso: «Servindo a Deus dia e noite»

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    Da Unidade da Igreja, 12: «Eu estou lá no meio deles»

    «Estai preparados»

    Da unidade, 26-27

     

    O Senhor pensava no nossso tempo ao dizer: "O Filho do homem, quando voltar, encontrará fé sobre a terra?" (Lc 18,8) Vemos que esta profecia se está a realizar. O temor de Deus, a lei da justiça, a caridade, as boas obras, já ninguém acredita nisso... Tudo o que a nossa consciência havia de temer, se em tal acreditasse, não o teme, porque não acredita. Porque, se acreditasse, estaria vigilante; e, se estivesse vigilante, salvar-se-ia.

    Despertemos pois, irmãos, enquanto somos capazes. Sacudamos o sono da nossa inércia. Vigiemos observando e praticando os preceitos do Senhor. Sejamos tal qual Ele nos prescreveu que fôssemos quando disse: "Estejam apertados os vossos cintos e acesas as vossas lâmpadas. Sede semelhantes aos homens que esperam o seu senhor ao voltar da boda, para lhe abrirem a porta quando ele chegar e bater. Felizes aqueles servos a quem o senhor, quando vier, encontrar vigilantes!" Sim, permaneçamos em traje de serviço com receio de que, quando vier o dia da partida, ele não nos encontre embaraçados e imobilizados.

    Que a nossa luz brilhe e irradie de boas obras, que ela nos encaminhe da noite deste mundo para a luz e para a caridade eternas. Esperemos com cuidado e prudência a chegada súbita do Senhor a fim de que, quando Ele bater à porta, a nossa fé esteja desperta para receber do Senhor a recompensa pela sua vigilância. Se observarmos estes mandamentos, se guardarmos estas advertências e estes preceitos, as manhas enganadoras do Acusador não poderão destruir-nos durante o sono. Mas, reconhecidos como servos vigilantes, reinaremos com Cristo triunfante.

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    «Aquele que em Mim crê,
    ainda que morra, viverá» (Jo 11, 25)

    Tratado sobre a morte, PL 4, 596s

     

    Não devemos chorar os nossos irmãos a quem o Senhor chamou deste mundo, pois sabemos que não se perderam, mas partiram antes de nós: deixaram-nos como viajantes ou navegantes que nos vão preceder. Devemos portanto invejá-los em vez de os chorar, e não nos vestir aqui em baixo com sombrias roupas, se nas alturas envergam vestidos brancos. Não devemos dar ocasião aos pagãos de, com razão, nos criticarem por lamentarmos aqueles que afirmamos estar vivos junto de Deus, como se afinal estivessem aniquilados e perdidos. Traímos a nossa fé e esperança se o que dizemos parece fingimento e mentira.

    De nada serve afirmar coragem por palavras e destruir com factos a verdade dessas palavras. Quando morrermos, passamos pela morte à imortalidade; e a vida eterna só pode ser dada se sairmos deste mundo. Esse momento não é um ponto final mas uma passagem.

    No termo da nossa viagem no tempo está a passagem para a eternidade. Quem não se apressará na direcção de um bem tão maior? Quem não desejará ser mudado e transformado à imagem de Cristo? A nossa pátria é o céu […]. Aí nos aguarda um grande número de entes queridos, uma multidão imensa de pais, irmãos e filhos que nos deseja; certos da própria salvação, de ora em diante é na nossa que pensam […] Apressemo-nos em chegar junto deles, no desejo ardente de depressa estar junto a si, de depressa estar junto a Cristo.

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    «Como ovelhas no meio dos lobos»

    Os benefícios da paciência

    Salutar é o preceito de Nosso Senhor e Mestre: “O que tiver perseverado até ao fim, esse será salvo”. Ele diz ainda: “Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, conhecereis a verdade e a verdade libertar-vos-á” (Jo 8, 31). É preciso suportar e perseverar, irmãos bem amados. Assim, admitidos na esperança da verdade e da libertação, podemos chegar a esta verdade e a esta liberdade, porque, se somos cristãos, é por obra da fé e da esperança. Mas para que a esperança e a fé possam dar fruto, é necessária a paciência...

    Que não trabalhemos pois na impaciência, que não nos deixemos abater no caminho do Reino, distraídos e vencidos pelas tentações. Não jurar, não maldizer, não reclamar o que nos é tirado pela força, dar a outra face, perdoar aos irmãos todos os seus defeitos, amar os inimigos e rezar pelos que nos perseguem: como chegar a fazer tudo isto se não se é firme na paciência e na tolerância? É o que vemos com Estêvão... Ele não pede a vingança, mas o perdão para os seus algozes: “Senhor, não lhes imputes este pecado” (Ac 7,59). Assim o primeiro mártir de Cristo... não era apenas o pregador da paixão do Senhor, mas também o imitador da sua extrema doçura. Quando o nosso coração é habitado pela paciência, não pode haver aí lugar para a cólera, a discórdia e a rivalidade. A paciência de Cristo expulsa tudo isso para construir no seu coração uma morada pacífica onde o Deus da paz tem gosto em habitar.

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    «Seus filhos no Filho»

    A Oração dominical

    O homem novo, que nasceu de novo e foi restituído ao seu Deus pela graça, diz em primeiro lugar: “Pai”, porque se tornou filho. «Veio para o que era seu e os seus não O receberam. Mas a quantos O receberam, aos que Nele crêem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus» (Jo 1, 11-12). Quem acreditou no seu nome e se tornou filho de Deus, deve começar por agradecer e proclamar que é filho de Deus. Não basta, caríssimos irmãos, ter consciência de que invocamos o Pai que está nos céus. Acrescentamos: «Pai nosso», isto é, Pai dos que crêem, dos que foram santificados por Ele e nasceram de novo pela graça espiritual: esses começaram a ser filhos de Deus.

    Como é grande a misericórdia do Senhor, como são grandes a sua benevolência e bondade em nos levar a rezar assim na presença de Deus, até ao ponto de Lhe chamarmos Pai! E, como Cristo é Filho de Deus, também nós, do mesmo modo, somos chamados filhos. Ninguém entre nós ousaria jamais usar esta palavra na oração; foi preciso que o próprio Senhor nos encorajasse a fazê-lo.

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    «Perdoar-lhes-ás»

    Os benefícios da paciência

    “A caridade tudo ama, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1Cor 13,7). Assim o apóstolo Paulo mostra que, se esta verdade pode manter-se com uma tal firmeza é porque ela foi temperada na paciência a toda a prova. Ele diz ainda: “Suportai-vos uns aos outros no amor, fazendo tudo o que está ao vosso alcance para perseverar a unidade do espírito no elo da paz” (Ef 4,2).

    Não é possível manter a unidade nem a paz, se os irmãos não se aplicam a guardar a tolerância mútua e o elo da concórdia graças à paciência. Que dizer ainda, a não ser que não juremos, nem maldigamos, nem reclamemos o que nos tiraram, que apresentemos a outra face a quem nos bate, que perdoemos ao irmão que pecou contra nós, e não só setenta e sete vezes, que desculpemos as suas faltas, que amemos os nossos inimigos, que oremos pelos nossos adversários e por aqueles que nos perseguem?

    Como conseguir cumprir tudo isto se não se é firmemente paciente, tolerante? Foi o que fez Sto. Estevão quando em vez de gritar vingança, pediu a graça para os seus algozes dizendo: "Senhor, não lhes imputes este pecado!" (At 7,60)

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    «Que a vossa paz desça sobre ela»

    Da Unidade da Igreja Católica

    O Espírito Santo faz-nos esta recomendação: "Procura a paz e persegue-a" (Sl 34,12). O filho da paz deve procurar e perseguir a paz, aquele que conhece e ama o vínculo da caridade deve guardar a sua língua do pecado da discórdia. Entre as suas perscrições divinas e os seus mandamentos de salvação, o Senhor, na véspera da sua Paixão, acrescentou isto: "Deixo-vos a paz, dou-vos a paz" (Jo 14,27). Tal é a herança que nos legou: de todos os dons, de todas as recompensas cuja perspectiva nos abriu, deixou a promessa ligada à conservação da paz. Se somos os herdeiros de Cristo, permaneçamos na paz de Cristo. Se somos filhos de Deus, devemos ser construtores de paz: "Felizes os que fazem a paz: serão chamados filhos de Deus" (Mt 5,9). É preciso que os filhos de Deus sejam pacíficos, mansos de coração, simples nas atitudes, em perfeita concordância de afectos, unidos fielmente pelos laços de um pensamento unânime.

    Esta unanimidade existiu outrora, no tempo dos apóstolos. Foi assim que o novo povo dos crentes, fiel às prescrições do Senhor, manteve a caridade. Daí a eficácia das suas orações: eles podiam estar certos de que obteriam tudo o que pedissem à misericórdia de Deus.

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    «Vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão»

    Deus mandou que os homens sejam pacíficos e vivam em bom acordo, que vivam "unânimes na sua casa" (Sl 67,7 vulg). Quer que perseveremos, uma vez que fomos regenerados pelo baptismo, em viver na condição em que esse segundo nascimento nos colocou. Porque somos filhos de Deus, Ele quer que permaneçamos na sua paz e, porque recebemos um mesmo baptismo, que vivamos em unidade de coração e de pensamentos.

    É por isso que Deus não aceita o sacrifício daquele que vive em dissensão. Ordena-lhe que se afaste do altar para primeiro se reconciliar com o seu irmão, a fim de que Deus possa atender as orações apresentadas em paz. O maior sacrifício que se pode apresentar a Deus é a nossa paz, é a concórdia fraterna, é o povo reunido pela unidade que existe entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

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    «Não pertenceis ao mundo pois que vos escolhi...
    é por isso que o mundo vos odeia»

    Carta 56

    O Senhor quis que nos alegrássemos , que estremecêssemos de alegria ao sermos perseguidos (Mt 5,12), porque quando vêm as perseguições, é então que se dão as coroas da fé (Tg 1,12, é então que os soldados de Cristo prestam as suas provas, é então que os céus se abrem aos seus testemunhos. Nós não estamos alistados na milícia de Deus para só pensarmos na tranqüilidade, para nos esquivarmos ao serviço, quando o Mestre da humildade, da paciência, do sofrimento, prestou Ele próprio, antes de nós, o mesmo serviço. Aquilo que Ele ensinou, começou por cumpri-lo e, se nos exorta a resistir, é porque sofreu antes de nós e por nós.

    Para se participar nas competições do estádio, exercitamo-nos, treinamos, e sentimo-nos muito honrados se, diante da multidão, temos a felicidade de ganhar o prêmio. De maneira diferente, esta é uma prova nobre e espetacular, em que Deus nos vê combater, nós os seus filhos, e em que Ele próprio nos dá a coroa celeste (1Co 9,25). Os anjos também nos olham e Cristo assiste-nos. Armemo-nos pois com todas as nossas forças; levemos por diante o combate com uma alma corajosa e uma fé inteira.

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    «Vós pois, rezai assim: Pai Nosso...»

    A Oração Dominical

    Antes de tudo, Jesus, o Doutor e Mestre da unidade, não quis que a oração fosse individual e privada, de modo que ao rezar cada um não pedisse só por si. Não dizemos: “Meu Pai que estás nos céus”; nem “dá-me o meu pão”. Cada um não pede que a dívida lhe seja descontada somente a si, e não é só por si próprio que ele pede para não cair em tentação e de ser livrado do mal. Para nós a oração é pública e comunitária; e quando rezamos, intercedemos não por um só mas por todo o povo; porque nós, todo o povo, não somos um.

    O Deus da paz e o Mestre da concórdia, que ensinou a unidade, quis que um só rezasse por todos, tal como ele próprio sozinho tomou em si todos os homens. Os três jovens Hebreus presos na fornalha ardente observaram esta lei da oração (cf Dan 3,15). Os apóstolos e os discípulos, depois da Ascensão do Senhor rezaram deste modo. “Todos num mesmo coração perseveravam na oração, com as mulheres, com Maria mãe de Jesus, e com os seus irmãos” (Ac 1,14). Num mesmo coração, eles perseveravam na oração; pelo seu fervor e pelo seu amor mutuo, testemunhavam que Deus, que faz os homens unânimes habitar numa mesma casa, só admite na sua morada eterna aqueles cuja oração traduz a união das almas (cf Sl 67,7).

    Irmãos bem amados, desde que chamamos Deus “Pai”, devemos saber e recordarmos que devemos agir como filhos de Deus; se nos regozijamos de ter Deus por Pai, que ele se regozije de nos ter por filhos.

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    «Perdoai-nos as nossas dívidas,
    assim como nós perdoamos aos nossos devedores»

    A oração do Senhor, 23-24 (trad. Breviário e DDB 1982, p.56)

    O Senhor obriga-nos a perdoar, nós mesmos, as dívidas aos nossos devedores, tal como nós pedimos que nos perdoe as nossas (Mt 6,12). Devemos saber que não podemos obter o que pedimos em relação aos nossos pecados, se não fizermos o mesmo àqueles que pecaram para connosco. Por isso Cristo diz algures: «É a medida com que servirdes que servirá de medida para vós» (Mt 7,2). E o servo que, depois de ter sido perdoado de toda a sua dívida, não quis, por sua vez, perdoar a do seu companheiro de serviço, foi lançado na prisão. Porque não quis usar de clemência para com o seu companheiro, perdeu o que o seu senhor lhe oferecera. Isso, estabelece-o Cristo, ainda com mais força, nos Seus preceitos, quando decreta: «Quando vos puserdes de pé em oração, se tiverdes alguma coisa contra alguém, perdoai-lhe, para que o Pai que está nos céus vos perdoe as vossas faltas. Mas se não perdoardes, o vosso Pai que está nos céus também não vos perdoará as vossas faltas» (Mc 11, 25-26)...

    Quando Abel e Caim, os primeiros, ofereceram sacrifícios, não eram as suas oferendas que Deus olhava, mas o seu coração (Gn 4,3s). Aquele cuja oferenda lhe agradava era aquele cujo coração lhe agradava. Abel, pacífico e justo, oferecendo o sacrifício a Deus na inocência, ensinava os outros a virem tementes a Deus para oferecerem o seu presente no altar, com um coração simples, o sentido da justiça, a concórdia e a paz. Oferecendo com tais disposições o sacrifício a Deus, mereceu tornar-se ele próprio numa oferenda preciosa e dar o primeiro testemunho do martírio. Prefigurou, pela glória do seu sangue, a Paixão do Senhor, porque possuía a justiça e a paz do Senhor. São homens semelhantes que são coroados pelo Senhor, e que, no dia do julgamento, obterão justiça com Ele.  

    * * * * *

    «Se te lembrares que o teu irmão
    tem alguma coisa contra ti...
    vai reconciliar-te com ele»

    A oração do Senhor

    "A medida com que medirdes servirá para vos medir” (Mt 7,2). O servidor a quem o senhor tinha perdoado todas as dívidas mas que não quis agir de igual forma para com um dos seus companheiros, foi lançado na prisão. Não quis perdoar ao seu companheiro e perdeu o perdão que já tinha alcançado do seu senhor (Mt 18,23 sg). Nos seus preceitos, Cristo ensina esta verdade com um vigor severo. “Quando vos levantais para orar, perdoai se tendes alguma coisa contra alguém, a fim de que o vosso Pai, que está nos céus, perdoe também os vossos pecados” (Mc 11,25).

    Deus ordenou que estivéssemos em paz e em boa relação com todos, que vivêssemos unânimes na mesma casa. Ele quer que, uma vez regenerados, mantenhamos a condição em que este segundo nascimento nos colocou. Uma vez que somos filhos de Deus, Ele quer que permaneçamos na sua paz e, uma vez que recebemos o mesmo Espírito, que vivamos na unidade de coração e de pensamentos. É por isso que Deus não aceita o sacrifício dos que vivem em dissensão. Ordena mesmo que nos afastemos do altar para nos reconciliarmos primeiro com os irmãos, para que Deus possa acolher as orações apresentadas na paz. A mais bela oferenda que possamos fazer a Deus é a nossa paz, é o acordo fraterno, é o povo reunido por esta unidade que existe entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

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    A oração dos filhos de Deus

    Da oração dominical

    Eis como o Senhor nos disse para rezarmos: “Nosso Pai que está nos céus”. O homem novo, renascido e restituído ao seu Deus pela sua graça, diz em primeiro lugar “Pai” porque ele começa a tornar-se seu filho. “Ele veio para a sua casa, diz o Evangelho, e os seus não o receberam, mas a todos que o receberam, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus: aos que acreditam no seu nome” (Jo 1,11-12). O que acreditou no seu nome tornou-se filho de Deus e deve pois começar por dar graças proclamando-se filho de Deus e chamando Deus Pai que está nos céus...

    Que grande indulgência e que imensa bondade do Senhor para conosco! Ele quis que ofereçamos a nossa prece a Deus dando-lhe o nome de Pai. E tal como Cristo é Filho de Deus, ele quis que também nós tivéssemos o nome de filhos de Deus. Este nome, ninguém de entre nós ousaria pretendê-lo na oração se ele próprio não o tivesse concedido.

    Devemo-nos lembrar, irmãos muito amados, e devemos saber que assim que chamamos nosso Pai a Deus, temos que nos comportar como filhos de Deus para ele se comprazer em nós como nós nos alegramos nele. Comportemo-nos como templos de Deus (1Cor 3,16) e Deus permanecerá em nós.

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    «Servindo a Deus dia e noite»

    Sobre o Pai-Nosso

    Nas Santas Escrituras, o verdadeiro sol e o verdadeiro dia, é Cristo; é por isso que para os cristãos nenhuma hora é excluída, e sem cessar, e sempre, há que adorar a Deus. Porque estamos em Cristo, quer dizer, na luz verdadeira, estejamos em súplica e em oração ao longo de todo o dia. E quando, segundo o curso do tempo, a noite vem depois do dia, nada nos impeça, nas trevas nocturnas, de orar: para os filhos da luz (1 Tim 5,5), é dia mesmo na noite. Então, quando está sem a luz, quem que tem a luz no seu coração? Então, quando é que falta o sol, quando é que não é mais dia, para a pessoa para a qual Cristo é o Sol e o Dia?

    Durante a noite não deixemos pois de rezar. Foi assim que Ana, a viúva, obteve o favor de Deus, na oração perseverante e nas vigílias, como está escrito no Evangelho: “Ela não se afastava do Templo, servindo dia e noite com jejuns e orações”… Que a preguiça e o deixar andar não nos impeçam de rezar. Pela misericórdia de Deus, fomos recreados no Espírito e renascemos. Imitemos pois o que seremos. Devemos habitar um reino onde não haverá mais noite, onde brilhará um dia sem ocaso, vigiemos já durante a noite como se fosse dia claro. Chamados à oração e a dar, no céu, graças sem fim a Deus, comecemos já aqui em baixo a rezar e a dar graças sem cessar.

    * * * * *

    «Eu estou lá no meio deles»

    Da Unidade da Igreja, 12

    O Senhor disse: «Se dois de entre vós na terra unirem as suas vozes para pedir o que quer que seja, isso lhes será concedido por meu Pai que está nos céus. Quando dois ou três estão reunidos em meu nome, eu estou lá no meio deles». Mostra assim que não é o grande número dos que rezam, mas a sua unanimidade, que obtém mais graças. «Se dois de entre vós na terra unirem as suas vozes»: Cristo põe em primeiro lugar a unidade das almas, põe antes de tudo a concórdia e a paz. Que haja plena concordância entre nós, eis o que Ele constante e firmemente ensinou. Ora, como pode pôr-se em concordância com outro quem não está em concordância com o corpo da Igreja e com o conjunto dos irmãos?... O Senhor fala da Sua Igreja, fala àqueles que estão na Igreja: se estiverem de acordo entre si, se orarem em conformidade com as Suas recomendações e os Seus conselhos, quer dizer, mesmo se só dois ou três rezarem numa só alma, mesmo sendo apenas dois três, podem obter aquilo que pedem à majestade de Deus.

    «Onde quer que dois ou três estejam reunidos em meu nome, eu estou com eles»: quer dizer, ele está com os pacíficos e os simples, com os que temem a Deus e observam o seus mandamentos. Ele diz que está com dois ou três, apenas, como esteve com os três jovens na fornalha; porque permaneceram simples em relação a Deus e unidos entre si, reconfortou-os com um sopro de orvalho no meio das chamas (Dn 3, 50). O mesmo aconteceu com os dois apóstolos fechados no cativeiro; porque eles eram simples, porque eram unidos de coração, Ele acudiu-lhes, quebrou as portas do seu cárcere (Act 25, 25)... Quando portanto Cristo inscreve, entre os seus preceitos, esta palavra: «Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles», não separa pessoas da Igreja que Ele próprio instituiu. Mas reprova aos dissidentes a sua dicórdia e recomenda a paz aos seus fiéis.


    Fonte:

    Evangelho Cotidiano

     

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