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Entrada de Jesus em Jerusalém

As Doze Festas do Calendário Litúrgico Bizantino

Domingo de Ramos: A Entrada de Jesus em Jerusalém


domingo que antecede a grande solenidade da Páscoa - dito Domingo de Ramos seja no Oriente como no Ocidente - é a primeira das três festas com data móvel que, junto às nove com data fixa, já apresentadas, completam o grupo das Doze grandes festas do ano litúrgico bizantino.

A Semana Santa na tradição constantinopolitana começa com o Sábado de Lázaro, no dia anterior ao Domingo de Ramos, cujo tropário principal é repetido em todas as Horas do domingo junto a outro, próprio do dia, que repete a aclamação dirigida a Jesus na sua entrada em Jerusalém.

Sepultados contigo pelo batismo, ó Cristo nosso Deus,
por tua ressurreição, nos tornamos dignos da vida imortal.
Por isso a ti cantamos em alta voz:
Hosana no mais alto dos céus;
bendito o que vem em nome do Senhor!

2º Tropário da festa (4º tom)

«Festa esplêndida e gloriosa» é chamada pelo Triódion bizantino e de fato pode-se notar um tom festivo e alegre em seus textos, ao passo que para os católicos romanos a Missa do dia é velada de certa tristeza com a leitura que se faz da paixão de Cristo. Na liturgia eucarística bizantina se lê o Evangelho de João (12:1-8), com o episódio de Marta e Maria e da entrada de Jesus em Jerusalém.

Alegra-te e permanece na alegria, cidade de Sião;
permanece na alegria e exulta, Igreja de Deus,
pois o teu Rei se aproxima.

(do oficio de Vésperas)

O Senhor Deus apareceu-nos!
Celebrai juntos esta festa:
vinde jubilosos, adoremos Cristo e aclamemo-lo:
Bendito o que vem em nome do Senhor nosso Salvador!

(do ofício de Matinas)

Também para o Domingo de Ramos temos um testemunho da peregrina Etéria sobre como se desenvolvia, em meados do século IV, a reunião dos fiéis na basílica do Eleona no Monte das Oliveiras, e a procissão que lhe seguia, com o povo agitando ramos de palmeira ou de oliveira até ao Calvário e à basílica da Anástasis (isto é, da Ressurreição, a mesma que os católicos latinos chamam de Santo Sepulcro). A Procissão dos Ramos de Jerusalém espalhou-se em seguida por quase todas as Igrejas do Oriente e do Ocidente, mas somente poucas conservaram esse costume. Os textos litúrgicos bizantinos repetem o desenrolar-se do evento, contemplam ao mesmo tempo o fato visível e a realidade eterna, como neste breve hino que se segue.

Nos céus assentado num trono,
aqui na terra montado num jumentinho,
ó Cristo Deus,acolhe os louvores dos anjos
e as aclamações das crianças que gritam:
Bendito és tu que vens soerguer o Adão decaído.

Kondakion (6º tom)

Não faltam aplicações para os fiéis de hoje:

Com ramos espirituais de palmeira,
com a alma purificada,
aclamamos a Cristo como os meninos,
com fé gritando ao Senhor em alta voz:
Bendito és tu, ó Salvador!
Espiritualmente te tornaste o novo Adão
e vieste para salvar o Adão da antiga maldição,
conforme o teu beneplácito, ó Amigo dos homens!

Existe mais um tropário que se poderia definir de central na festa, repetido em diversos momentos no decorrer dos Ofícios:

Hoje a graça do Espírito Santo nos reuniu.
Todos, carregando a tua cruz, dizemos:
Bendito o que vem no nome do Senhor!
Hosana nas alturas!

«O triunfo de Jesus na cidade santa na véspera da Páscoa é um grande mistério. Contemplando os textos bíblicos, as profecias, os evangelhos, a liturgia sempre descobre neles novas facetas. A entrada de Jesus em Jerusalém é uma teofania, na linha das antigas teofanias do Antigo Testamento. A glória de Deus entra na cidade santa (Ez. 43:4), mas humilhada na humildade do rei manso, do Cordeiro (Jo 1:29), que vem para ser imolado. Com as crianças, os discípulos, as multidões, os povos, todas as criaturas participam desse rito de entronização: as forças angélicas, os elementos cósmicos.»

Durante o oficio matutino (nos países eslavos, freqüentemente antecipado para a noite anterior após as Vésperas, numa única celebração que forma a Grande vigília) o sacerdote dirige-se ao meio da nave central para benzer os ramos de palmeira ou de oliveira que, como na liturgia latina, são considerados símbolos de vitória e de ressurreição. Os fiéis aproximam-se para recebê-los das mãos dele, enquanto beijam o ícone alusivo à festa que fixa visualmente os dados da narração evangélica. No entanto o coro está cantando o cânon, repetindo, provavelmente várias vezes, o tropário que transcrevemos, com evidentes remissões ao Antigo e ao Novo Testamento.

Tropário:

O povo de Israel se dessedentou na pedra dura,
aberta sob o teu comando e que fez jorrar água
e tu, ó Cristo, eras essa pedra e a vida;
sobre ela foi fundada a Igreja que clama:
Hosana! Bendito és tu que vens!


Fonte:

«O ANO LITÚRGICO BIZANTINO»
Madre Maria Donadeo