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«SANTISSIMA TRINDADE» Uma Interpretação Iconográfica
Conclusão
Vejamos: Um só Deus; está composto de uma substância divina e única. Este Deus único manifesta-se em três Pessoas divinas. Ou seja: Uma substância em Três Pessoas: Três Manifestações numa ação unica. O que isso afeta minha vida como ser humano? Na verdade, Deus nos criou à sua semelhança e quer que vivamos assim para chegarmos à salvação que é a convivência com Ele, ou melhor dizendo, junto à Trindade. Para que isso aconteça devemos aprender, aqui nessa vida, como pôr em pratica a sua vontade. Elevemos os nossos olhos espirituais para o ícone da Trindade de Rublev e veremos como vive em perfeita harmonia entre si numa conjunção de extrema delicadeza e respeito para com o outro, preservando a sua pessoa sem interferir na pessoa do outro, tendo cada uma das hipóstases a sua individualidade mesmo sendo indivisíveis, tendo suas características mesmo sendo imutáveis, tendo sua dignidade e sua força e poderio mesmo sendo uma só substância, convivendo assim entre si e sem divergências. O Importante não é o ícone, mas a Santíssima Trindade que nos é apresentada e que através desse ícone, o que aprendemos e como podemos modelar nossa vida comum de família com uma ou mais pessoas ou com toda a comunidade cristã sobre este modelo de vida onde cada um perde a própria identidade para o outro, colocando o outro a frente de si e não coloca a si mesmo na frente dos outros. Questiono-me como um homem, criatura humana, criado e formado pelo seu criador pode exprimir de uma forma tão expressiva o ser que o criou sendo ele invisível, incriado, indissolúvel? Isso só aconteceu através de Jesus Cristo que é gerado, encarnado e assim se tornou visível e ressuscitado no Novo Testamento. Sem isso não poderia Rublev ou qualquer outro iconógrafo representar a figura de Deus Pai, muito menos a da Santíssima Trindade como é apresentada a nós nesse ícone que é repleto de expressão artística e teológica. Não bastando isso também é necessário conhecer e conviver com o divino; o artista moderno precisa ter intimidade com a pessoa que irá pintar, conhecer, ver suas feições; assim Rublev fez conheceu a Trindade intimamente; conviveu com ela durante toda sua vida, para depois se arriscar a essa ousadia. Assim nós poderíamos tentar escrever em nossas vidas um ícone semelhante ao que foi escrito pelo nosso santo. Como é difícil para nós convivermos com o nosso semelhante principalmente nos tempos atuais onde há discórdia, guerra, inveja, enfim, onde cada um só pensa em si mesmo sem nem sequer olhar para o próximo, mesmo aquele que está ao seu lado, no seu dia a dia não lhe dirigindo uma só palavra de respeito, admiração e de amor. Que tipo de seres humanos somos ou seremos? Para aonde vamos? Onde chegamos? De que ponto partimos ou não partimos? Ainda estamos no principio? Ainda não veio o Salvador para nos ensinar o amor a misericórdia a bondade a benevolência para com o semelhante? Será que Rublev estava muito adiante de seu tempo e reconheceu a Trindade através de um texto bíblico e conseguiu retratar o Encarnado, antes de sua encarnação, nas três Pessoas trinitárias? Será que esse monge russo enlouqueceu e no seu delírio visualizou três homens semelhantes entre si e semelhantes aos seres humanos vivendo em harmonia perfeita sem se debater o concorrer entre si? Se um dia um homem viu essa possibilidade e a retratou então provavelmente ainda há chance de salvação para a humanidade. Por que, então, não vivemos essa consubstancialidade trinitária, e realizamos o que o Criador universal quís que realizássemos ao nos criar à sua semelhança? Se olharmos a Santíssima Trindade e como Eles vivem juntos, compreenderemos qual pode e deve ser a nossa maneira de vivermos juntos. As palavras proféticas que fecundam a história salvífica e que são conseqüência do dogma trinitário tornaram-se mais resplandecentes quando o diretor cinematográfico soviético Terkofiski se referiu em seu filme sobre Rublev dizendo: “finalmente apareceu à magnificência do ícone trinitário, na sua pureza, introduzindo nele a felicidade revigorante que faz fluir a irmandade entre o ser humano, a divisão sensível de um em três e a união dos três em um, nos revelando um horizonte maravilhoso sobre o futuro que se dispersa no decorrer dos séculos”. |
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