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«Por uma Igreja ecumênica-comunhão»
Pe. Elias Wollf*
Nasceste ecumênica, Igreja. No teu jeito de pensar e de falar, de ser e de agir. És ânsia de unidade, comunhão e participação. Nasceste comunhão para gerar comunhão. Por isso és ecumênica, na consciência de ti mesma e na compreensão dos outros; nos teus projetos, sonhos e esperanças; nas tuas dores e nos teus temores. Es ecumênica em tua identidade mais profunda. Em tudo, comunhão e participação. É que foste criada assim, Igreja-comunhão, Igreja ecumênica. E não poderia ser diferente. Sem comunhão não existes, não és Igreja. És assim desde tua origem, quando muitos te criaram: o Deus- comunhão, uno e trino. E em ti muitos foram gerados para a comunhão. Olhando a Trindade que te criou e a multidão que contigo foi gerada, compreendo-te comunhão. Eixo de unidade entre o céu e aterra, o tempo e a eternidade o divino e o humano. Comunhão entre o desejo e o abraço, a fé e a dúvida, a poesia e a luta. Comunhão do pão no sacramento, do feminino no masculino, do amor na vida. E sendo comunhão, és ecumênica. Essa é tua razão de ser, Igreja, tua vocação: comunhão que tudo inclui. Comunhão sem fronteiras, na partilha do sonho e do compromisso. Sem fronteiras nas relações. Para ti não deve existir o estrangeiro. Em ti, tudo e todos, numa mesma realidade - comunhão. Tua mensagem é para todo coração abatido. Teu pão eucarístico para todo faminto de eternidade. E teu cálice sacia toda sede de vida em abundancia. E assim, Igreja, tua profecia liberta o prisioneiro; tua fé cura o enfermo; teu poder restitui a vida. Sob teu manto abriga-se a humanidade inteira. Nesta unidade tudo se renova numa beleza sem fim. A beleza da comunhão, beleza ecumênica. A beleza é salvação. Mas algo aconteceu contigo, Igreja e te transformaste. E nas mudanças, a comunhão se dissolveu, a unidade se dividiu. Surgiram fronteiras, não mais abraças a todos. Criaste o estrangeiro em teu próprio seio, o desconhecido, marginalizado. O infinito já não encontra abrigo em ti. Esqueceste a eternidade. E agora existes para poucos, Igreja. Do pão da Eucaristia, poucos se alimentam. Do teu cálice, poucos se saciam. Sob teu manto, poucos encontram abrigo. No teu interior, alegria e céu para poucos. «Lá fora»,a danação de muitos. Eles não têm a veste da festa.... Tua mensagem tornou-se pesada, códigos que poucos decifram. Teus critérios são rigorosos, quase sem misericórdia. A seleção venceu a comunhão. Não mais pensas com o coração. E o desejo ficou sem abraço, o coração sem a caridade, a justiça sem a ternura. A multidão que eras, Igreja, se fez solidão. E tu pareces demasiado contente contigo mesma... Então, por que existes, Igreja? Se não acolhes o estrangeiro; se não alimentas o faminto; se não sacias o sedento; se não curas o enfermo; se não consolas o angustiado; se não libertas o prisioneiro; se não reanimas a vida; se não alcanças o infinito? Por que existes, Igreja, se não fazes do «outro» teu eu ; do «eles» o nós; da exclusão a comunhão? Mas... realmente existes, Igreja, se não és comunhão/ecumênica? Retoma, Igreja, à tua origem, recupera tua unidade. E então dá-nos novamente razão para viver; conduze-nos ao infinito. Alarga tuas fronteiras corajosamente, profeticamente, e alimenta em nós a utopia da comunhão, a utopia ecumênica.
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