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Catecismo Breve

«Ortopráxis - maneiras de viver a Ortodoxia»

4. Os Ícones

«Tu, Divino Senhor de tudo o que existe,
ilumina e dirige a alma, o coração e o espírito de teu servo,
conduz suas mãos para que possa representar
digna e perfeitamente tua Imagem,
a de tua Santíssima Mãe
e a de todos os teus santos,
para a glória, alegria e embelezamento de tua santa Igreja» *

Os Ícones não podem ser comparados às outras obras de arte no sentido habitual da palavra. As pinturas, com suas características e cores, falam dos acontecimentos e da realidade concreta.

A partir do Renascimento, a vida e a natureza se expressam em pinturas com imagens em três dimensões, imagens que narram o mundo dos homens, dos animais, da natureza e das coisas. A pintura dos expressionistas e a arte abstrata são chamadas, ao contrário, a expressar as emoções do artista; emoções que mudam e transformam as proporções dos acontecimentos e das coisas e a relações de cor entre um e outro. Deformam as coisas até já não serem reconhecidas, ou melhor, prescindem da totalidade de suas imagens. Porém, neste caso, os distintos experimentos de cores e formas não transportam os espectadores para outro mundo, a outro espaço ou época, a diferentes valores. Esta missão, na história da cultura humana, está reservada, por sorte, aos ícones. Estes, não representam, senão que constituem propriamente outro mundo. E o fazem através de meios especiais de representação encontrados no transcurso de muitos séculos.

Mandylion
«Icone Russo de Simon Ushakov 1657»

A cor dos ícones desempenham um papel muito significativo: o de uma linguagem simbólica que deve expressar, não a cor mesma das coisas, mas sua luminosidade e a dos rostos humanos, iluminados por uma luz cuja fonte se encontra fora de nosso mundo físico. Os espaços dourados dos ícones encarnam esta luz não terrena; o fundo dourado simboliza o espaço que "não é deste mundo".

Nos ícones não há sombras, porque no Reino de Deus tudo é cheio de luz.

Para aproximar-se de uma compreensão dos ícones é preciso vê-los com os olhos da fé, para os quais Deus é uma realidade inquestionável, uma realidade onipresente que subsiste por trás de todo o acontecimento, um invisível espectador e juiz, de cujo olhar nada nem ninguém, em qualquer parte, pode ficar oculto.

Os cânones e os métodos da iconografia foram sendo formados no decorrer de muitos séculos, mesmo antes de, na antiga Rus, surgir interesse por eles. As tradições da iconografia chegaram à antiga Rus ao mesmo tempo em que aceitou o cristianismo de Bizâncio no final do século X.

«São Leão II
(795 - 816)»

No ano 730, o imperador bizantino Leão III proibiu a veneração aos ícones. Antes de se tornar imperador, havia trabalhado muito nas províncias orientais do Império onde se encontrava sob a influência dos bispos da Ásia Menor que, influenciados por sua vez, pelo Islam, pretendiam "purificar" o cristianismo de todo o elemento material, sensual e não espiritual. Muitos ícones, mosaicos e afrescos foram então destruídos. A veneração dos ícones, porém, não se deteve, mas continuava apesar das perseguições de seus defensores. O culto de veneração aos ícones foi temporariamente readmitido no ano 787, no VII Concílio Ecumênico e, plenamente, no ano 843.

Um defensor dos mais autorizados da veneração aos ícones foi também um dos maiores teólogos e políticos: São João Damasceno (+750), cujos argumentos exerceram influência nas decisões do VII Concílio Ecumênico.

São João Damasceno ensinava que a proibição do Antigo Testamento de se fazer imagens de Deus teria um caráter temporário: "na Antiguidade ninguém fazia imagens de Deus. Agora, porém, depois que Deus se manifestou na carne e viveu entre os homens, fazemos imagens do Deus visível. Não faço a imagem da divindade invisível, faço a imagem do corpo de Deus que foi visto".

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«São João Damasceno (+750)»

São João Damasceno escreveu que Deus veio para os homens em seu Filho Jesus Cristo, que entrou no mundo dos homens e aceitou o corpo humano, "porque tínhamos necessidade de que Ele fosse semelhante a nós". O visível não transmite a essência incognoscível de Deus. Como a Sagrada Escritura é uma representação verbal, uma imagem da História Sagrada, também os ícones são suas representações, porém não verbal, senão feitas com os toques do pincel e com as cores. Por isso o ícone (imagem) não é uma cópia do que se representa, mas o símbolo que pode nos ajudar a alcançar a compreensão do divino.

O ícone desempenha o papel de místico mediador entre o mundo celeste e o mundo terrestre.

O VII Concílio Ecumênico determina que os iconógrafos, no processo de seu labor, sigam estritamente os cânones da iconografia que regulam tanto o caráter como o modo de representação das cenas religiosas e as imagens dos santos. Explica-se assim o fato de que os ícones são portadores e conservadores da Tradição da Igreja. Por este motivo, considera-se heresia a infração de qualquer dos cânones iconográficos, bem como a deformação da Tradição.

*N.E. [Oração do iconógrafo antes de iniciar seu trabalho, acrescida pelo editor]

 
     
 
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