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Homilia de S. Emncia. Revma. Dom Tarasios, Arcebispo Metropolita de Buenos Aires, Exarca da América do Sul, na sua visita pastoral à Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau de Florianópolis - SC, na manhã de domingo, 23 de Novembro de 2008, comemoração de São Amphilochios, Bispo de Iconioum, Santos Gregório, Bispo de Agrigentum e Ischyrion, Bispo do Egito - 9° Domingo de Lucas. Tradução: Luiz Fernando Gil «[...]Nesta noite ainda exigirão de ti a tua alma. Reverendos Padres e queridos fiéis da Grande Florianópolis, A passagem do Evangelho que acabou de ser lida é difícil de ser ouvida pela modernidade. Ela nos lembra que o trabalho que fazemos aqui na Terra para construir a riqueza e a segurança é de pequeno valor, e que nosso objetivo hoje é o mesmo de dois mil anos atrás: estarmos preparados para o paraíso e prontos para quando formos chamados de volta à casa do Pai. Muitas vezes o Evangelho nos mostra que não somos tão diferentes das pessoas que viveram na antiguidade. Nosso tempo não é um tempo «especial». Este fato faz com que muitas pessoas se entristeçam, contudo, não deveria ser dessa maneira. Nós devemos estar contentes, pois, como Cristãos, somos convocados a fazer as mesmas coisas que os outros Cristãos foram chamados a fazer ha dois mil anos: construir nosso tesouro nos céus. Mas qual o significado disto para nós? Significa que não podemos viver duas vidas: uma dentro da Igreja, e outra fora dela, nos nossos trabalhos e com nossas famílias. Nós não economizamos para a aposentadoria e para o paraíso. Nós não vivemos uma dupla vida. Nós temos uma única vida, uma única luz e um único objetivo: Os Cristãos são chamados ao paraíso. [1] E, enquanto deveríamos ser aqui responsáveis, assegurando que nossas famílias estão protegidas e eliminando nossas dividas, nós devemos perceber que tudo isso não nos leva a casa do Pai. Por que? Os Cristãos não têm sua morada na Terra. Nós Cristãos somos chamados a fazer mais. A casa do Cristão é o Céu. Nós almejamos um País melhor, uma cidade melhor, e, se nós aumentarmos nosso celeiro espiritual e nossos tesouros espirituais, tudo Deus nos proverá. [2] Nós nos esquecemos muitas vezes, nas confusões a atribulações do dia-a-dia, que não devemos assentar raízes aqui na Terra. Nós estamos aqui somente de passagem. Esta é a essência do Cristianismo e assim tem sido ao longo de dois mil anos. Nós estamos a caminho de um lugar muito melhor. E nós devemos nos preparar para isso. Como devemos nos preparar para o paraíso? Como podemos nos tornar, como diz o Evangelho, «ricos perante Deus?» Nosso Senhor nos dá uma resposta simples: «venda suas posses, dê aos pobres, e você terá o tesouro dos Céus». [3] No Evangelho, este pedido entristeceu muito um jovem rico. E não deveria. Nós deveríamos ter prazer em dar aos pobres através da Igreja. Nos deveríamos ter o privilégio de doar nossas riquezas para ganhar o paraíso. Lembrem sempre, antes de sermos chamados Cristãos, em Antioquia, nós éramos chamados «Seguidores do Caminho». Primeiro, porque o Cristianismo foi a primeira religião a envolver todas as experiências humanas, mais do que as religiões meramente cívicas e étnicas daqueles tempos. Nossa fé é também espiritual, uma maneira de viver. Segundo, porque naqueles dias os Cristãos acreditavam que viver neste mundo era apenas uma pequena parcela de uma existência muito maior: nós estávamos a caminho de um lugar melhor. Assim, nós devemos lembrar constantemente que somos chamados a integrar nossas vidas, nos dedicar totalmente a viver o caminho do bem enquanto empreendemos nosso retorno para a casa do Pai. Não será um caminho fácil, mas com toda certeza, este é o caminho correto. E não se preocupem, porque Cristo também nos ensina, «com Deus tudo é possível».[4] [1] Filipenses 3:14 |
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