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Homilia de S. Emncia. Revma. Arcebispo Tarasios, Metropolita de Buenos Aires, Primaz e Exarca da América do Sul, para o 1º Domingo de Lucas.
Escutamos este relato, que de maneira tão vívida o evangelista descreve, pormenorizando cada momento deste acontecimento nada comum, pelo contrário, impactante e totalmente convincente, não só para aqueles que o viveram, mas para qualquer pessoa que ouve atentamente as palavras de nosso Senhor. O que aprendemos deste ensinamento que o Senhor hoje nos propõe? Como já vos exortei em outras oportunidades, a barca simboliza a Sua Igreja; por isso é que o Senhor entra nela e se afasta um pouco da margem (estamos no mundo, mas não somos do mundo), para ensinar a multidão que estava ansiosa por escutá-Lo. Depois de lhes falar, ordena a Simão que conduza a embarcação para mar adentro, levando as suas redes para a pesca. Como vêem, a barca está cercada pelo mar, que simboliza o mundo. Assim também, esteve, está e estará a nossa Igreja, desde o princípio do mundo. Algumas vezes passará despercebida a seus olhos; outras, estará atento a ela, não para escutar seus ensinamentos, tampouco para seguir o que ordena nosso Senhor, ou para tomar posse da salvação que Ele oferece a toda a humanidade, senão, pelo contrário, para, de forma muito dissimulada e sutil, tramar e agir contra ela. Outras tantas vezes o fará de forma explícita e frontal, pretendendo submetê-la às «leis deste mundo» e, dessa forma, buscar controlá-la, asfixiá-la e destruí-la. Continuemos, pois, com o que nos diz o Evangelho: Simão responde ao Senhor, que durante toda a noite eles lançaram em vão as suas redes sem nada pescar. O que isto significa? De maneira muito clara nos indica que, em vão é o nosso esforço solitário, pois nada se pode fazer para dissipar as trevas se não nos encontramos na barca, cujo capitão é Cristo Jesus, o único que a comanda e que pode, com o seu poder, iluminar e dissipar a escuridão em que vive o mundo. Logo, Simão continua dizendo: «Porém, se Tu o dizes, lançarei as redes.» Aqui está o importante deste ensinamento do Senhor: Temos de estar atentos a voz do seu comando, pois, somente assim, pescaremos até as redes se romperem, como aconteceu com os discípulos. Simão, homem do mar, rude e simples, de pele castigada pelo sol e pelos trabalhos no mar, porém, escolhido pelo Senhor, fica assombrado pelo grande milagre operado pelo Senhor da criação. Cai de joelhos diante d´Ele, exclamando: «Senhor, afasta-te de mim, porque sou pecador.» E, nos diz o Evangelho, que o mesmo se passava com Tiago e João, filhos de Zebedeu, companheiros de Simão. O Senhor Jesus disse: «Não temas, daqui por diante serás pescador de homens.» Este é o poder e a missão que deu o Senhor a seus apóstolos e que, por sucessão, no transcorrer dos séculos, tem sido transmitido de geração em geração, por ação do Espírito Santo, aos seus Bispos, em toda a Igreja. Perguntemo-nos então: assim como Simão, quantas vezes caímos de joelhos diante do Senhor pedindo sua misericórdia, seu perdão, reconhecendo-nos pecadores? Porém, pecadores, não somente por nossos próprios pecados pessoais, pois isto seria egoísmo de nossa parte, mas também por aqueles pecados que cometemos por omissão; isto é, deixamos de fazer o bem ao nosso próximo, deixamos de falar de Jesus, da salvação, e de viver como cristãos, de conhecer as coisas de Deus através de Sua Igreja, deixamos de, em uma palavra, ensinar. Esta não é uma questão de opção; ou seja: se quero, faço, se não quero, não faço. Se fosse assim, como já apontei, seria uma atitude egoísta, cheia de soberba, assim como é o pai da mentira, Satanás. Então, somos verdadeiramente cristãos e filhos do Deus Altíssimo ou, ao contrário, vivemos nas trevas, escravizados pelas cadeias do maligno, sem liberdade para correr para a Luz que é o Cristo, o Salvador Nosso? Existe uma máxima que nos ensina que: «O pior cego é aquele que não quer ver.» Isto significa que, cada um é livre para decidir por sua própria salvação, e em conjunto com os demais, pois, nossas obras dirão, por si só, o que realmente somos. Uma vez mais se cumprirá as palavras do Senhor: «Pelos frutos os reconhecerão.» Amados filhos e filhas espirituais, convido-vos uma vez mais, portanto, a serem como Simão, Tiago e João, pescadores de homens, escutando, seguindo e ensinando a palavra de Deus. Somente assim poderemos nos sentir e ser verdadeiramente cristãos, trazendo a luz ao mundo, dissipando as trevas da ignorância e das tentações que superabundam neste planeta Terra em que, transitoriamente, vivemos. Amém. |
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