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Homilia para o «Domingo do Fariseu e do Publicano» «O Fariseu e o Publicano» Lc 18, 9-14 Aos olhos do povo hebreu, os fariseus eram zelosos cumpridores dos seus deveres religiosos. Mas, como sabemos, a estes mesmos, nosso Senhor lhes disse «Ai de vós escribas e fariseus hipócritas, que sois semelhantes aos sepulcros caiados» (Mt 23, 27). Eis aqui o fiel retrato: por fora aparência de limpeza, justiça, bondade, equidade, mas, por dentro, o coração é todo o contrário, cheio de orgulho, egoísmo, maldade e vícios. Que arrogância a do Fariseu da parábola, quando se auto-vangloria, orando, não a Deus, mas a si mesmo, dizendo: não sou isto ou aquilo, nem como esse cobrador de impostos... ! Os cobradores de impostos eram muito mal vistos e chamados «pecadores» pelos seus concidadãos hebreus, pois como já disse anteriormente, numa outra homilia, faziam o seu trabalho sob as ordens dos romanos. Assim, nosso publicano da parábola era um deles. Qual foi a atitude do publicano diante do santo templo de Deus, ele para quem era apontado o dedo acusador do povo hebreu? Sem se atrever a elevar ao céu os seus olhos, batia em seu peito e balbuciava: «Ó Deus, tem compaixão de mim, que sou um pecador». Esta oração é aquela mesma rezada por nossos irmãos monges e monjas nos monastérios ortodoxos e também por muitos fiéis cristãos ortodoxos em todo o mundo, ajudados por seus konbuskinis (cordões de oração), com o qual rogam a Deus uns pelos outros. A atitude do publicano é a de humilhar-se perante o Altíssimo, é a de reconhecer-se um pecador aos olhos de Deus e dos homens. Mesmo sendo um cobrador de impostos, ele se volta para o Todo-Poderoso com um coração contrito e humilhado, sabendo que o maior dano que existe no mundo é o que causa o pecado. Sabe também que o pecado distorce, adultera, enfraquece a relação da criatura com o seu Criador, nunca porém o contrário, pois, nada nem ninguém, nem mesmo o pecado, pode afetar, alterar ou danificar a Deus, porque é Deus! O publicano é plenamente consciente disso e, portanto, aproxima-se de Deus. Compungido, não se atreve a proclamar, como próprios, atributos que mais ocultam a sua debilidade, seu fracasso, seu erro, como o faz o fariseu. Limita-se apenas a dizer estas breves palavras, mas cheias de grande compunção, piedade, humildade, súplica ao seu Senhor e Criador Altíssimo: «Tem misericórdia de mim, que sou um pecador». Estas palavras não mostram apenas o arrependimento e a contrição do publicano, mas revelam o regresso do filho pródigo, do chiqueiro aos braços amorosos do Pai (Deus). Isso é amor. Sem dúvida nenhuma, o Todo-Poderoso o perdoa e o faz mais branco do que neve; devolve a ele o seu lugar de honra, como um filho de Deus; restabelece plenamente a relação de amor entre o publicano e o Onipotente. É isso que nos ensina nosso amado e bom Jesus: o verdadeiro cristão deve seguir os passos e o exemplo do publicano. Se não é dado o passo do arrependimento, da humilhação e da reconciliação com o Divino Criador, não poderá haver perdão, nem restabelecimento ao estado natural, estado a que todo cristão é chamado a viver, isto é, na graça, em harmonia com Deus e com o próximo, onde existe unidade, assim como em Deus que é unidade e trindade, ao mesmo tempo. Isto não quer dizer que Deus negue o perdão. Antes, é homem que se nega a si mesmo e nega aproximar-se do amor infinito de Deus, do amor que tudo consome e destrói o pecado. Se no coração do homem habita a discórdia, o egoísmo, o querer ser sempre mais que os outros, a arrogância da auto- suficiência, então já se admitiu o pecado e, por conseguinte, a ruptura da harmonia com Deus e com os outros. Sim, o pecado destrói todo o bem que Deus quer para aqueles que ele ama. Por isso, Cristo deixou a sua Igreja aqui na terra, para que, todo aquele que dela se aproxima, como o publicano, encontre o bálsamo, a cura, a libertação do veneno mortal que leva à morte espiritual, e que também afeta o corpo físico. É na Igreja de Cristo onde escutamos os seus ensinamentos, recebemos o seu sacrossanto e divino Corpo e Sangue, que nos restaura como filhos de Deus; é na Igreja onde, juntos, em comunidade - isto é, em igreja - unidos no amor de Deus e no amor de uns pelos outros, desfrutamos da plena graça, da harmonia e da realização do Reino dos Céus. Assim, também nós, que possamos oferecer, com amor, tudo o que temos recebido em nossa Igreja aos que vivem uma vida como a do fariseu da parábola, sem a verdadeira luz que é Cristo nosso Senhor e Deus. Amém. Tradução de pe. André Sperandio |
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