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Encíclica de S. Eminência Revma. Prot. Nº 1460 † T A R A S I O S, pela Graça de Deus, A toda a grei de nossa eparquia:
Como devemos interpretar o evento que vivemos hoje? Se seguirmos a reflexão do santo da «boca de ouro», do Crisóstomo, concluiremos que é a apoteose dos milagres, o auge do supra-lógico, a inundação da Graça, a transcendência da natureza, o eflúvio da condescendência, a profundidade do mistério, a perfeição da divina providência, em fim, a reconciliação do céu com a terra, na mesma divindade. Meu precioso rebanho espiritual: Hoje Deus se faz homem, e a ordem natural é mudada, porquanto, superada. Deus se nos revela, e as leis da natureza cessam. É a dinâmica do milagre, da coexistência de duas realidades que interagem, enquanto parte da providência divina. O protagonista é o próprio Deus; sim, Deus se faz homem, o mesmo Deus que planejou sua estratégia divina; o Onipotente põe em ação seu plano, o aplica e sofre as conseqüências, e todo o orbe muda a freqüência existencial, pois «hoje, Deus está conosco».
Hoje a história muda seu curso, porque Deus entra na história, limitando-se nela, para lhe a possibilidade de ter um curso ilimitado. Agora, nada mais é como antes: «Deus está conosco» nós o podemos ver, o podemos tocar, falar com ele e aprender Dele [3]. Deus se encarna e opera, na união hipostática, a reconstituição e a regeneração da natureza humana. Porém, a ação de sua encarnação não termina aí. Ele vem para nos ensinar que Deus é amor. E não só ensina através de palavras e sermões: Ele nos ensina com sua própria vida. «Venham e vejam» [4], diz o Senhor. Pois o seu ensinamento não é uma mera teoria, não é uma ética inútil, tampouco uma moral inconsistente; mas é vida, experiência, prática, hábito. Os profetas prepararam o caminho com a profecia: hoje o oráculo se faz realidade, faz-se carne, faz-se Palavra e, portanto, se materializa na Verdade. Deus se faz carne para nos ensinar o caminho que nos leva a Ele, e este caminho é o amor. Não um amor retórico, ou um amor épico; não um amor demagogo ou populista; não um amor platônico ou desencarnado: Não! Ele nos ensina um amor único, o amor de Deus para com o criado, o amor desinteressado, o que tudo sofre, tudo suporta, o que tudo espera, o que tudo crê [5]; aquele amor que encarna o próprio Cristo, pois Ele é o único paradigma do amor. Por isso Ele se encarna, se faz homem, se faz limitado, se esvazia, sofre, morre e, por fim, ressuscita dando vida a todos. Mui amados no Senhor, Esta é a lei insondável de Deus: o amor. Por isso a natureza fica paralisada, e Deus desce à sua criatura; por isso Deus nasce e se faz criança numa gruta; por isso é que se realiza o milagre; por isso se manifesta a Transcendência; por isso a criatura se aperfeiçoa e se diviniza. O parâmetro é o amor; a lei, a norma, a pauta dinâmica, a vontade, a visão, princípio e fim, a apoteose e a explicação do por que Deus quis estar conosco: «Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele» [6]. Com esta breve reflexão, invocamos sobre vós a Graça do Verbo encarnado em Belém, desejando-vos paz interior, alegria, júbilo espiritual, esperança, reconciliação e perdão, na firme convicção de que o amor de Deus feito homem tudo pode! Amém. Da Arquidiocese, em Buenos Aires, 11 de dezembro de 2009 O METROPOLITA [1] São João Crisóstomo, Homilia II sobre a Natividade, I, 8 |
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