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Homilia de S. Emncia. Dom TARASIOS, Arcebispo Metropolita de Buenos Aires, Primaz e Exarca da América do Sul, para o Domingo dos Santos Padres do I Concílio Ecumênico de Nicéia «A oração sacerdotal de Jesus Cristo» [Jo 17,1-13
Estas palavras, pronunciadas pelos lábios do Senhor, nos revelam a unidade de Deus Pai e Deus Filho, em contraste com as investidas heréticas de Ário que, com suas especulações "teológicas" negava divindade de Cristo, considerando-O, tão somente, uma criatura de Deus. Quanto aos Seus apóstolos, o próprio Senhor nos diz que Sua glória se faz visível neles. Não há a menor dúvida de que assim foi, é e continuará a sê-lo, até que o Senhor venha pela segunda vêz para o julgamento das nações. É neles [apóstolos], e nos seus sucessores legítimos que se dá a a continuidade da presença plena de Cristo e da sua glória na terra. Nossa Igreja e sua tradição consideram os Apóstolos os primeiros bispos. É, pois, imcompreensível que tal elocubração pudesse ocupar a mente de Ário, rebaixando Cristo a uma simples criatura, não aceitando os ensinamentos da Igreja e, consequentemente, provocando divisões e cismas em seu interior. — E, por que estou dizendo isso? Porque esta parte do Evangelho está associada ao Primeiro Concílio Ecumênico realizado na cidade de Nicéia, no qual nossos santos Padres refutaram unânimemente o erro, a heresia ariana, defendendo, afirmando e confirmando, de uma vez para sempre, a divindade de Cristo. Os trezentos e dezoito Padres da Igreja, que se reuniram naquele Primeiro Concílio Ecumênico, são a glória presente de Deus. Vocês se recordam das palavras do Senhor quando afirma: "Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, lá estarei no meio deles" [...] Acaso poderia faltar a presença do Senhor no meio de seus eleitos? Eles, que receberam o encargo de dirigir a Sua Igreja, de proclamar o Seu Evangelho, de ensinar a palavra de Sua verdade e defendê-la, se preciso for, com as próprias vidas, tal como fizeram os santos mártires, e ainda o fazem os novos que surgem no mundo atual, já não por causa das perseguições, como nos primeiros séculos do cristianismo, mas enfrentando as modernas formas de perseguição dos nossos tempos. A luta entre a luz e as trevas, entre o bem e o mal, entre a verdade e mundo pagão; sim, como escutamos todos os dias, neste tempo que nos foi dado viver, são ainda mais cruéis que no passado. Os "Neros", "Herodes" e "Salomés", que antepõem o poder e o dinheiro, pisoteando o direito de justiça, o direito de viver dignamente como Deus quer para cada um de seus filhos, estão em todos os tempos e lugares. Ainda assim, porém, a glória de Deus permanece em Sua Igreja, em seus bispos, sacerdotes e diáconos, como no recém-ordenado Sérgio, e em todo o povo de Deus, cada qual no lugar onde Deus o tiver colocado. Com o exemplo que nos deixaram os nossos Santos Padres do Primeiro Concílio Ecumênico, somos chamados a continuar esta grande missão no mundo. Toda vez que recitamos ou rezamos o nosso Símbolo da Fé, o Credo Niceno-Constantinopolitano, devemos estar conscientes do que diz, significa e afirma, pois é a verdade na qual vivemos, em continuidade e sem interrupção. Assim como os nossos Santos Padres da Igreja, que sustentaram e defenderam, com amor e determinação, a verdade revelada por Deus, cabe agora a cada um de nós e a todos nós em conjunto, fazermos o mesmo. Como disse antes, no meu caso, como bispo, o sacerdote, em suas funções sacerdotais, o diácono em seu serviço, e o povo de Deus, que somos todos nós, clero e fiéis, que conformamos a Igreja, o Corpo de Cristo, façamos diariamente o que é próprio a nossa missão, dando a conhecer a todos o Salvador do mundo, sendo luz que ilumina e sal que dá gosto pelo Reino dos Céus. Devemos estar sempre muito atentos para que este sal não perca em nós a sua qualidade de dar gosto, pois assim, como poderíamos levar a cabo nosso dever cristão para com os demais? Neste dia da festa de nossos Padres do Primeiro Concílio Ecumênico, peçamos juntos ao Senhor:
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