![]() |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
HOMILIA
«Alegremo-nos e regozijemo-nos, queridos.
Pois, se João, do útero de sua mãe,
regozijou-se ao ver Maria vir ao encontro de Isabel,
nós que, não contemplamos somente
Maria,
mas o próprio Salvador nascido,
devemos saltar, alegrar, maravilhar e
nos surpreender
ante a magnitude da Economia
que transcende toda a mente» [1]
O nascimento na carne de Nosso Senhor Jesus Cristo anuncia o alvorecer
de um novo tempo, no drama humano rumo à perfeição. Com efeito, uma Pessoa
da Santíssima Trindade, o Verbo eterno do Pai, toma da Virgem Maria a carne, a fim de, associando-a à sua natureza divina por meio da união
hipostática, purificá-la, santificá-la e aperfeiçoá-la e, assim, conceder ao
homem a possibilidade da deificação, -- a possibilidade de sua deificação – ou seja, a possibilidade de fazer-se deus por graça: Sim, escutaram bem: deus por graça! É por isso que Santo Atanásio exclama:
No
seio da Virgem, se construiu um templo, ou seja, seu corpo, e o fez seu próprio
instrumento, no qual haveria de dar-se a conhecer e habitar; deste modo, tendo
tomado um corpo semelhante ao de qualquer um de nós, já que estávamos todos sujeitos
à corrupção da morte, o entregou à morte por todos, oferecendo-se ao Pai com um
amor sem limites; assim, ao morrer, em sua pessoa, todos os homens, deixou de
vigorar a lei da corrupção que atingia a todos, já que, no corpo do Senhor, toda
a eficácia da morte foi esgotada e, assim já não lhe restou força alguma para atingir
aos demais homens a Ele semelhantes; com isso, fez também de novo
incorruptíveis aos que haviam caído na corrupção, e os chamou da morte para a
vida, consumindo totalmente neles a morte, com o corpo que havia assumido, e
com o poder de sua ressurreição, do mesmo modo como a palha é consumida pelo
fogo».
[2]
Com efeito, o Verbo de Deus, encarnando-se, reveste-se
da natureza humana caída e, em sua morte anula a maldição da lei da corrupção e
da morte que havia aprisionado ao gênero humano. Toda a criação se regenera
conjuntamente com a raça humana. É por isso que a encarnação do Verbo tem
dimenões cósmicas. Deus toma a carne,
se humaniza a fim de que o homem e a criação se divinizem.
Não era possível que a criação de Deus permanecesse limitada, isolada e subjugada pelo poder da corrupção e da morte como conseqüência do pecado original. Deus jamais deixaria perecer sua criação, pois, o que move a criação é o amor, o mesmo amor que leva Deus Triúno a redimir o gênero humano através da encarnação, morte e ressurreição do Theántropo Cristo.
A encarnação do Verbo é, pois, um resgate da condição do homem, e Deus paga esse resgate com o sangue de seu próprio Filho Unigênito. Pois... ... «de tal modo Deus amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, a fim de
que todo aquele que n’Ele creia não pereça, mas tenha a vida eterna..»
[3]
Esse amor extremo que se traduz na pessoa de Jesus Cristo em entrega absoluta, humilde presépio, sacrifício até a morte, dor de cruz, sepulcro solitário, é o amor ao qual estamos chamados, como cristãos, a seguir, o amor incondicional; este é o parâmetro de perfeição pelo qual seremos julgados. «Sede perfeitos como meu Pai celestial é perfeito». [4] A Natividade é a festa da alegria, pois «Deus está conosco». É a alegria da alma,
pois agora temos a plena segurança de que podemos transcender a morte e a
corrupção; de que o Verbo eterno se fez um de nós na carne, e compartilhou
da nossa dor, é nosso advogado ante o Pai, e nosso irmão na humanidade; de que
estamos chamados a ser perfeitos através da prática do amor misericordioso; de
que o reino do demônio foi vencido para sempre; de que o domínio do Rei dos
reis foi implantado para todo o sempre e fomos elevados ao céu e constituídos
herdeiros da Vida depois da vida.
A Natividade é a festa da esperança, «porque, tal é a razão pela qual o Verbo se fez homem, e o Filho de Deus, Filho do homem: para que o homem, ao entrar em comunhão com o Verbo, e ao receber assim a filiação divina, se convertesse em filho de Deus» [5] E, mais, ainda... ...«porque
o Filho de Deus se fez homem para fazer-nos Deus».
[6]
Esta realidade nos leva a esperar: a esperar continuamente em Deus, porém agora também em nós mesmos, pois, o dom se converte em eleição e responsabilidade. Então, sejamos Deus! Deus o Verbo, Deus em verbo. Com estas breves reflexões invocamos sobre todos vós a Graça do Verbo
encarnado em Belém, e vos desejamos paz interior, alegria, regozijo espiritual,
esperança, reconciliação, na firme convicção de que, se Deus é Emmanuel, e
Emmanuel significa «Deus conosco», e se nós somos Deus, então Deus está em nós,
porque somos um com Deus, agora e para sempre. Amém.
Notas: [1] Johannes Chrysostomus, In Diem Natalem, TLG Vol 49, pag 351. [2] Atanasius Theologus Alexandrinus, De Incarnatione Verbi, TLG, 8.3, 8.4. [3] Jo 3, 16. [4] Mt 5, 48. [5] Ireneus, haer., 3, 19, 1. [6] Atanasius Theologus Alexandrinus, De Incarnatione Verbi, TLG, 54,3.
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||