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Mensagem por ocasião do NATAL de 2008 Meu precioso rebanho espiritual: «Vimos Sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo». (Mt 2, 2).
Alguns de vocês estarão na Igreja glorificando ao Deus Encarnado e celebrando este grande evento em família. Outros viajarão para passar estes dias de uma maneira simples e privada. Ainda assim, durante o decorrer do dia da celebração da Natividade, seria bom e certamente apropriado para todos meditar o tema da peregrinação, algo vital de nossa Fé Ortodoxa: nosso caminho para Deus. O Cristianismo Ortodoxo nunca enfoca exclusivamente o acontecimento, o momento. Na Natividade de Cristo, não se celebra seu aniversário, mas celebramos seu nascimento em nós e a vida que compartilhamos com Ele hoje e a partir do dia de nossa salvação. Nossa fé é um processo, um movimento, uma viagem, que chega até nossa união com Cristo. Chamamos esta união «théosis», ou divinização: a nossa decisão de receber a imagem de Deus em nós mesmos e criar nela a semelhança de Deus. Nesta peregrinação até a «theosis», nunca viajamos sozinhos. Alguém sempre nos acompanha. E isso é o que significa a Natividade de Cristo. É a viagem de Deus até a humanidade, e a nossa resposta, nossa decisão de encontrá-Lo, conhecê-Lo e unirmo-nos a Ele. Χριστός Γεννᾶται δοξάσατε, Χριστός ἐξ oὐρανῶν ἀπαντήσατε! Cristo nasceu, glorifiquemo-Lo! Cristo vem dos Céus, recebemo-Lo! Prestemos nossa atenção ao ícone da Natividade. É um quadro familiar: o Cristo e a Theotokos, sua mãe; José, o Noivo, que de um ângulo contempla o que está se passando; os três Reis, vindos do Oriente com seus preciosos presentes; os pastores, as vacas e ovelhas; o coro da multidão de anjos; o sol, a lua, as estrelas e, brilhando, uma estrela em particular. De fato, alí está presente toda a criação de Deus, toda a ecumene. Porém, além da cena das narrações evangélicas de Mateus e de Lucas, o ícone exibe a perfeição de quatro viagens específicas: primeiro, a chegada de Maria e José à Belém, vindos de Nazaré; segundo, a visita dos Reis Magos, vindos do Oriente; terceiro, os pastores seguindo as alegres notícias dos anjos; e, por último, a «chegada», a vinda de Cristo e a Encarnação de Deus. Maria e José, humildes em pobreza, porém, obedientes em tudo, até mesmo ao chamado do censo Romano, viajaram de Nazaré até Belém para o recenseamento. Podem vocês imaginar isso? A Theotokos, a Mãe de Deus, viajando para um lugar distante de onde morava, para dar à luz seu filho numa estrebaria, entre as vacas e os cavalos? Ela também estava à caminho, em viagem. Levado do Oriente por uma estrela excepcionalmente brilhante, deixaram seus lugares e família e começaram a transitar por um caminho para encontrar o Messias em Belém. «Quando chegaram ao lugar, viram o menino com Maria, sua mãe; e, prostrando-se O adoraram. Abriram seus cofres e lhe presentearam com ouro, incenso e mirra» (Mt 2,11). Os pobres pastores, levados pelos anjos, não tinham nada de valor material para oferecer a Nosso Senhor. Deram-lhe, porém, duas coisas muito importantes: a sua resposta, indo ao seu encontro, e o seu louvor de adoração. Seus presentes não eram assim tão pequenos para um menino nascido num presépio e, neste dia, comemoramos seus testemunhos no nascimento de Nosso Salvador. E a viagem final? O Filho de Deus se fez homem para permitir ao homens serem filhos de Deus. Porém, inclusive esta grande viagem de Cristo, do céu até a terra, sua kenosis divina, seu auto-esvaziamento, era apenas e somente o começo. A promessa de Nosso Senhor a nós nesta e em cada Natividade é um mundo renovado: uma viagem que começou com seu nascimento, foi glorificada em sua ressurreição, e seu fim na conversão de nossos corações e mentes com a Graça do Espírito Santo. Quantas vezes ouvimos pessoas dizerem em suas frustrações: por quê? Pois, como cristãos, nós devemos compreender que somos nós o «porquê». Somos Nós a razão pela qual Deus se fez homem. Somos Nós o presente «sob a árvore». Deus nos deu o seu Filho Unigênito para que nós não pereçemos, mas para que vivamos! Com estas palavras, algo muda em nossas vidas. Teremos que «ver» Sua estrela; teremos que «segui-Lo» até que encontremos Cristo em nós e O adoremos no interior de nosso ser. No mesmo ar que respiramos, na atmosfera da vida da Igreja, é como se víssemos de muito longe a primeira luz da maior alegria possível – a vinda de Deus em Seu mundo! Deus Emmanuel! Deus Conosco! CRISTO NASCEU, GLORIFIQUEMO-LO! Da Sé Arquidiocesana, em Buenos Aires, Natal de 2008 O METROPOLITA |
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